Os homens mais felizes do mundo

Em: 15 de agosto de 2016
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Há poucas décadas era difícil um pai fazer carinho num filho. Carregar, dar banho, mudar as fraldas, então, era simplesmente impensável. Mas as coisas mudam e o que não era possível, por diversas circunstâncias, passa a ser. O mundo corrido dos últimos tempos onde a mulher, priorizou (ou precisou) trabalhar, bem como as separações de casais cada vez mais comuns, fizeram com que o seu lado mãe, de 100% atenção aos filhos, fosse ficando meio de lado, tornaram possível o surgimento da figura do ‘pãe’, aquele homem capaz de conjugar o seu lado profissional com a figura do pai, acrescida da condição de mãe. E o que dizer do padrasto, aquele que toma para si o carinho pelos filhos dos outros?
O jornalista Agnaldo Oliveira é, declaradamente um apaixonado pelos dois filhos, Luis Guilherme, 16, e Pedro Luis, 4. “Eles são a razão da minha vida. Todas as minhas atitudes e decisões são baseadas no bem-estar deles”, falou.
Separado das mães dos dois garotos, desde 2000, Agnaldo, além de pai provedor, assumiu também o lado maternal. “Faço o café da manhã, a comida, lavo as louças e ainda acompanho as tarefas da escola deles”, disse.
Agnaldo tem a guarda compartilhada de Guilherme e Pedro. “Essa condição me permite cuidar deles com mais atenção, mas tem um, porém: as idades diferentes deles. O Guilherme já é quase um homem enquanto o Pedro ainda é quase um bebê, mas desde sempre incuti neles a confiança e o respeito que devemos ter uns pelos outros”, explicou.
Para Agnaldo, o Dia dos Pais é a melhor data comemorativa do ano. “É uma época em que fico muito emocionado com as homenagens. Enquanto para muitos é obrigação cuidar dos filhos, para mim é um sentimento muito nobre, de grande prazer. Os meus dias com Guilherme e Pedro são mais leves e felizes”.

Crônicas de um pai solteiro

O empresário Daniel Soares é pai de duas filhas, Beatriz, 19, e Thais, 18, e há dez anos cuida praticamente sozinho das garotas. “Separei da minha esposa, mas, como é comum, as meninas ainda pequenas ficaram com ela. Sempre mantive uma relação muito boa com minha ex-esposa e um dia, as meninas já estavam com 9 e 8 anos, ela estava passando por problemas e sem condições de criá-las, então propus ficar com as duas até a situação dela melhorar. Melhorou, mas as meninas continuaram comigo até hoje, menos a Thais que está fazendo faculdade em Belo Horizonte”, recordou.
“Sinceramente que não teria condições de cuidar delas ainda bebês, mas mesmo com 9 e 8 anos tive que mudar radicalmente minha vida. Morava sozinho e quando se mora sozinho, uma cama basta, então tive que ajeitar um quarto para elas, comprar móveis novos, contratar uma empregada, mas tudo valeu a pena”.
O interessante de Daniel é que ele resolveu fazer o blog “Crônicas de um Pai Solteiro”, onde passou a escrever todas as histórias engraçadas que aconteciam junto com Beatriz e Thais no dia a dia. “Eram coisas hilárias, tipo no dia em que eu precisei fazer um rabo de cavalo no cabelo delas, então eu pensei que essas experiências eram muito legais para ficar apenas entre nós”, explicou.
“O blog não é um guia ou um manual para pais solteiros, mas através das histórias, quem sabe outros pais não aprendem a lidar com certas situações do dia a dia com os filhos pequenos”. Uma dessas histórias é de quando Daniel ficou desempregado. “Uma depressão se instalou com o medo de não conseguir mantê-las. Elas foram muito importantes nessa fase. Me deram força”, lembrou.
Depois de algum tempo parado, Daniel voltará a ativar o blog, em novo formato, exatamente no domingo (14), Dia dos Pais. “Serão dois vídeos por mês, sempre com alguma situação enfrentada pela família e dez anos de muito boas histórias”, adiantou.

Satisfação em ser chamado de pai

Quando o designer gráfico Luiz Alves conheceu Elizabeth ela era uma jovem viúva com quatro filhas de 9, 7, 6 e 4 anos, Conceição, Kelly, Cláudia e Goreth. “No começo minha família foi contra nosso relacionamento. Não aceitavam eu, ainda tão jovem, casar com uma mulher que já tinha quatro filhas na bagagem, mas isso não impediu que nossa união se concretizasse. Como nos conhecemos no trabalho, passamos a conviver diariamente, antes de finalmente irmos morar juntos”, relembrou.
E assim como aconteceu com Elizabeth, tão logo Luiz conheceu as quatro enteadas, foi amor à primeira vista. “Fiquei encantado e elas empolgadas em ter um pai, pois a mãe já havia explicado que o namorado, no caso, eu, e futuro marido, poderia cobrir a falta da figura paterna e se elas aceitavam esta situação. Para quatro crianças que só respondiam aos amigos e à escola que não tinham pai, aquele novo momento foi uma grande novidade em suas vidas.
No começo ficaram meio que desconfiadas em chamar um estranho de pai, nada que o meu amor e carinho por elas logo não fizesse acabar”, riu.
Quando Luiz e Elizabeth resolveram casar as três mais novas ficaram eufóricas, “mas a mais velha ainda não aceitava. A tentativa de aproximação com ela foi minha grande batalha familiar. As menores me chamavam de pai, mas ela não”.
Foi preciso um ano de paciência até que num dia, durante o café da manhã, a menina se aproximou de Luiz e disse: “- Pai, me passe a manteiga, por favor”.
“Foi uma alegria geral. Todos corremos para abraçá-la, aí surgiu uma nova batalha em casa agora com a disputa ciumenta entre elas pela minha atenção”.
Hoje, 40 anos depois, Luiz e Elizabeth têm 6 filhos, sendo quatro filhas “enteadas” e dois filhos biológicos, Francy e Jonathan, 16 netos, e 6 bisnetos espalhados por São Paulo, Goiás, Fortaleza e Manaus. “Ser querido pelas minhas cinco mulheres me tornou o homem, o padrasto e o pai mais feliz do mundo”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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