Cresce a utilização de gás no AM

Em: 17 de maio de 2016

O consumo de gás natural por indústrias, comércios e postos de Manaus aumentou 10% no mês de março em comparação com mesmo mês em 2015 segundo a Cigás (Companhia de Gás do Amazonas). Quando comparado a fevereiro deste ano, o crescimento é 3,2%. Para o GNV (Gás Natural Veicular), o aumento foi de 16% no mês passado em comparação com o mesmo período em 2015.
De acordo com a Cigás em abril, o consumo médio nos postos foi de 14.435 m³/dia, o que representou 16% do total distribuído pela companhia ao segmento não-térmico. Estima-se que aproximadamente 30% dos taxistas da cidade utilizam o GNV, além de motoristas comuns. Aproximadamente 2.200 veículos já foram convertidos no Amazonas.
Mesmo com os números apontando o aumento no consumo do GNV na capital, houve queda na procura por conversão dos veículos no primeiro quadrimestre de 2016, segundo o proprietário da oficina Auto Peças Aca, Aderval Pereira da Silva. “A média de conversão ano passado era de quatro veículos por mês. Mas nesse ano, até agora só foram feitos seis serviços”, afirmou. O aumento do preço do gás natural e taxas do Detran-AM (Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas) são fatores apontados pelo proprietário, como possíveis responsáveis pela queda.
“Para o motorista que abastece com GNV, a economia em média é de 30%. No entanto, os valores entre os combustíveis estão muito similares que não vale a economia. Além disso, as taxas de atualização do documento no Detran subiram muito e isso pesa no bolso”, argumentou Aderval. Atualmente, um litro de gasolina comum custa, pelo menos, R$ 3,49 em Manaus, já o custo de um metro cúbico de GNV é R$ 2,85, conforme a Cigás e postos consultados.
Luiz Augusto Lins, presidente do Sintax (Sindicato dos Condutores Autônomos e Taxistas de Manaus) também reclama dos preços do combustível, que estaria praticamente igual ao preço da gasolina. Ele também informa que os taxistas deixaram de fazer a adaptação devido ao alto valor do Kit no veículo. “Mesmo com o governo do Estado abrindo linha de crédito, o custo ainda é considerado caro”, pontuou.
Conforme oficinas consultadas, o motorista que quiser equipar o veículo para ser abastecido com o gás natural pode pagar até R$ 5,5 mil pela conversão em Manaus. Segundo informações da Companhia, o investimento para adaptação do kit no veículo é, em média, de R$ 4,5 mil, valor recuperado em médio prazo com a economia do combustível. A conversão pode ser feita em qualquer veículo.
O taxista André Nelson de 37 anos, fez a conversão de seu veículo há um ano e diz que no início sentia a diferença no bolso. “Eu gastava R$ 100 por dia com gasolina e com o gás o custo era de R$ 50 por dia. Mudei por conta da economia que era de 50%, mas caiu para no máximo 30%”, destacou. André ainda reclama, da fraca distribuição do GNV nos postos da cidade.
Segundo ele, os motoristas que utilizam o gás natural em seus veículos têm que se dividir entre seis postos de gás espalhados pela capital amazonense.
“Além do aumento no valor do gás natural, não temos postos suficientes que ofereçam o combustível. Seria necessário ter postos em todas as zonas da cidade e funcionado adequadamente”, enfatizou Nelson.
De acordo com a Cigás, atualmente, seis postos oferecem o GNV em Manaus, sendo que o Posto San Remo, na Bola da Suframa, ainda não finalizou os ajustes necessários para conexão com a rede de distribuição de gás natural, já pronta para fornecer o combustível no local. Conforme a empresa, o número de postos disponíveis em Manaus é suficiente para o atendimento da atual demanda e o surgimento de novos postos tem relação direta com quantidade comercializada do combustível.
Para que a opção do GNV seja interessante a novos postos, o volume médio comercializado por posto deve ser superior a 3.000 m. ³. Segundo a Companhia, o volume médio consumido por posto em Manaus é de 2.303 m³, o que torna desfavorável, ainda, o início da distribuição em novos locais.
Demais postos que abastecem veículos com GNV são BR Vitória Régia, Chapada; Posto Equador Cidade, Colônia Terra Nova; Posto Atem, São Geraldo; e Posto BR Ponta Negra, na Ponta Negra.
A Cigás informa que já há consumo de gás natural nos municípios de Codajás, Caapiranga, Anamã e Anori, contudo, até o momento, o gás é utilizado apenas para geração termoelétrica.

Vantagens do GNV

Entre elas, destaca-se a economia, atualmente de 20% em relação à gasolina, conforme a Cigás. Isso sem contar o rendimento do combustível, uma vez que com o GNV, o motorista trafega 11 quilômetros por metro cúbico, enquanto o litro da gasolina corresponde, em média, a 10 quilômetros rodados. Ou seja, além do preço mais competitivo, o gás natural possui maior rendimento.
Outra vantagem do GNV é em relação a segurança, pois o gás natural é inserido em cilindros inspecionados e aprovados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O gás natural não é tóxico e em caso de vazamento ele sobe para as camadas mais altas da atmosfera, portanto, não acumula no ambiente.
E o GNV também é o mais indicado quando o assunto é meio ambiente. Isso porque a queima limpa do gás natural emite quantidade mínima de poluentes, processo que ainda colabora com a vida útil do motor do carro. Isso porque o combustível não produz depósitos de carbono em sua combustão, além de eliminar as possibilidades de contaminação ou adulteração do veículo.
Cinco oficinas são credenciadas pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) para realizar o serviço na capital amazonense. Após ir até uma das oficinas, o motorista deve levar o veículo convertido ao Detran-AM para vistoria, pagando taxas e alteração do documento orienta o proprietário Aderval. Segundo ele, o processo é necessário para o laudo de inspeção veicular do automóvel adaptado e Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV).

Avaliação

Na avaliação da Cigás, o resultado da Campanha ‘GNV, Fazendo Mais por Você’ é positivo e tem impacto direto no aumento do mercado na região. Desde o início da Campanha, em 6 de abril de 2015, mais de 440 motoristas converteram seus veículos, sendo que mais de 300 regularizaram as documentações e retiraram o bônus de R$ 1 mil na Cigás.
A Cigás entende que o momento foi de incentivo aos motoristas para impulsionar o mercado do gás natural veicular. Quanto mais veículos convertidos, maior a demanda por GNV, o que naturalmente ocasionará novos negócios para o segmento, com a opção do gás em novos postos. A Campanha foi até o dia 6 de abril deste ano.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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