A realização da Copa do Mundo de 2014 em Manaus teve reflexos diretos na geração de emprego no mês de junho no Amazonas. De acordo com números do Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados), divulgados nesta quinta-feira (17) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) mostram que, no mês de junho, o setor de serviços foi o único que apresentou crescimento representativo no número de empregos formais gerados.
Segundo o Caged, no mês passado o setor de serviços registrou um saldo positivo de 183 carteiras assinadas no Estado. No período, foram admitidos 5.934 trabalhadores contra 5.751 demitidos. Serviços de alojamento, alimentação, reparação, manutenção e redação foram os que apresentaram a maior alta, com saldo positivo de 235 empregos. O desempenho do setor em 2014 também foi positivo em 1.911 novas vagas, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses 2.163 novos trabalhadores foram contratados. Os números, no entanto, ficam atrás do que foi registrado no mesmo período do ano passado, quando o mês de junho apresentou saldo positivo de 515 vagas; e 3.997 no acumulado do primeiro semestre.
Na opinião do presidente da Fecomércio, José Roberto Tadros, os setores que mais investiram na contratação de mão de obra temporária neste período estão relacionados com o turismo, já que, além da Copa do Mundo, junho é tradicionalmente um período de férias.
“Com certeza o resultado foi reflexo da Copa do Mundo. Mas não podemos nos esquecer também de que junho é mês de férias. Temos um turismo interno razoavelmente grande. Julgo que esse resultado é reflexo do turismo aliado, fundamentalmente, à Copa do Mundo. Os setores que mais contrataram foram os restaurantes, bares, hotéis e áreas relacionadas, já antevendo um crescimento diferenciado devido à Copa”, avaliou.
Apesar de admitir que poderão haver demissões neste período pós-Copa do Mundo, por serem empregos temporários, Tadros acredita que a partir de agora a tendência é de manutenção destes trabalhadores até o fim do ano.
“Vai depender de como o mercado vai reagir. Se o mercado reagir com o retorno das atividades no mesmo nível do pré-copa poderá haver recuo –até porque grande parte dessas contratações é temporária. Mas a expectativa é de que nas cidades onde aconteceu a Copa haja um incremento em uma proporção maior do que foi verificado antes do mundial”, acredita Tadros.
Outros setores
Já a indústria, com a chegada do mundial, viveu um período de desaceleração. Nos últimos 30 dias, o setor industrial demitiu mais do que contratou, fechando o mês com a perda de 510 postos de trabalho. Foram 3.071 admissões e 3.581 desligamentos. Mesmo com o impulso dado pela Copa do Mundo, o desempenho da indústria no primeiro semestre foi o pior entre todos os setores avaliados, com o saldo negativo de -3.401 vagas. Já nos últimos doze meses houve a geração de 2.117 empregos formais. Em comparação com igual período de 2013 também houve perdas, já que no ano passado o resultado de junho teve saldo positivo de 1.677 carteiras assinadas em junho e 3.654 no semestre.
Também tiveram desempenho negativo em junho os setores do comércio (-36 empregos) e a construção civil (-418). Ambos os setores também apresentam quedas no semestre (-1.147 e -3.009 vagas, respectivamente), o que, mais uma vez contrasta com os resultados positivos de 2013 (302 e 657).
De maneira geral, a queda na geração de empregos no Amazonas no mês de junho fica ainda mais evidente. No mês de junho, o
Estado perdeu 712 postos de trabalho. Em junho de 2013, o número foi positivo em 2.334 novas vagas. No acumulado do semestre o saldo de empregos no Estado foi de -5.715 vagas, uma queda vertiginosa se comparada ao saldo positivo de +8.118 postos abertos de janeiro a junho de 2013.
Copa salva geração de empregos
Em: 18 de julho de 2014
Serviços foi o único setor que apresentou crescimento representativo em junho
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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