O que fica e o que vai pro antiquário

Em: 10 de janeiro de 2017
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Começa um novo ano e muitas pessoas têm o costume de jogar fora as coisas velhas (algumas não tão velhas assim). Nos dias de hoje, quando os itens tecnológicos ficam obsoletos numa velocidade impressionante, fica até difícil se saber aonde e como serão descartados tantos objetos num futuro que pode ser amanhã. Para saber mais a fundo quais objetos tecnológicos estão deixando de interessar aos brasileiros, o IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas Eletrônicos) encomendou uma pesquisa ao Datafolha. Na mesma pesquisa foi perguntado que itens e quais tecnologias as pessoas querem ver fazendo parte do seu dia a dia já em 2017. Nos primeiros lugares, o resultado não surpreendeu tanto.

Em Manaus, o Jornal do Commercio também fez uma pesquisa, não tão abrangente como a do Datafolha, resumindo-se aos clientes do Império Sebo e Antiquário. A pesquisa, mesmo restrita, deu uma pequena amostra de como o querer, o ter e o não querer mais das pessoas por algum objeto, muda de acordo com as gerações. Segundo o proprietário do Império Antiquário, Aldrim Almeida, diariamente, pessoas aparecem em seu estabelecimento querendo vender algum objeto, pelos mais variados motivos.

A visita aos clientes também faz parte do trabalho de descobridor. “Eu ainda tiro o sábado para ir na casa das pessoas verificar o que não podem levar até o antiquário, geralmente algum móvel, daqueles antigos, grandes e pesadões”, acrescentou. “O que verifico é que atualmente as pessoas estão morando em espaços cada vez menores, então, não conseguem mais guardar tanta coisa e optam apenas pelo que é necessário”, explicou.

A geração do descartável
O empresário de antiguidades identifica o colecionismo como protagonista pela permanência de alguns itens. “Vivemos a ‘geração do descartável’. A cada momento as pessoas querem o que há de mais novo e moderno. Tirando os colecionadores, os jovens de hoje não se encantam, por exemplo, por um móvel antigo trabalhado em madeira de lei, ou um relógio carrilhão, que antes era o ‘senhor’ das residências familiares. Hoje é comum que, tão logo avós e pais morrerem, estes sejam desfeitos “, lamentou.

No antiquário, o item que ficou em primeiro lugar entre os supérfluos mais oferecidos a Aldrim foram as enciclopédias, aquela imensidão de livros sofisticadamente encadernados, Barsa ou Mirador, que ocupavam lugar de destaque nas estantes, pois custavam caro e ‘representavam’ a intelectualidade de seu dono. A Mirador tinha 20 volumes, totalizando mais de 11 mil páginas. Hoje as duas enciclopédias ainda existem, mas virtuais, podendo ser acessadas por meio de smartphone. O segundo lugar no ranking de ‘velharias’ não foi outro senão o telefone fixo. Inventado por volta de 1860, pelo italiano Antonio Meucci, o telefone foi uma das grandes invenções da humanidade. E continua sendo. “Tenho bastante aparelhos aqui. Os mais antigos são aqueles com manivela, dos anos 1920/30, que você falava em um cone e colocava o outro no ouvido. Tenho daqueles dos anos 1950/1960, pretos, e os coloridos dos anos 1980, com disco”, falou. E os celulares tijolões, do início dos anos de 1990, cujos donos ostentavam orgulhosos pendurados na cintura, agora são antiguidades. “Tenho alguns exemplares deles aqui na loja”, completou.

A pesquisa
A pedido do IEEE, a pesquisa quantitativa, com abordagem pessoal em pontos com alto fluxo de pessoas, teve como objetivo investigar a opinião dos brasileiros acima dos 16 anos, de todas as classes sociais, sobre as principais tendências tecnológicas para 2017. Foram realizadas 2.068 entrevistas, entre os dias 24 e 28 de novembro do ano passado, em 130 municípios distribuídos por todo o Brasil, com índice de confiança de 95%. A metodologia usou perguntas de múltipla escolha, e os entrevistados podiam selecionar mais de uma alternativa como resposta.

Segundo o Datafolha, o perfil da amostra corresponde ao da população brasileira com 16 anos ou mais. Entre seus principais destaques estão: 58% vivem em cidades do interior e 42% das regiões metropolitanas; 43% estão concentrados na região Sudeste, seguidos de 27% no Nordeste e 15% no Sul e no Centro-Oeste/Norte; 52% da população é constituída por mulheres; a média etária dos brasileiros adultos é de 42 anos; a maioria da população não chegou ao nível superior de escolaridade (44% no ensino médio, 38% no fundamental e 14% no superior); e 64% da população têm renda mensal de até três salários mínimos, com a classe C representando quase metade da população (47%), seguida das classes D/E (26%), classe B (23%) e classe A (4%).

Smartphone vs. telefone fixo

O item mais influente, para 35% dos entrevistados, foi o smartphone, seguido de perto, com 33%, pelas baterias inteligentes. Já o supérfluo mais conhecido, com 36% das indicações, foi o telefone fixo, seguido do computador de mesa, com 29% das escolhas. As baterias inteligentes voltaram a aparecer, agora em 1º lugar, com 25% das indicações no quesito “Tecnologia que quer ver disponível em 2017”. No quesito sobre regiões do Brasil, há pequenas variações sobre o smartphone: 39% na região Sul, 36% no Nordeste, 34% no Sudeste 29% no Centro-Oeste e Norte. Porém, em todas elas as tendências são as mesmas.

Sobre o segundo item considerado supérfluo na pesquisa do Datafolha, o computador de mesa, Aldrim disse ter dois deles, mas não desses computadores que quase todo mundo passou a ter em casa a partir dos anos de 2000. “Os que tenho são ‘jurássicos’, da IBM, de tela preta, nos quais só apareciam gráficos com letras e números verdes, utilizados somente por empresas, aqui em Manaus, desde a década de 1980”, riu.

Itens que serão influentes em 2017:

1 – Smartphones – 35%
2 – Baterias inteligentes – 33%
3 – Tecnologia mais inteligente para segurança doméstica – 30%
4 – Carros mais inteligentes (com wi-fi, GPS, controle remoto de fábrica) – 29%
5 – Veículo elétrico – 23%

Itens que serão supérfluos em 2017:
1 – Telefone fixo – 36%
2 – Computador de mesa – 29%
3 – Câmeras digitais – 24%
4 – Retorno das câmeras fotográficas analógicas – 19%
5 – Animais virtuais de estimação – 19%

Tecnologia que quer ver disponível em 2017:
1 – Baterias inteligentes – 25%
2 – Carros mais inteligentes – 22%
3 – Veículo elétrico – 21%
4 – Tecnologia mais inteligente para segurança doméstica – 16%
5 – Robôs para uso pessoal e tarefas rotineiras – 14%

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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