Empresas projetam alta de 2%

Em: 22 de dezembro de 2016
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Os pequenos negócios ainda têm fôlego para lucrar com o Natal. Apesar do ano ruim, em que, pela primeira vez na história, o setor perdeu mais do que ganhou, o Natal e o Réveillon podem dar novo gás para as micros e pequenas empresas.

As compras para o Natal e Ano Novo no comércio de Manaus podem crescer de 1,5% a 2% em cima dos 4% do ano de 2015. Uma pesquisa de Intenção de Compra e Confiança do Consumidor realizada pelo IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) no mês de outubro, revelou quanto os consumidores pretendem gastar no período natalino; constatou-se que a maioria (43,9%), pretende gastar entre R$ 501,00 e R$ 600,00, com valor mediano de R$ 550,00.

Os dados revelaram ainda que apenas 0,6% dos consumidores entrevistados estão dispostos a gastar mais de R$ 1.000,00 em compras. Quanto ao local onde os consumidores costumam fazer suas compras, a preferência da maioria (48,0%) ficou com o comércio local. E mostrou-se ainda, que 36,5% preferem realizar suas compras no centro da cidade e 18% nos shoppings da cidade.

Vendas que oscilam

Na Galeria dos Remédios, por exemplo, as vendas das mercadorias dos lojistas estão paradas após 21 dias do mês de dezembro. Em contrapartida, outros estabelecimentos comerciais estão com as suas vendas superaquecidas neste período do ano.

O gestor da Galeria dos Remédios, localizado na rua Miranda Leão, centro da cidade, Marquinho Maia, explica que, inicialmente, as vendas nas lojas do centro comercial ainda não estão boas. Porém, a expectativa dele é de que a véspera de Natal (24) traga mais clientes para a galeria.

“Estamos reforçando no atendimento de qualidade e na campanha para atrair os clientes e aumentar as vendas dos nossos lojistas. Porém há muitos percalços que estão nos impedindo de vender. E um deles, a existência de alguns camelôs que continuaram nas ruas da nossa cidade”, ressalta ele.

E para a proprietária da loja Maire Confecções -que está localizada dentro da Galeria dos Remédios-, Mary Costa, as vendas do Natal não estão sendo o que os lojistas esperavam. Mesmo com as campanhas e apresentações oferecidas pela prefeitura para atrair os clientes para dentro do centro comercial. “Além da crise nacional, também enfrentamos o problema com a concorrência dos vendedores clandestinos -camelôs -que ficam na parte externa da galeria. Ou seja, as pessoas que vêm nos visitar, são abordadas por estas pessoas que acabam impedindo que venham até a gente. Mesmo, espero que a véspera de Natal seja melhor, pois não chego a vender R$100 ao dia nessa época”, explicou a microempresária.
Outra lojista da galeria, Rosana Martins, afirmou que as vendas dentro do centro comercial está mesmo fraca. “Trabalho de segunda a sábado. E hoje já é dia 20 de dezembro, no máximo que vendi, foi R$ 80 a R$ 100 por dia. Estamos com os estoques cheios, porém um movimento muito ruim para um mês de festas. Espero que esse quadro mude nas vésperas do Natal e Ano Novo, porque senão, vamos ficar no prejuízo”, lamentou a comerciante.
Os lojistas reclamam que a falta de cliente na galeria dos Remédios é por conta do grande número de camelôs que ainda estão nas ruas da cidade. “Eles tomam a nossa clientela com preços mais baratos. E mesmo a gente fazendo promoção de alguns produtos, ainda estamos com os corredores da galeria vazios”, salientou a microempresária da loja JMJ Variedades e Assessórios, Mariza Andrade.

Problemas

Com relação ao comércio em geral de Manaus, o presidente da CDLM (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, ressaltou a importância da injeção do 13º salário, que este ano foi de 70% a mais que ano passado, 50%. “Mas, o que está impedindo a população de comprar é justamente a crise no país, que gera, consequentemente o desemprego. Além da greve na Receita Federal, que está impedindo que as mercadorias cheguem às lojas”
“A Receita Federal está fazendo o papel dela, que a gente acredita que está correto, mas prejudica muitos negócios. Porque desta forma nós temos problema de não poder contratar, porque não tem produto na loja. Só estão liberando 30% das mercadorias (os auditores), tem mais de 5 mil contêineres paralisados”, disse.

