Ferrovias não atraem empresários

Em: 8 de agosto de 2014
Governo aposta que Norte-Sul será útil à ZFM, mas ainda não convence empresários
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Governo aposta que Norte-Sul será útil à ZFM, mas ainda não convence empresários

Os trechos ferroviários que ligam o porto de Itaqui (MA) a Anápolis (GO) (ferrovias de Carajás e Norte-Sul) ainda não são vantajosos à indústria instalada no PIM –Polo Industrial de Manaus, mesmo o modal ferroviário oferecendo custos cerca de 30% mais barato do que o rodoviário. Para representantes empresariais, o modal só será vantajoso se os trilhos chegarem a Manaus, ou mesmo em Porto Velho (RO) ou Belém (PA) e Santarém (PA).
Em julho o governo entregou um trecho de 855 quilômetros da FNS (Ferrovia Norte-Sul), trecho compreendido entre as cidades de Palmas (TO) e Anápolis (GO) e uma nova etapa da ferrovia deve ser inaugurada até o final deste mês: a de Porto Seco do Centro-Oeste, também localizado em Anápolis. Com o trecho concluído, já será possível o transporte de carga entre o porto de Itaqui ao município de Anápolis no Centro-Oeste.
Outra boa notícia sobre o modal aconteceu no dia 29 de julho, quando o governo federal recebeu 81 requerimentos de autorização, referentes à elaboração de estudos de seis trechos ferroviários previstos no PIL (Programa de Investimentos em Logística). Foram entregues propostas de interesse a seis trechos, somando 4.676 quilômetros de ferrovias. Entre eles, a região Norte foi contemplada com um trecho ligando Açailândia (MA) a Barcarena (PA) –Ferrovia Norte-Sul. A cidade de Barcarena fica a 50 quilômetros de Belém, outro trecho entre Sinop (MT) a Miritituba (PA). Localidade situada na margem oposta à sede do município de Itaituba (PA). No rio Tapajós, próximo a Santarém e, outro Sapezal (MT) e Porto Velho (RO).
Mas, apesar de a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública responsável pela construção e exploração de infraestrutura ferroviária considerar a notícia vantajosa para o Amazonas, os representantes do segmento industrial local consideram o novo modal irrelevante.
De acordo com a Valec, a FNS (Ferrovia Norte-Sul) já percorre 1.574 quilômetros, atravessando o sul do Estado do Maranhão, o eixo central de Tocantins e o norte de Goiás. A partir da conclusão das instalações de transbordo –troca de bitola – no Porto Seco do Centro-Oeste, em Anápolis, que está prevista para este mês, a Valec aposta que será possível reduzir o tráfego de caminhões pela BR-153 (Rodovia Belém-Brasília) e, por essa rodovia circulam cargas inerentes à da ZFM (Zona Franca de Manaus).
A construtora afirma que a partir de agora os materiais poderão ser transportados de trem pela FNS a partir de Açailândia ou Imperatriz, ambas no Maranhão, sendo transbordadas em Anápolis e seguindo até o seu destino final na região sudeste do Brasil, sempre de trem.
Discordância
Porém, o coordenador da comissão de logística da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Augusto Rocha, discorda do posicionamento da Valec. Ele explica que os portos existentes no Maranhão são preparados, estruturalmente, para receber cargas minerais e não teriam condições para desembarque de contêineres.
Rocha ainda explicou que atualmente cerca de 45% dos insumos industriais são transportados por meio de balsa de Belém até Manaus e voltam levando produtos acabados na ZFM. De Belém seguem por rodovia (utilizando grande parte da BR-153 -Rodovia Belém-Brasília) até a região Sudeste. Outros 45% da produção são transportados por cabotagem (transporte de cargas realizado entre os portos do mesmo país). “A carga segue pelo Rio Amazonas e oceano Atlântico. Os desembarques são feitos nos portos do litoral em Pernambuco (Suape), Salvador e Santos. Os outros 5% dessa produção são distribuídos por via aérea”, comenta. “Não faz sentido fazer transbordo de um navio para um trem. Ao final, o custo seria mais elevado”, complementa.
Segundo Rocha, a configuração atual das ferrovias é para escoar produtos como: cimento, carvão, soja, produtos siderúrgicos, agrícolas e minerais, como, minério de ferro, bauxita, alumínio e aço. “Uma ferrovia para ser considerada útil à ZFM teria que passar por Manaus, Belém, Porto Velho ou até mesmo Santarém. Para ser interessante do ponto de vista logístico a ferrovia teria que partir de um desses locais em direção ao Sudeste. Para o Brasil, a notícia dada pela Valec é boa, mas não incide muito em nossa atuação”, esclarece.
O vice-presidente da Fieam e conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Nelson Azevedo, considera o projeto da criação de ferrovias que passem pela região Norte como uma utopia. Ele critica a falta de interesse que o governo demonstra em não recuperar a BR-319. “O escoamento dos produtos amazonenses por meio de ferrovias é um sonho irreal. Nossos meios de integração são os rios e as estradas que estão em péssimas condições, além de mal sinalizadas. Se recuperar 400 quilômetros de estrada é difícil para o governo, imagine construir ferrovia. Seria algo maravilhoso, mas não acredito”, disse. “É preciso ter vontade política e não sentimos essa iniciativa dos nossos representantes”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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