Construção sustentável custa mais caro

Em: 24 de abril de 2017
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O investimento para a implementação de um projeto arquitetônico que apresente princípios sustentáveis, seja nas categorias residencial, comercial ou institucional, pode custar até 30% mais caro do que um planejamento que não propõe medidas ecologicamente corretas. Apesar das despesas iniciais mais elevadas, o cliente pode sentir a redução expressiva nas contas relacionadas ao fornecimento de energia elétrica e de água encanada nos dois primeiros anos de instalação, além de contribuir com a preservação do meio ambiente. Em Manaus, a demanda por planejamentos sustentáveis é crescente, porém, o orçamento mais ‘salgado’ assusta aos clientes que resolvem adequar seus projetos e necessidades aos recursos disponíveis.

A arquiteta e urbanista Cláudia Nerling, explica que em tempos de constante avanço tecnológico o ser humano deve se preocupar com a preservação do meio ambiente e por meio da arquitetura é possível elaborar projetos sustentáveis. Porém, ela afirma que planejamentos que atendam aos critérios ecológicos demandam maiores investimentos, que podem custar entre 20% e 30% a mais em relação a um projeto que não aborde itens sustentáveis.

“Vivemos um tempo em que os projetos precisam ser economicamente viáveis, socialmente justos e ambientalmente corretos. E para atender a essas premissas, há um universo de ponderações que precisam ser feitas. No dia a dia o uso de materiais sustentáveis muda a forma de projetar e de construir. Hoje, a aplicação de princípios de sustentabilidade pode representar maior valor agregado ao valor da obra final”, disse.

Segundo Cláudia, apesar do valor do investimento inicial ser mais elevado, o cliente tem a garantia de retorno financeiro. No caso de clientes que não conseguem encaixar o projeto total no orçamento disponível, a solução é utilizar os recursos possíveis. “Tudo em relação à sustentabilidade tem retorno financeiro, mas leva algum tempo. Há clientes que pretendem usar recursos sustentáveis, mas quando avaliam os custos repensam e executam parte do planejado”, informou. “Porém, já vemos uma mudança no comportamento dos clientes principalmente quando se fala em energia solar, coleta seletiva e reutilização de água. Eles estão mais preocupados com o uso dos recursos naturais”, completou.

Conforme a arquiteta, a reutilização da água deve ser primordial em qualquer projeto, além do aproveitamento ao máximo da luz natural. Ela ainda cita a importância da preocupação com o conforto térmico. “O mercado apresenta diversas soluções como a placa solar, o uso de vidros duplos, entre outros”.

A arquiteta e urbanista, Amanda Portela, concorda que o investimento demandado por projetos que apresentem funcionalidades totalmente sustentáveis podem ter preços até 30% mais elevados do que um projeto que não apresente itens sustentáveis. Ela afirma que apesar dos custos mais expressivos, o investimento é vantajoso ao cliente que tem retorno em no máximo dois anos. Amanda ressalta que a procura por consultorias a projetos de cunho sustentável é crescente em Manaus.

“O uso da luz natural, assim como o reaproveitamento da água para a realimentação de descargas, lavagem de calçadas e para regar as plantas, impacta diretamente no menor uso de energia elétrica e de água, e consequentemente em redução nas tarifas pagas pelos serviços”, garante.

Amanda também citou que a população está mais preocupada com a preservação do meio ambiente e que as medidas arquitetônicas projetadas visam o menor consumo e degradação ao meio ambiente.
“As medidas propostas em um projeto arquitetônico propõem menor consumo de energia elétrica e de água. Logo, haverá redução no índice de poluição e menores tarifas cobradas pelas concessionárias”, explicou.

A arquiteta e urbanista Rafaela Santos, considera a implementação de um ambiente sustentável vantajosa em decorrência do custo-benefício. Ela frisa que inicialmente os custos podem ser mais elevados, mas em contrapartida, os investimentos geram economia ao longo do tempo.

“Ao longo do tempo a economia é grande. Nas edificações estes sistemas passivos podem ser utilizados para resfriamento, aquecimento, iluminação, ventilação entre outros. Dependendo do sistema instalado, a energia solar consegue ser utilizada até no consumo de ar-condicionado e chuveiros elétricos, que são grandes vilões da nossa conta de energia”.

Na avaliação de Rafaela, em Manaus a adesão aos projetos sustentáveis ainda acontece de forma lenta. A maior procura, segundo ela, é por parte de empresas. “Principalmente os clientes residenciais ainda não procuram. Algumas empresas já aderiram visando economia mensal, porém Manaus ainda está engatinhando nessa questão sustentável. Esperamos que isso mude nos próximos anos”, conclui.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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