Pimentas? Por que uma frutinha tão pequena é capaz de causar tanta ardência em nossa boca, e mais, por que tantas pessoas gostam de sentir essa sensação?
Assim como as pequenas abelhas possuem um perigoso veneno em seus ferrões, as pimentas têm a substância capsaicina que, em contato com os neurônios sensoriais nociceptores polimodais, espalhados em todo o nosso corpo e, lógico, na boca, têm o poder de causar ardência. Tais neurônios são os mesmos que são ativados quando sentimos calor extremo. A capsaicina possui a capacidade de provocar essa “queimação”, que o cérebro entende como dor.
Quanto à segunda pergunta, até hoje não se sabe o porque de tanta gente gostar de “sofrer” com a ardência das pimentas. Acredita-se que seja como andar numa montanha-russa: a sensação é desagradável e assustadora, mas muita gente quer ir. E não adianta você querer passar a gostar de pimentas. Estudos indicam que a tolerância à picância não diminui pelo uso constante, ou seja, quem gosta, gosta; e quem não gosta, não vai gostar pelo resto da vida de sentir a boca queimando ao mastigar uma malagueta, por exemplo.
O pesquisador Adeilson Lopes da Silva, do ISA (Instituto Socio Ambiental), trabalha como assessor no projeto de apoio à produção e comercialização da jiquitaia baniwa, uma mistura de várias pimentas produzidas pelos indígenas do alto rio Negro. No mundo, existem cinco espécies de pimentas cultivadas. Quatro delas cultivadas na Amazônia. “E neste aspecto a Amazônia se destaca como centro de diversidade e domesticação da espécie Capsicum chinense. Essa é a espécie que seguramente possui o maior número de variedades entre as cinco existentes. Para se ter uma ideia, nosso apanhado, realizado em roças de 40 comunidades indígenas da bacia do rio Içana, permitiu gerar uma listagem com 78 variedades de pimentas cultivadas por aqueles povos”, disse.
Pimentas; Picantes, ardentes e queimosas
Em: 17 de dezembro de 2015
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Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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