Uma nova maneira de se conhecer

Em: 5 de novembro de 2016
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Mudou o mundo ou mudamos nós? Sem que percebamos as pessoas estão mudando seus hábitos e costumes, e com uma velocidade cada vez mais impressionante. A internet e as redes sociais foram as grandes responsáveis por isso. Houve uma época em que se namorava por um bom tempo, se noivava por outro tanto, até chegar a decisão final de se casar. Hoje, através das redes sociais, as pessoas se conhecem sem se ver e aprofundam de tal forma esse relacionamento que chegam a namorar sem jamais ter a presença do outro ao seu lado. Mas, às vezes, o final é feliz, selado com o casamento.
A professora Márcia Costa é do tempo do Orkut (que foi extinto em 2014 depois de dez anos de existência), e foi lá que ela conheceu o mundo das redes sociais, exatamente no ano em que a rede social se popularizou. “Mas não usava muito porque nem sabia mexer direito no computador”, riu.
Quando entrou na universidade, Márcia finalmente aprendeu a mexer no computador e também passou a usar o Facebook, também surgido em 2004, e se tornava a rede social preferida de internautas, principalmente no Brasil. “Até que busquei um relacionamento mais sério com os homens que conversava, mas não dava. Na maioria das vezes eles só queriam encontros casuais”, reclamou.
Em muitos dos casos, Márcia procurou conhecer pessoalmente as pessoas com quem conversava, “mas nunca namorei. Queria apenas conhecer a pessoa. Há cerca de um ano e meio até conheci uma pessoa através do Face, e ‘ficamos’ por uns meses, mas não passou disso”. Hoje, além do Face, Márcia também é adepta do Instagram e do Bate Papo do UOL, “mas apenas para bater papo e só”, concluiu.

Amor à primeira vista

Com a jornalista Hellen Miranda a história foi diferente. Ela conheceu um jovem nas redes sociais e hoje ele é o seu marido.
“Comecei no Mirc, passei pelo MSN, até chegar no Orkut quando, um certo dia, vi a foto do Geraldo no perfil do Orkut de uma amiga. Foi amor à primeira vista. Mandei um ‘Oi’ para ele. Ele respondeu e não deixamos mais de nos comunicar até hoje”, riu.
No começo, tudo não passava de conversas entre eles. “Além do Orkut, conversávamos pelo MSN e depois passamos para o telefone. Essas conversas se prolongaram por seis meses e nesse tempo não nos encontramos nenhuma vez até que um dia, ele disse que iria até meu trabalho e, quando eu menos esperava, ele apareceu lá. Confesso que eu o achei ainda melhor pessoalmente e penso que ele também achou a mesma coisa, pois continuamos a nos comunicar”, brincou.
Por duas vezes o destino não deixou que o namoro do casal se concretizasse. “Marcamos para nos encontrar em dois shows e acabou que não conseguimos nos encontrar, até que o Scorpions marcou para se apresentar pela segunda vez em Manaus. Eu e ele gostamos de rock. E no dia 4 de setembro de 2008, ele me convidou para ir no show e ali começou o nosso namoro”, recordou.
“Namoramos por seis meses, depois resolvemos ir morar juntos e finalmente nos casamos. Esse encontro já aconteceu há oito anos e até hoje estamos juntos. As redes sociais foram as responsáveis por encontrar o amor da minha vida”, comemorou.

Namorar como antigamente

Lucas Oliveira, 17, começou no Orkut em 2009 quando tinha 10 anos de idade. Quatro anos depois, adolescente, começou a procurar namoradas. “Na época eu já tinha Face e foi por lá que vi a facilidade em ‘garimpar’ namoradas”, contou.
A primeira namorada conseguida por Lucas foi ainda através do MSN e já se enquadrou no modelo que caracterizaria as demais: o namoro não ia além da conversa pelas redes sociais.
“Eram todos namoros rápidos, que não passavam dos dois ou três meses, e não foram poucos. Perdi as contas. Só umas seis duraram mais que isso”, recordou. “Uma única vez teve um namoro que demorou onze meses. Foi o mais duradouro até hoje”, disse.
Mas, o que caracteriza uma simples conversa entre um casal de adolescentes e o namoro? Lucas sabe muito bem o limite entre os dois sentimentos. “Enquanto somos amigos, é só conversa mesmo, quando viramos namorados, aí a conversa fica mais íntima”. E até agora não achou ruim o fato de nunca ter conhecido pessoalmente nenhuma de suas “namoradas”. “Parece uma coisa, mas quando já estamos nos acertando para nos conhecermos pessoalmente, algo acontece e o namoro termina. Tem sido sempre assim”, reconheceu. O problema é de Lucas ou de suas namoradas? “Comigo não é, pois marco os encontros e eles não dão certo. Acho que as meninas preferem ficar só na conversa”, lamentou.
O último namoro do garoto terminou há pouco. “Durou dois meses e 18 dias e quando íamos nos encontrar, resolvemos acabar, mas já estou me enchendo de namorar assim. Quero conhecer uma menina pessoalmente e ficar com ela. Já estou procurando a próxima e vou fazer de tudo para me encontrar com ela e namorar como antigamente”, garantiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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