Inovar para ganhar espaço

Em: 29 de setembro de 2014
Inovação é alternativa para combater a concorrência global
Inovação é alternativa para combater a concorrência global

Apesar de obstáculos como a acentuada carga tributária, a elevada taxa de juros, a burocracia excessiva e a falta de conhecimento em gestão, pequenos negócios e microempreendedores individuais brasileiros vêm enfrentando esses desafios para inovar e ganhar competitividade no mercado global. A concorrência dos importados, por exemplo, ameaça a competitividade das empresas brasileiras, mas está sendo enfrentada com ações e produtos inovadores, cujos reflexos serão percebidos com mais evidência nos próximos anos.
Esse foi o tema central do debate na sessão plenária sobre MPEs Inovadoras: Desafios à Geração de Resultados Ainda Melhores, no 24º Seminário Nacional de Parques Tecnológicos e Incubadoras de Empresas. Moderado pelo decano de Administração da UnB (Universidade de Brasília), Luís Afonso Bermúdez, o painel contou apresentações do diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, e do gerente de processos do Senai da Bahia, Flávio de Souza Marinho.
Segundo o diretor do Sebrae, o processo de diferenciação no sentido da inovação não se dá em nível local, mas em mercados bastante competitivos. “São micros e pequenas empresas de classe mundial”, destaca Carlos Alberto, ao apontar essa condição para que os pequenos negócios brasileiros alcancem competitividade em nível global. “A economia é cada vez mais aberta e coloca as empresas em situação de crescente competitividade”, explicou.
Nesse processo, elos de cadeias produtivas de pequenas indústrias estão sendo substituídos por produtos importados. “Observa-se a destruição de elos da cadeia que dificilmente se recompõem com a rapidez necessária para reverter a concorrência internacional no mercado nacional”, disse Carlos Alberto. Ele apontou os avanços no ambiente legal de negócios nos últimos anos, como um fator de mudança para reverter esse processo em que a empresa local está em desvantagem na concorrência global.
“Para avançar é preciso desmitificar o conceito de inovação, que, na percepção dos empresários, ainda é algo desconhecido, complicado, difícil e caro, o que desestimula uma decisão favorável à diferenciação”, afirmou o diretor. Outra alternativa de acesso à inovação, indicada pelo diretor do Sebrae, é identificar possibilidades para ganhar competitividade, além de implementar soluções viáveis e compatíveis com as necessidades do segmento empresarial de pequeno porte.
O gerente do Senai na Bahia, por sua vez, observou que o Brasil é grande exportador de commodities, mas vem se tornando importador ainda maior de produtos com alto valor agregado. “Há necessidade de se investir em produtos de elevada agregação de valor para que o país seja competitivo”, disse Flávio Marinho. Conforme assinalou, não é possível enfrentar a concorrência chinesa por causa do custo de sua mão de obra. A solução, afirmou, vem sendo objeto de debate e estratégias por parte da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), liderada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Sebrae e Senai, cada um a sua maneira, desenvolvem uma série de projetos e implementam vários programas e ações -desde educação empreendedora à tecnologia aplicada a processos produtivos -que em breve vão impactar o desempenho dos pequenos negócios e a indústria nacional. Ambas as instituições atuam em todo o território nacional, cada uma com cerca de 800 pontos de atendimento. Elas promovem diversas iniciativas para fomentar e implementar inovação nas empresas e assim buscar se diferenciar e ser mais competitivas. Destacam-se os programas Agentes Locais de Inovação e Sebratec, do Sebrae, e os institutos Senai de tecnologia e de inovação, além de editais de inovação e parcerias estratégias realizados pelos dois sistemas nacionalmente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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