Com a crescente divulgação na mídia dos males causados pelos alimentos industrializados, os orgânicos ganham espaço na mesma proporção. Antes considerados caros para os padrões populares, hoje, com o aumento da produção de hortifruti sem a presença de agrotóxicos, os orgânicos se tornam mais baratos e mais presentes nas mesas dos manauaras, explica o personal chef ecológico Alexandre Victor. “Tenho notado maior presença desses alimentos nos últimos cinco anos, com as pessoas cada vez mais buscando se alimentar de forma saudável e natural”, falou.
Mas segundo Victor, a oferta não tem conseguido acompanhar essa demanda. “Faltam produtores e, sobretudo, engenheiros com essa visão de mercado, principalmente no Amazonas onde a agricultura orgânica é recente e caminha a passos muitos lentos. Pode-se observar isso nas feiras que acontecem na cidade”, completou. Para Alexandre, especialista em gastronomia panc (plantas alimentícias não convencionais), este é um novo mercado a ser explorado. “Estas também têm despertado curiosidade e a procura por elas têm aumentado. Erva de jabuti, urtiga, beldroega e até vitória régia já são encontradas em feiras de orgânicos, porém, até por falta de conhecimento sobre as panc, as convencionais como tomate, couve, cheiro verde, alface, entre várias outras, continuam em evidência”, assegurou.
Falando em feiras, as feiras de produtos regionais já existem há algum tempo em Manaus, mas os produtos orgânicos, sem alarde, vêm conquistando espaço e adeptos.
Orgânicos do Rio Preto…
A Feira de Produtos Regionais da ADS (Agência de Desenvolvimento Sustentável) é a mais antiga a acontecer em Manaus. Realizada desde 2008 e atualmente acontece todos os sábados no ASA, no Cassam e na Escola Estadual Júlio César de Moraes Passos (Cidade Nova, zona Norte); às terças-feiras no estacionamento do Shopping Sumaúma; e, quinzenalmente, no comando da PM, em Petrópolis.
A importância da feira também é econômica, conta o presidente da ADS, Lissandro Breval. “Desde o início o objetivo da feira foi acabar com o ‘atravessador’ e vender a produção hortifruti do interior do Estado por preços mais baratos que os do mercado, porém, deixando uma boa margem de lucro para os produtores”, contou Breval.
Atualmente, somente no ASA, a maior das feiras, se reúnem 120 produtores. “Para dar vez a todos, nenhum deles pode ter banca em mais de duas feiras”, falou. “A maioria da produção é orgânica, porém, ainda não oficial. Eles só tem um certificado. Estão no processo para receber a declaração oficial do Ministério da Agricultura. Esses orgânicos vêm de uma comunidade em Rio Preto da Eva”, explicou o presidente.
“Também acredito que os produtores estão muito satisfeitos com o resultado de suas vendas. Tem produtor que fatura R$ 2 mil numa única feira. Outros chegaram aqui querendo empréstimo e agora possuem carro do ano. A ADS também adquire produtos para a merenda escolar de escolas de Manaus”, acrescentou Breval.
Nesses quase nove anos de existência a Feira da ADS já recebeu um público de mais de um milhão e oitocentas mil pessoas e faturou cerca de R$ 60 milhões, e agora começa a expandir e voltar para o interior. “No mês passado abrimos duas em Rio Preto da Eva e no domingo passado abrimos uma em Boa Vista do Ramos. Essa de Boa Vista faturou R$ 120 mil. Estão previstas a abertura de três, em municípios a serem definidos, somente agora, em maio”, adiantou.
. e do ramal do Brasileirinho
Uma feira recente, mas que já faz bastante sucesso em Manaus, é a AgroUfam, existente desde 2014 nas dependências da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), e já em sua 37ª edição ocorrida nos dias 4 e 5 passados. A AgroUfam acontece sempre na primeira quinta e sexta-feira do mês. O caratér social da feira é lembrado pela professora do Nusec (Núcleo de Socioeconomia da Ufam), Josane Lima Santiago. “Ela foi idealizada para promover a inclusão social a partir da comercialização de produtos de base familiar”, falou a professora que é uma das organizadoras da feira.
A AgroUfam reúne expositores agrícolas e de artesanato. “Quando começamos, em 2014, eram 30 produtores agrícolas. Hoje são 60, vindos de doze municípios amazonenses. Eles trazem legumes, frutas, laticínios, doces, plantas ornamentais e medicinais para a feira”, listou.
“Além da produção convencional, a agroecologia tem despertado bastante interesse dos visitantes mais recentemente. Quatro produtores da comunidade Uberê, no ramal do Brasileirinho, em Manaus, já têm a declaração de produtos orgânicos fornecida pelo Ministério da Agricultura”, adiantou a professora.
“Um dos diferenciais da AgroUfam em relação ao mercado externo é o preço acessível dos produtos, o que contribui para que a população adquira alimentos adequados às suas necessidades, tanto em quantidade quanto em qualidade nutricional e sanitária”, disse Josane.
Josane acrescentou que cada AgroUfam reúne em média mil visitantes, principalmente servidores e alunos da Universidade, “Ela é aberta ao público. A 38ª edição da feira acontecerá nos dias 1° e 2 de junho, no hall da Faculdade de Ciências Agrárias, no Mini Campus e homenageará a Semana do Alimento Orgânico”, lembrou. “E agora ela está ganhando um novo espaço, fora do ambiente acadêmico. Todos os sábados a feira acontece experimentalmente no Park Vieiralves (zona Centro-Sul)”, concluiu.