Ele apontou que com a redução dos despachos, as mercadorias ficam retidas o que onera -sobrecarrega -o valor que é repassado para o consumidor final.

Campanhas para ajudar a vender

Com a campanha o “Barato do Natal Está Aqui”, as galerias populares Espírito Santo e do Remédio prepararam uma programação especial para os clientes que visitam as suas lojas.
De acordo com o gestor da galeria dos Remédios, Marquinho Maia, a campanha consiste em: a cada R$20 em compras, o cliente ganha um cupom e concorrerá a brindes como: fogão quatro bocas, ventilador, cestas básicas e vários outros. E o sorteio dos cupons será no dia 14 de janeiro.

Programação nas galerias populares

Para chamar a atenção dos clientes, as Galerias Populares Espírito Santo e Remédios realizaram, no ultimo sábado (17) o espetáculo Corais Natalinos.

Na Galeria Espírito Santo, por exemplo, os 35 integrantes do Coral da Primeira Igreja Batista da Cidade Nova, apresentaram, durante uma hora, um repertório exclusivamente de músicas natalinas. Já na Galeria dos Remédios, 40 vozes do Coral da Igreja Tabernáculo Batista, proporcionaram um clima de Natal para os clientes e lojistas do centro de compras.

As apresentações iniciaram as 10h da manhã, nos dois espaços. “Quisemos proporcionar aos clientes que vão fazer suas compras nas galerias populares, um clima de harmonia, bem natalino. E chamamos a população para vir assistir aos corais e depois fazer suas compras de Natal”, convidou José Assis, gestor da Galeria Espírito Santo.

Depois da apresentação dos corais, cantores regionais também fizeram shows para os clientes. As ações nas galerias Espírito Santo e Remédios, fazem parte da campanha ‘O Barato do Natal está aqui’.

A Galeria dos Remédios fica na rua Miranda Leão, nº 82 e funciona de 8h as 17h de segunda a sábado. Já a Galeria Espírito Santo que está localizada na rua Joaquim Sarmento, esquina com a rua 24 de Maio, funciona de 8h as 17h, de segunda a sábado e todos os domingos, abre suas portas até as 13h.

Em alta e sem sentir efeitos de crise

Mas as vendas não estão ruins para todo o comércio de Manaus, não. A loja do seguimento cama, mesa, banho e confecções, Acrópolis, localizada na mesma rua da Galeria dos Remédio, na Miranda Leão, é uma prova de que o mercado está superaquecido.

Com seus corredores cheios de clientes, a gerente da loja, Lidiane Loureiro, disse que no ano no 2016 eles tiveram meses difíceis, porém, no mês de dezembro, as vendas aumentaram. “Está sendo um mês surpreendente para a nossa empresa. Ainda não temos um balanço geral desta época, porque o mês ainda não acabou. Mas está sendo acima do esperado para um ano de crise”, disse a gerente.Entre os produtos que mais saem da loja são as toalhas que custam de R$ 6,00 a R$ 15 a unidade. “Acredito que as nossas vendas não caíram tanto no final do ano, porque temos 48 anos de atuação no mercado de cama, mesa e banho. Por isso, as pessoas já conhecem a qualidade dos nossos produtos. Porém, não podemos deixar de mencionar, que a crise nos afetou durante alguns meses deste ano, sim”, ressaltou Loureiro. Outro estabelecimento que não sentiu muito o baque da crise nas vendas dos seus produtos, foi à Casa das Redes. Há 40 anos vendendo redes, mosquiteiros, panelas e utilidades para quem deseja viajar de férias e para os ribeirinhos dos interiores do Amazonas, a proprietária da loja, Fátima Ribeiro, disse que o ano de 2016 foi bom para as suas venda. “Entendo que houve um aumento em nossas vendas neste final do ano, pois a crise não nos afetou. Como prova, continuamos com o mesmo número de funcionários e de vendas dos nossos produtos, uma vez que não são produtos propriamente de presentes, mas de utilidade doméstica e para quem viaja para os interiores do Estado, como as nossas redes”, reforçou ela.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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