Em seu mais recente documentário, o sexto de sua trajetória, o jornalista e historiador Abrahim Baze destaca a vida de Samuel Isaac Benchimol, intelectual e empresário amazonense que, ao longo de seus 78 anos de vida escreveu mais de 150 livros, todos sobre a Amazônia, região pela qual era apaixonado.
No documentário “Samuel Benchimol, um pouco antes e além depois”, Baze mostra desde a penúria dos pais de Samuel num seringal, um casal pobre, honesto e trabalhador que passou estes princípios para os filhos, não por acaso fundadores da Benchimol Irmão & Cia. Ltda., empresa que há décadas se perpetua no Amazonas como símbolo de um negócio que sempre deu certo, desde a primeira loja montada na própria residência da família, hoje diversificada com as lojas de departamento Bemol, a distribuição de gás de cozinha (Fogás), a internet shopping center (eCenter) e a exportação de produtos naturais da Amazônia.
Na entrevista a seguir, ao Jornal do Commercio, Baze fala sobre como foi mostrar a vida de Samuel e que importância ele teve para região. Confira a entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Commercio.
Jornal do Commercio: Qual a importância de Samuel Benchimol para a Amazônia?
Abrahim Baze: Samuel Isaac Benchimol representou uma topografia sentimental e de amor à Amazônia. Desde a sua adolescência, escreveu mais de 150 obras, contribuindo com a economia, sociologia, história e principalmente, tornou-se um defensor do homem da Amazônia.
JC: Como surgiu a ideia de fazer o documentário “Samuel Benchimol, um pouco antes e além depois”?
AB: A convite da família escrevi a biografia de Samuel Benchimol, cujo título é “Samuel Isaac Benchimol – ensaio biográfico de um educador e empresário”. O caminho para o engrandecimento espiritual e intelectual do homem Samuel Benchimol ocorreu por ele ter elencado marcos de conquistas que haveria de buscar. A história de vida do professor Samuel é uma lição e um exemplo de superação. Sua trajetória é mais que uma evidência, é uma prova de força transformadora da educação e das virtudes do trabalho.
JC: A história de Samuel Benchimol é bem rica. O que lhe chamou mais a atenção na história dele?
AB: O homem morre duas vezes: primeiro quando cessa a energia de sua matéria; segundo quando seu nome é esquecido pelos que ficam. O que mais me chamou a atenção na trajetória dele foi o fato de associar o trabalho de professor e empresário. Foi um homem visionário nascido de família pobre e que construiu todo seu patrimônio com trabalho e honradez, cujo exemplo de honestidade herdou principalmente de seu pai, Isaac Israel Benchimol e de sua mãe, Nina Siqueira Benchimol. As agruras da vida de uma família pobre e o sucesso intelectual e empresarial do professor também me chamaram a atenção.
JC: Que outros nomes de ilustres amazônidas você compararia ao nome de Samuel?
AB: A Amazônia tornou-se órfã com a morte do emérito professor. Neste momento não consigo vislumbrar um nome do tamanho que se aproxime do nome de Samuel Benchimol.
JC: Samuel estudou, pesquisou e fez muitas indicações de como a Amazônia deveria ser gerida. Algum governante tem seguido o que ele falou?
AB: Foram muitos aqueles que beberam na fonte da prudência e da sabedoria de Samuel Benchimol. Talvez se os governos tivessem colocado em prática os ensinamentos dele, a Amazônia e o Brasil, estivessem melhores. Suas pesquisas resultaram na sua afirmação de que ele era sim um dos mais destacados estudiosos da Amazônia e um profundo conhecedor do processo de desenvolvimento regional. Uma das marcas de sua atividade reflexiva foi a abertura, para o novo momento de mudança no contexto regional, da Amazônia para o Brasil e para o mundo.
JC: A Amazônia de hoje seria outra, diferente da Amazônia do tempo dele?
AB: A Amazônia tem sido projetada nos gabinetes, especialmente de Brasília. Eu defendo que nossas lideranças empresariais, que pagam impostos e promovem empregos, devam ser ouvidas. Que os nossos intelectuais, que se debruçam sobre a Amazônia, e destaco aqui a professora Marilene Corrêa, devem ser ouvidos não só nos foros acadêmicos, mas principalmente no âmbito político com a liberdade de pensarmos a Amazônia com quem vive a Amazônia, com quem mora na Amazônia.
JC: Fale de seus próximos documentários?
AB: Além de “Samuel Benchimol, um pouco antes e além depois”, produzimos também “Ilko Minev, a fuga de um fugitivo de guerra para a Amazônia”, “História da Rede Amazônica”, “O petróleo e o gás na Amazônia”. Acabo de lançar em Granada, na Espanha, o livro “La Amazonía em las curvas del tempo”, com artigos publicados no Portal Amazônia. Esta obra já foi lançada em 2011, em Manaus, publicada pela Academia Amazonense de Letras. Outros documentários estão na pauta, mas ainda são só projetos.







