Empresas já veem risco aumentar

Em: 21 de abril de 2015
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Até 30% das empresas ‘brasileiras’ avaliadas pela Fitch podem ter as notas rebaixadas

A agência internacional de classificação de risco de crédito Fitch Ratings registra perspectiva negativa em 30% dos mais de 500 ratings (notas) corporativos acompanhados no Brasil. Ou seja, essas companhias podem ser rebaixadas e pagarão juros mais altos.
“2015 será um ano duro para a maioria das empresas brasileiras. Talvez alguns achem que estamos pessimistas, mas vamos esperar os balanços do primeiro trimestre e depois os balanços do segundo trimestre para confirmar isso”, apontou o Head (diretor responsável) da área de finanças corporativas da agência Fitch Ratings no Brasil, Ricardo Carvalho.
O diretor apontou que o Brasil poderá registrar em 2015 um recorde de rebaixamentos de notas corporativas dos últimos 10 anos. Em 12 meses de 2014, a Fitch registrou 25 dowgrades (rebaixamentos), mas desde o início de janeiro até 15 de abril último, a agência já aplicou outros 25 dowgrades.
“Os efeitos da Operação Lava Jato nos setores (petróleo e infraestrutura) vão chegar nas estatísticas. O ambiente de crédito está mais difícil, o crédito está mais seletivo, mais caro e de prazo mais curto. Esses fatores vão chegar nos balanços”, afirma.
Na mesma linha, o vice-presidente de finanças e relações com investidores da Cosan, Marcelo Martins, disse ontem aos participantes do Fórum Corporates que o escândalo da Operação Lava Jato impacta não apenas a imagem do país, mas também indiretamente aumenta o risco país, indicador que é usado como spread (prêmio) para operações de financiamento das companhias.
“O que é positivo para o médio e o longo prazo é que se abre espaço para que grupos internacionais (empreiteiras) possam entrar no fechado mercado brasileiro”, disse Marcelo Martins aos participantes do fórum em São Paulo.
Mas na visão de Carvalho não faltam motivos para descrever a difícil realidade das empresas brasileiras. “Inflação caminhando para dois dígitos, pressão de custos, elevação do câmbio, redução da capacidade de endividamento das famílias e desemprego em alta”, diz o diretor-responsável da Fitch.
Por outro ângulo, o diretor sênior de energia da Fitch, Mauro Storino, apontou que o “fantasma do racionamento” não assusta mais em 2015. “O volume de chuvas até o momento está acima da média histórica, essa é a notícia boa, mas os reservatórios ainda estão mais baixos que 2014, as notícias ruins para o setor de energia são o crescimento ruim, a queda do consumo industrial e o aumento dos preços de energia, e todo mundo vai entrar em 2016 com vela para São Pedro para chover”.
Storino explicou que o problema maior está nas empresas geradoras, que seguem acumulando prejuízos bilionários. “As geradoras tem que comprar energia no mercado spot (à vista) para entregar aos clientes”, disse o diretor referindo-se aos custos que podem alcançar R$ 30 bilhões.
Mas ao mesmo tempo, Storino diz que o segmento de transmissão segue com classificação de risco muito boa: “é renda fixa”. Sobre as empresas eólicas e térmicas, disse que essas companhias nunca imaginaram que seriam “tão despachadas”, em outras palavras, que teriam receitas com produção adicional de energia.
No caso das distribuidoras, o diretor sênior exibiu preocupações com um possível crescimento da inadimplência dos consumidores e também com o aumento dos casos de furtos de energia (gatos na rede).
Outro setor de preocupação da agência é o de açúcar e etanol, que enfrentou dois “defaults” (calotes) anteriores, da Arauco e da Virgolino de Oliveira. “Esses setores [açúcar e etanol] vão continuar pressionados. No caso do etanol houve mudanças positivas, aumento do anidro na gasolina, de 25% para 27%, volta da Cide e da Cofins na gasolina, mas o aumento das receitas não é nada suficiente para aliviar as pressões financeiras”, diz o analista sênior, Cláudio Miori.

Expectativa negativa

Na lista de perspectivas ou observações negativas da Fitch estão empresas como: Biosev, BR Properties, Brookfield, Camargo Corrêa, Cemig, Sabesp, CSN, Andrade Gutierrez, Construtora Odebrecht, Odebrecht Ambiental, Queiroz Galvão, Cyrela, General Shopping, Itaipu, Jales Machado, João Fortes Engenharia, JSL, Petrobras, Rossi Residencial, USJ Açúcar e Álcool e Unimed-Rio.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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