Produtividade cai 30% e custa caro

Em: 1 de julho de 2014
Empresas se dedicam a torcer pelo Brasil e produtividade manteve-se baixa para os padrões
Empresas se dedicam a torcer pelo Brasil e produtividade manteve-se baixa para os padrões

A seleção brasileira suou a camisa nos três primeiro jogos, mais ainda ao enfrentar o Chile nas oitavas de final da Copa do Mundo. Fora de campo, grande parte do esforço nos escritórios foi mesmo direcionado para a torcida pelo Brasil e a produtividade do trabalho manteve-se baixa para os padrões fora do Mundial. Segundo o IRRP (Índice Runrun.it de Produtividade), nos dias úteis compreendidos entre 12 e 23 de junho, o nível de entrega de tarefas nas empresas avaliadas ficou 30% abaixo da média registrada em iguais períodos analisados nos meses de janeiro a maio.
Na primeira fase do torneio, entre o primeiro e o último jogo do Brasil, o número médio diário de tarefas entregue por trabalhador ficou em 0,54, ante média diária de 0,77 registrada em igual período (entre 12 e 23) de janeiro a maio. Em fevereiro, esse número foi até maior, com 0,84 tarefa entregue também entre os dias 12 e 23. “O índice em junho ficou bem fora da normalidade”, diz o cofundador da empresa de tecnologia Runrun.it, Franklin Valadares, ressaltando que a análise da entrega de tarefas pode ser considerada o nível mais básico de produtividade do trabalho.
Para Valadares, os números sinalizam que a Copa pode custar caro não só para as empresas que fizeram investimentos diretamente ligados ao Mundial, mas para companhias que não se organizaram para, por exemplo, compensar os dias em que a cabeça do trabalhador está, como não poderia deixar de ser, no Mundial sediado no Brasil. “Além disso, os números indicam que a Copa não afeta a produtividade apenas nos dias do jogos do Brasil, mas no período todo”. O índice mede a variação do número de tarefas entregue pelos usuários da ferramenta, que é usada por cerca de 60 mil empresas distribuídas em alguns países -80% desse total no Brasil. Para avaliar a produtividade do trabalho em dias de Copa, a Runrun.it avaliou oito mil usuários espalhados em uma amostra de 800 empresas mais ativas, a maioria delas pertencente à área de prestação de serviços, como agências de publicidade, empresas de tecnologia e escritórios de arquitetura e advocacia.
Olhando cada uma das partidas do Brasil, o jogo de abertura da Copa, em 12 de junho contra a Croácia, foi o que causou a maior diminuição da produtividade nas empresas. O nível de entrega de tarefas ficou 56,3% abaixo da média comparada às dez quintas-feiras úteis anteriores. Segundo o estudo, embora o feriado nesse dia tenha sido decretado apenas na cidade de São Paulo, é provável que, em nível nacional, metade do dia tenha sido dedicado ao jogo, e não ao trabalho.
Na última segunda-feira, dia em que o Brasil ganhou de 4 a 1 da seleção de Camarões, a queda foi de 41,8% no volume de tarefas finalizadas se comparado à média das últimas dez segundas-feiras úteis anteriores. Já no segundo jogo da seleção na Copa, quando o Brasil empatou com o México em uma partida sem gols, a produtividade pode ser considerada baixa tanto no campo quanto fora dele: o nível de entrega de tarefas nas empresas ficou 41,4% abaixo da média na mesma base de comparação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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