A transformação do centro comercial de Manaus com a retirada de mais camelôs e vendedores ambulantes das ruas e calçadas estimula o varejo. O centro da cidade, aos poucos, resgata a satisfação em fazer compras a sensação de segurança num local histórico, segundo representantes do comércio e populares.
Mais 173 vendedores ambulantes e camelôs foram retirados de oito ruas do Centro de Manaus, na noite do dia 30 de julho. A maioria deles foi realocada na Galeria Espírito Santo, espaço recuperado pela Prefeitura de Manaus, que fica entre as ruas Joaquim Sarmento e 24 de maio, no centro da cidade. O investimento nesta fase foi de cerca de R$ 6 milhões.
De acordo com o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra Filho, o comércio varejista tem a possibilidade real de voltar a ter resultados expressivos, tirando os camelôs da informalidade e transformando em comerciantes. “Todos ganham e a cidade volta a ter ares de uma metrópole organizada, ordenada, em que as pessoas têm a sensação de estarem caminhando com maior liberdade para realizar suas compras na área de forte comércio, no Centro”, disse.
Das 173 bancas utilizadas pelos camelôs, 117 foram entregues para reciclagem e serão transformadas, em lixeiras e placas de ‘Proibido Jogar Lixo’, para ser espalhadas pelas ruas da cidade. As demais 56 bancas serão instaladas no Camelódromo Provisório Floriano Peixoto 2, na avenida Floriano Peixoto.
De acordo com o prefeito de Manaus, Arthur Neto, os ex-camelôs poderão contar com a infraestrutura de um local projetado para funcionar como um shopping popular. Além das vantagens dos benefícios sociais e da isenção de tributos municipais.
“Eles terão freguesia, âncoras para atrair clientes, banheiro decente para usar. Na questão legal, eles terão a possibilidade de aposentadoria e poder usufruir da seguridade social, vão poder contar com todos os benefícios de um comerciante formal. E com uma vantagem, estarão isentos de todas as taxas e de todos os impostos municipais”, disse Arthur.
Os ex-camelôs terão que aguardar o término das obras da Galeria dos Remédios e Shopping T4, para se instalar. Eles terão direito ao benefício de R$ 1 mil mensais, mais cesta básica. A ação faz parte do projeto de revitalização da área histórica do Centro, coordenado pela Semc (Secretaria Municipal do Centro) e que também envolve outras secretarias, a exemplo da Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos).
Segundo o secretário da Semc, Glauco Francesco Luziro, o novo espaço comercial tem capacidade para 308 lojas, seis quiosques, nove lanches, uma praça de alimentação, uma loteria da Caixa e banheiros. “Também terá o primeiro PAC municipal, com todos os serviços da prefeitura disponíveis para atendimento da população. Aos poucos o Centro começa a ter outra aparência”, comemorou. A inauguração da Galeria está marcada para às 19 horas.
Na opinião da gerente de loja de confecção da rua Henrique Martins, Margareth Pereira Alves, o movimento de clientes ainda é fraco, mas deve melhorar com a divulgação da saída dos camelôs das ruas e das novidades que as lojas tem para oferecer. “Agora melhorou muito, a passagem está livre e as pessoas podem ver as lojas e entrar com mais segurança. Só precisa de mais divulgação da nova realidade das ruas do Centro sem a presença dos camelôs”, observou.
Para o gerente da loja Rio Nascente, Rafael Ji, a desobstrução da rua traz mais visibilidade para a loja que deve aumentar as vendas, mas ele sentiu a saída dos colegas camelôs devido a convivência de seis anos. “Por um lado foi bom a saída das bancas que ficava na frente das lojas. Porém, meus amigos de tantos anos não estão mais aqui, vou sentir falta das nossas conversas”, revelou.
A Galeria Espírito Santo começa a funcionar a partir desse sábado (2), das 8h às 19h, de segunda a sábado. Outras duas estão em construção: A Galeria dos Remédios, no Centro, prevista para ser entregue no final de setembro e o Shopping T4, na zona Leste, está programada para o início de 2015.
As ruas Henrique Martins, Saldanha Marinho, 24 de Maio, José Clemente, Lobo D’Almada, Joaquim Sarmento, Instalação e Epaminondas, tiveram seus passeios resgatados pelo poder público. Os trabalhadores instalados na praça Dom Bosco, rua Epaminondas, próximo ao colégio Dom Bosco, também deixaram as calçadas livres para a população.
Segundo o presidente do Sincovam (Sindicato dos Camelôs e Vendedores Ambulantes de Manaus), José Assis Vaz, a anuência dos trabalhadores no comércio informal foi de fundamental importância para o sucesso da operação de retirada e realocação das bancas em espaços organizados pela prefeitura. “Agora é hora de comemorar, agradecer a Deus pela oportunidade de juntos, camelôs e prefeitura, chegarem a esse local que dignifica o nosso trabalho e nos resgata das ruas”, reconheceu.
Saída de ambulantes estimula varejo
Em: 1 de agosto de 2014
Lojistas projetam valorização do espaço com revitalização da área central de Manaus
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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