O escritor Monteiro Lobato dizia que “Um país se faz com homens e livros” e em Manaus, distante dos grandes centros e sofrendo com as dificuldades que estas distâncias impõem, boas escolas poderiam facilmente ser acrescidas ao antigo ditado. O crescimento de Manaus próximo à virada do século 19, apoiada pela riqueza da borracha, foi de fundamental importância para a implantação de escolas, principalmente voltadas ao ensino técnico. Manaus e o Amazonas ainda são lembrados pela criação da primeira universidade do Brasil. Iniciada em 1909, a Escola Universitária Livre de Manaós, passou a chamar-se Universidade de Manaós em 1912, que após dissolvida em três unidades, originou a Faculdade de Direito, um estágio embrionário do que seria a atual Ufam (Universidade Federal do Amazonas), instituição que comemorou seu primeiro século em 2014.
Tradição
Uma das mais tradicionais instituições de ensino de Manaus, o IEA (Instituto de Educação do Amazonas), fundado em 1880, passou dos 130 anos de atividades formando cidadãos e atravessando vários períodos históricos e econômicos, do fausto ao fastio da borracha, do porto de lenha a implantação da ZFM. Do ensino mais tradicional, caracterizado pelas saias e gravatinhas das normalistas que formavam o magistério amazonense à era da informática, hoje o IEA atende alunos na modalidade de educação de tempo integral para alunos dos níveis fundamental e médio.
Ao lado do IEA, num perímetro que ainda abriga as escolas Antenor Sarmento e Princesa Isabel, além do instituo Frei Sílvio Vagheggi e Academia Amazonense de Letras, está o Instituto Benjamim Constant. O instituto entre os anos de 1890 e 1910 foi de exclusividade para meninas orfãs, as internas permaneciam no orfanato até os 21 anos de idade, recebendo uma educação com base na cultura religiosa. O Benjamim funcionou como Colégio Estadual dos ensinos fundamental e médio, e hoje abriga uma unidade do Cetam (Centro de Educação Tecnológica do Amazonas).
Um pouco afastado do centro, está mais uma tradicional escola manauara, o Sólon de Lucena. Fundada em 1909, tinha a formação inicialmente voltada para a área comercial e contábil. Logo a escola começou a diversificar sua habilitação instrumental, chegando a formar alunos na área de secretariado e administração. Um de seus mestres foi o empresário Samuel Benchimol, que ali lecionou Economia e Política. A escola é uma daquelas que ganham a fidelidade dos alunos pela sua experiência em formar profissionais de contabilidade. É o caso da ex-aluna e analista contábil, Aucineide Garcia Kellner. Atualmente fora do Brasil, a analista criou uma fan page do antigo colégio em uma rede social. “O que me levou a criar a página foi que eu estudei sete anos nessa escola, que fez parte de uma fase importantíssima na minha vida e foi muito importante na minha formação profissional. Lá encontrei meus melhores amigos e professores e ainda tenho contato com 90% deles”, conta Aucineide que é a mais nova de 12 irmãos, todos formados pelo Sólon.
Formador de políticos
Fundado em 1921 pelos padres salesianos e pelo então Bispo dom Irineu Joffily, o Colégio Dom Bosco, teve em seus corredores e salas de aula importantes nomes da política amazonense. Nos arquivos podem ser encontrados nomes como Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Serafim Corrêa, além dos ex-senadores Gilberto Mestrinho e Jeferson Péres, ambos já falecidos. Em 1925 iniciam as atividades de internato para jovens do interior e em 1940, os cursos Científico e de Técnicos em Contabilidade tornam-se os principais atrativos da instituição.
Estudante do Dom Bosco entre as décadas de 1950 e 1960, o ex-prefeito e deputado estadual eleito Serafim Corrêa, é grato ao colégio por sua formação. “O Colégio Dom Bosco há anos contribui para a formação dos jovens de Manaus. Sou muito grato aos salesianos que nos formaram, não apenas no conhecimento, mas principalmente para a vida. E foi, também, lá que os meus filhos estudaram. Uma escola de vida para todos nós”, ressalta Corrêa.
Compromisso
Escola fundada em Manaus, no ano de 1954 pelos professores Orígenes e Berenice Martins, o colégio Christus (origem do tradicional CIEC) foi fruto de uma decisão tomada em 1953, em Fortaleza por um grupo de cristãos: Criar escolas com o compromisso de transformá-las em instrumentos de melhoria da sociedade, ajudando na formação de gerações comprometidas com a justiça social e com a solidariedade cristã. O Christus contou desde a sua fundação com grandes educadores. Funcionando em um prédio pertencente a Arquidiocese de Manaus, situado na avenida Joaquim Nabuco, o Instituto Christus do Amazonas, teve em seu quadro de professores o cronista, antropólogo e jornalista, José Ribamar Bessa Freire e o padre, poeta, ensaísta e escritor Luiz Ruas.






