A educação do caratér

Em: 6 de outubro de 2014
A educação do caratér
A educação do caratér

Quando pensamos ou falamos em educação logo nos vem à mente uma instituicão de ensino bem estruturada, com professores especialistas, mestres, doutores, com competência para “educar” nossos filhos a um custo que varia conforme nosso poder aquisitivo. Creches que aceitam crianças a partir dos quatro meses de idade com colaboradores graduados em enfermagem, psicologia, pedagogia, babás bem treinadas, capacitadas para lidar com crianças com os mais diversos tipos de comportamentos. A instituição desde que tenha uma infraestrutura que nos agrade, que seja limpa e com aspecto organizado e preço bom, está apta a receber nossos filhos. Como desculpa dizemos sempre que não temos tempo para fazer o que é feito por profissionais bem mais habilitados do que nós. De uma maneira geral é assim que pensamos e nos convencemos que é a melhor maneira de educar nossas crianças. É bem verdade que assim agem todas as mães e pais modernos. Segundo Zigmunt Bauman, o novo hoje já não será novo daqui a um mês, o mercado tecnológico não para e nós não podemos parar e, a educação, esse tema tão debatido ao longo do tempo também entrou na era globalizada. Os métodos são vários, é verdade que já não se usa da violência física nas escolas, o ensino hoje é mais humanizado. Temos até mecanismos que nos permitem acompanhar o tratamento dado aos nossos filhos nas instituições de ensino. São câmeras, monitores e toda uma parafernália tecnológica que nos deixa com o sentimento de dever cumprido. Com toda essa infraestrutura podemos trabalhar e pagar o que classificamos de educação para nossos filhos. No entanto, para educação do caráter, antes de pensar em como educar, temos que deixar claro que tipo de resultado desejamos obter.
No livro de Bertrand Russell, “Sobre Educação” (Editora Unesp), encontramos muitas respostas aos nossos questionamentos. Bertrand Russell chama a nossa atenção para um detalhe muito importante na educação das crianças, que é a educação do caratér, a formação da personalidade dessa criança, que inicia nos primeiros meses de vida. O mais interessante é que a primeira edição do referido livro aconteceu em 1926 e as questões nele discutidas são atualissímas, inclusive, a questão do castigo físico, hoje a tão discutida Lei da Palmada, que o escritor, nascido em 1872, era totalmente contra e afirmava: “creio que os castigos têm um papel muito pequeno na educação; e duvido que precisem ser severos. Entre os castigos, incluo a fala dura e reprovadora. O castigo mais severo que poderá se fazer necessário é a expressão espontânea e natural de indignação”. A educação do caráter, em Bertrand Russel, consiste em produzir a felicidade e a coragem para liberar o afeto. Se você disser a uma criança que ela precisa ser afetuosa, correrá o risco de criar hipócritas e farsantes. Mas, se você cercá-la de bondade e a fizer livre e feliz, verá que ela se tornará espontaneamente amigável com todo mundo e que quase todo mundo será amigável com ela. Uma disposição afetuosa sincera se justifica porque traz em si um encanto irresistível e cria a reação esperada. Esse é um dos resultados mais importantes que podemos esperar de uma correta educação do caráter.
“Sobre Educação” é um livro envolvente, instrutivo e recomendado a todos os pais que desejam preparar seus filhos para a Escola Nova. Nele o escritor fala do medo das crianças, brincadeiras e fantasias, construtividade, egoísmo e propriedade, verdade, castigos, a importância das outras crianças, afeto e empatia, educação sexual e, por fim a Escola Maternal.
“Sobre Educação” é um verdadeiro presente para aqueles que pensam a formação da criança para um futuro melhor da humanidade, eu, mais que recomendo. Leiam!

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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