Jovens e industriais estão entre os mais afetados

Em: 6 de janeiro de 2016
“Reestruturação do mercado” causa migração: trabalhadores com mais experiência substituem novatos
"Reestruturação do mercado" causa migração: trabalhadores com mais experiência substituem novatos

O número de brasileiros com idade entre 18 e 24 anos que trabalham recuou 5% no ano passado. A perda para a faixa etária supera a queda do emprego em outros grupos bastante afetados pela crise, como o de trabalhadores da indústria, que chegou a 3,9%.
As informações são da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). A comparação entre o terceiro trimestre de 2014 e igual período de 2015 mostra uma “reestruturação do mercado de trabalho”, aponta Cilmar Azeredo, coordenador da PNAD.
“No confronto por faixa etária, por exemplo, acontece uma troca de trabalhadores mais jovens por trabalhadores mais velhos”, afirma Azeredo. O especialista explica que a dispensa de brasileiros com idade entre 18 e 24 anos ocorre porque “são mais baratos os processos indenizatórios” para quem tem menos tempo de trabalho.
A “questão da falta de experiência dos jovens” também pesa para parte dos empregadores do País, que preferem contratar profissionais com maior vivência no mercado, analisa Azeredo.
Em trajetória oposta à vivida pela faixa etária de 18 a 24 anos, o número de brasileiros com 40 a 59 anos que trabalham subiu 3,1%, também na comparação entre o terceiro trimestre de 2014 e igual período do ano passado.
E a lógica da reestruturação do mercado de trabalho também aparece na separação por grupamentos de atividade. “Enquanto a indústria perdeu mais de meio milhão de trabalhadores e a construção perdeu cerca de trezentos mil, houve aumento do número de empregados em serviços e comércio”, comenta Azeredo. Além da baixa na ocupação do setor industrial (-3,9%), houve queda (-3,9%) para construção e altas para serviços (0,4%) e comércio (2%).
Outra mudança causada pela crise foi o aumento do número de trabalhadores domésticos, que apresentou queda em anos anteriores. Segundo Azeredo, “as mulheres, que compõem 95% da população dos trabalhadores domésticos, não estão encontrando opções em outros nichos de atividade e acabam voltando para o setor”. Também é efeito da reestruturação a mudança do mercado formal para o informal. “Ocorreu uma queda na quantidade de pessoas que trabalham com carteira de trabalho assinada [-3,4%]. Mas essas pessoas passaram a trabalhar por conta própria [3,5%] ou se tornaram empregadores [7,9%], donos de pequenos negócios”, diz Azeredo.
Com a migração do emprego entre diferentes grupos, o número total de brasileiros ocupados não apresentou perda acentuada. A leve queda, de 92,269 milhões para 92,090 milhões (-0,2%), foi considerada “estatisticamente irrelevante” pelo especialista do IBGE.
Entretanto, o outro levantamento feito pelo instituto, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), apresenta redução maior do número de brasileiros com emprego: de 23,224 milhões em dezembro de 2014 para 22,525 milhões em novembro do ano passado (-3%).
Realizada nas sete maiores regiões metropolitanas do País, a PME mostra maior recuo na quantidade de trabalhadores em Salvador (-6,3%) pela comparação por 12 meses encerrados em novembro de 2015. Também houve baixas em Recife (-3%), São Paulo (-3,2%), Belo Horizonte (-4,5%) e Porto Alegre (-5,3%). A única alta registrada aconteceu no Rio de Janeiro (0,1%), onde serão realizadas as Olimpíadas, “o que pode estar evitando a queda da ocupação”, comenta Azeredo.

Renda
A variação real nos ganhos dos brasileiros foi praticamente nula. No confronto entre o terceiro trimestre de 2014 e igual período do ano passado, houve diminuição de R$ 1.837 para R$ 1.834 (-0,2%).
Para trabalhadores do setor industrial e brasileiros jovens (18 a 24 anos), bastante afetados pela queda do emprego, as quedas nos rendimentos mensais foram de 0,9% e 2,6%, respectivamente.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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