A arte efemera das ruas

Em: 15 de julho de 2014
Manaus e a Copa do Mundo recebem homenagem, por meio da arte do grupo Febre Urbana Crew
Manaus e a Copa do Mundo recebem homenagem, por meio da arte do grupo Febre Urbana Crew

A Copa do Mundo tristemente, para nós brasileiros, não teve seu final como a maioria esperava. Restaram apenas lembranças da festa que vivemos por quase um mês, mas a vida é assim mesmo, como os banzeiros dos rios, indo e vindo, ora com alegrias, ora com tristezas.
Por semanas, meses, quem sabe anos, ainda conviveremos com as imagens do grande evento pintados nas ruas e nos muros, como é o caso da arte em grafite, da Febre Urbana Crew (grupo, gangue, tribo que se reúne para fazer arte), que deixou tudo registrado nas paredes das ruas de Manaus. A Febre Urbana, através de seus desenhos coloridos em alguns muros da cidade, gravou as alegrias que não devem jamais ser apagadas apenas porque perdemos uma competição esportiva.
O parintinense Jarbas do Carmo Gato Marinho, o Lobão, e seu sócio Luis Alberto, o Mosca, idealizadores da Febre Urbana, cujos nomes dos integrantes lembram bem os anões da Branca de Neve: Soneca, Soney, Sueco, Hip, Gref e Adonay.
Lobão conta que o grupo de amigos se considera artistas autodidatas. Nenhum tem formação artística acadêmica, mas não se importam muito com isso. Seu interesse maior é pintar muros pelos quatro cantos da cidade. “Quando eu comecei, em 1999, queria apenas grafitar. Colocar para fora a minha arte. Com o tempo fui me aprimorando e o que era apenas lazer, se transformou em profissão”. Em 2000, Mosca, colega de escola de Lobão, se uniu ao amigo e até hoje a dupla mantém a sociedade nos trabalhos que surgem.
Os demais integrantes da crew foram surgindo aos poucos e quando a demanda de serviços é grande, eles são acionados. “Mas sempre nos encontramos em trabalhos, ou mesmo em pinturas feitas por diversão em algum ponto da cidade”, explicou Lobão. A base, como ele chama uma pequena sala no bairro da Redenção, onde o que mais pode ser visto são latas de spray e sobras de seus trabalhos, é o ateliê e o ponto de encontro da Febre Urbana. “Aqui traçamos o que vamos fazer e partimos para a batalha”, contou.

Que a felicidade fique marcada

Em muitos casos a Febre Urbana pinta muros apenas por hobby. “Pedimos autorização do proprietário, a Suvinil nos dá as tintas e grafitamos”. Hobby que também funciona como cartão de visitas. “É daí que surgem os trabalhos. As pessoas veem, gostam e nos procuram. Aí fazemos painéis, quadros e pinturas, geralmente em paredes de quartos”. Ou então grandes empresas os chamam, como recentemente fizeram a Ambev e a Andrade Gutierrez. Nos imensos muros das duas empresas, na av. Constantino Nery, bem em frente ao estádio, eles grafitaram belas imagens relacionadas à Copa.
Com um pouco de atraso, na última quinta-feira (10), eles concluíram a grafitagem na passagem de nível da Djalma Batista com o Boulevard, ainda com motivos da Copa. “Não é porque acabou dessa forma, que devemos esquecer. Enquanto tivemos jogos aqui em Manaus, fomos muito felizes e é isso que queremos que fique marcado na população”, esclareceu enquanto esculpia personagens de histórias em quadrinhos em isopor, utilizadas na decoração de festas infantis, outra vertente da Febre Urbana.
A ideia foi homenagear as oito seleções que jogaram na capital amazonense. “Pedimos autorização da prefeitura para realizar o trabalho na passagem de nível e a autorização foi dada. Procuramos homenagear cada país com as cores de suas bandeiras”, contou.
“O grafite é uma arte para ser consumida em pouco tempo. Alegramos o ambiente com cores fortes para, pouco tempo depois, aquela arte ser substituída por outra. Esse é o objetivo”, afirmou, da mesma forma deve ser a vida, que deve permanentemente ser grafitada com novas e belas cores, para valer sempre a pena ser vivida.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar