Prêmio Netflix: visibilidade a produções independentes

Em: 21 de setembro de 2016
https://www.jcam.com.br/2109_C1.png

A Netflix lançou a segunda edição do Prêmio Netflix. Criado em 2013, onde sua intenção é de dar visibilidade a produções independentes e levar filmes brasileiros a uma audiência global.
Dentre os dez concorrentes, serão selecionados dois filmes (um por voto popular e outro por escolha do júri) que serão licenciados mundialmente pela Netflix. O painel de júris é formado por nomes do cenário cultural brasileiro, como atores, diretores e influenciadores.
Em 2013, o vencedor foi “Apenas o Fim”, longa de Matheus de Souza com Gregório Duvivier. Os vencedores do Prêmio Netflix 2016 serão anunciados no dia 5 de outubro. Até 3 de outubro você pode votar pelo site: www.premionetflixbr.com.
Os trailers dos filmes participantes estão disponíveis no YouTube. Entre os concorrentes está o filme “Califórnia” (2015), de Marina Person. O ano é 1984, e a personagem Estela (Clara Gallo) vive uma conturbada passagem pela adolescência. Entre as complexidades do sexo, dos amores e das amizades, a garota recebe a visita de seu tio Carlos (Caio Blat), que estava na Califórnia. Mas tudo desaba quando ela o vê magro, fraco e doente. Entre crises e descobertas, Estela irá encarar uma realidade que mudará, de vez, sua forma de ver o mundo.
“Levante!” (2015), de Susanna Lira e Barney Lankester-Owen é uma obra filmada de forma colaborativa em cinco países, o documentário mostra diferentes histórias de grupos locais que utilizam a tecnologia para expressar as condições dos seus países para o mundo. Produzido com celulares, drones e tablets, cada registro é um mergulho íntimo na realidade de cada um desses lugares. Uma tradução de como a tecnologia é uma ferramenta poderosíssima para transformar o mundo.
Elza Soares chega, cara a cara, ultrapassa tempo, espaço, perdas e sucessos, em “My Name Is Now” (2014), de Elisabete Martins Campos. Em um rito fílmico, nua e crua, ao mesmo tempo frágil e forte, real e sobrenatural, ela incorpora a ancestralidade brasileira, transcende em música e canta gloriosamente em My Name Is Now.
Em “Ventos de Agosto” (2014), de Gabriel Mascaro , Shirley (Dandara de Morais) deixa a cidade grande para cuidar da avó e trabalhar numa fazenda de cocos no litoral. Lá, ela conhece Jeison (Geová Manoel dos Santos) e começam um caso de amor. Até que um dia, em agosto, um estranho pesquisador aparece no local para registrar o som dos ventos alísios. É tempo de tempestades e altas marés, e Shirley e Jeison entrarão numa jornada sobre perda e memória, vida e morte, vento e mar.
Em 1993, o Rio de Janeiro presenciou um dos maiores cenários de violência na Chacina de Vigário Geral. O documentário “À Queima Roupa” (2014), de Theresa Jessouroun investiga a violência e a corrupção policial praticadas na cidade nos últimos 20 anos. Entrevistas marcantes com vítimas e familiares apresentam uma dura e brutal realidade, representadas por imagens de arquivo e cenas reconstruídas pela equipe de filmagem.
Vivendo profundos dilemas na vida pessoal e na tentativa de reconstruir outras vidas, Marli Silva inicia uma trajetória pelos presídios de Recife, em “Porque Temos Esperança” (2014), de Susanna Lira na intenção que pais reconheçam seus filhos. Porque Temos Esperança mostra a jornada de uma mulher pernambucana e sua eterna esperança para transformar o mundo.
“Obra” (2014), de Gregório Graziosi se passa na populosa cidade de São Paulo, onde um jovem arquiteto, João Carlos (Irandhir Santos), envolvido na construção de seu primeiro grande projeto testemunha a descoberta de um cemitério clandestino no terreno que pertence a seus ancestrais. Questionando seu passado e origens, ele entra em conflito com sua consciência, herança familiar e com a memória da cidade que retorna à superfície.
Com a mãe doente, Marlombrando (Breno Nina) volta a Brasília e, depois de muitos anos, reencontra seu pai, Almeida (Othon Bastos) no filme “O Último Cine Drive-In” (2015), de Iberê Carvalho. Dono do último drive-in do Brasil, Almeida luta para manter vivo o cinema que é ameaçado de demolição.
Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores, em “A História da Eternidade” (2014), de Camilo Cavalcante. Personagens de um mundo romanesco, na qual suas concepções de vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos, do outro por um destino cego e fatalista.
Ainda na lista da disputa está “Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois” (2015), de Petrus Cariry.
A árida pedreira e a floresta que ainda pulsa. Um pai muito doente revê a filha. Ressentimentos são postos à mesa. A memória dos mortos, despertada por sangue, objetos, sombras e sonhos, afeta Clarisse (Sabrina Greve) nesse cenário de beleza e agonia. Seu marido e os negócios a esperam na cidade para um desfecho catártico.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar