Quando Vicente Paiva e Nélson Barbosa lançaram a “Marcha do Cordão do Bola Preta”, em 1961, talvez não imaginassem que a frase “quem não chora, não mama” acabaria por identificar a música mas, principalmente, passaria a personificar uma realidade. Que o diga o garoto amazonense Ricardo Albuquerque, de 14 anos.
Em 19 de maio, quando a Taça FIFA foi trazida a Manaus para ser exposta ao público no Amazonas Shopping, Ricardo se tornou uma das cerca de dez mil pessoas que foram visitar o belo troféu da Copa, porém, ao ser entrevistado por uma emissora de televisão, o garoto chorou diante das câmeras, dizendo que estava muito emocionado em saber que jamais veria novamente o troféu em Manaus. Foi o suficiente para ser notado pelos organizadores do evento promovido pela Coca-Cola. Em minutos, Ricardo virou celebridade. Foi levado para a sala VIP, apresentado a Rivelino (Ricardo é torcedor fanático do Fluminense e já havia pesquisado a vida de Rivelino, um dos grandes craques do time carioca) e ganhou de presente uma miniatura da Taça Fifa banhada a ouro, que seria entregue a alguma autoridade local. A Coca-Cola resolveu na hora entregar a miniatura a Ricardo, elevado a garoto-propaganda da multinacional. No minuto seguinte a foto dele beijando o valioso presente já estava no site da empresa, visto por milhares de internautas. Mas o melhor ainda estava por vir.
Dois dias depois, Mirella, a mãe de Ricardo, recebeu um telefonema da Coca-Cola dizendo que o garoto havia sido escolhido para ser um dos carregadores de bandeira, no Rio de Janeiro, na final da Copa do Mundo. Ela, lógico, achou que era trote e não deu atenção ao telefonema mas, diante da insistência da pessoa do outro lado do telefone e depois dos e-mails recebidos da empresa, Mirella caiu na real. O filho tirara a sorte grande.
No sábado (12), Ricardo viajou para o Rio, sozinho (Mirella e o marido não quiseram deixar que o filho fosse, mas o motivo da viagem falou mais alto). O garoto está hospedado num hotel, no Flamengo, e volta nesta segunda-feira (14) à noite. A Coca-Cola avisou que se o Brasil fosse campeão, Ricardo e os outros carregadores de bandeiras teriam acesso às comemorações junto com os jogadores da seleção. Como o campeão será outro país, ele não sabe se poderá comemorar com os argentinos ou com os alemães. É a primeira vez que Ricardo faz uma viagem de avião, para o Rio de Janeiro e para assistir, de um lugar muito melhor que um camarote, à uma final de Copa do Mundo. Esse brasileiro conseguiu ganhar a Copa.
Um amazonense entra em campo
Em: 12 de julho de 2014
Ricardo foi escolhido para ser um dos carregadores de bandeira na final da Copa do Mundo
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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