A história de como surgiu o primeiro hambúrguer (o bife no formato arredondado, que reúne carne moída e temperos) se perdeu no tempo, mas acredita-se que tenha surgido entre o fim do século 19 e o início do 20, com a industrialização de vários países e a necessidade de comer rapidamente um produto que, também, era facilmente preparado. É provável que tenha sido pensado exatamente para ser colocado dentro de um pão, apesar de bife e carne existirem muito antes sendo consumidos separadamente.
Coube aos americanos popularizar o hambúrguer através da rede de lanchonetes McDonald’s espalhada pelo mundo, mas no Brasil, ao menos no Rio de Janeiro que ditava as modas para o resto do país, parece que quem lançou o produto foi outra rede de fast food americana, o Bob’s, ainda na década de 1950. É o que garante o historiador Antonio Loureiro. “Fiz faculdade de Medicina entre 1959 e 1964, no Rio, e foi lá que comi pela primeira vez um hot dog e um hambúrguer, no Bob’s. Não lembro que antes tivesse alguém, como o McDonald’s, vendendo aquele tipo de sanduíche por lá, e fez muito sucesso porque era barato. Eu tinha pouco dinheiro e era o que comia sempre. O dono do Bob’s onde eu comia era um americano e a lanchonete dele vivia lotada”, recordou.
E Loureiro voltou ainda mais no tempo, rememorando os sanduíches que comia em Manaus. “Meu pai tinha um escritório na Marcílio Dias e toda tarde, nas décadas de 1940 e 1950, mandava eu e meu irmão comprarmos um sanduíche de carne de porco assada na taberna do ‘seo’ Messias, que ficava na esquina da Marcílio Dias com a Quintino Bocaiuva”, falou. “A esposa do ‘seo’ Messias fazia um molho de tomate com pimenta que era uma delícia”, garantiu.
“No escritório, dividíamos o comprido pão em quatro sanduíches. Dois para eu e meu irmão e dois para o meu pai, acompanhados de guaraná Andrade. Era o lanche da tarde”, explicou. “Esse costume foi trazido pelos portugueses para Manaus, sanduíche de carne de porco assada, e depois, queijo bola. Esses sanduíches eram encontrados em todas as esquinas onde havia uma taberna portuguesa. No Bar do Armando ficaram famosos e até hoje podem ser consumidos no Jangadeiro”, acrescentou.
Hambúrguer só para ricos
Já o historiador Aguinaldo Figueiredo também comeu seu primeiro hambúrguer no Rio de Janeiro, bem depois que Antonio Loureiro, entre 1977 e 1978, quando serviu à Marinha. “Nunca tinha visto em Manaus, aquela famosa carne de hambúrguer, redonda, dentro de um pão, mas ela já existia na cidade, vendida no supermercado da Booth Line”, contou. Booth Line foi uma empresa inglesa de navegação marítima que atuou entre o Brasil e a Europa muito antes, e muito tempo depois, do boom do comércio da borracha, entre o fim do século 19 e o início do 20. Quando a Zona Franca foi instalada em Manaus, em 1967, a Booth Line montou uma espécie de supermercado, no centro antigo de Manaus, onde só eram vendidos produtos importados.
Esse produtos ficaram na memória, mas por muito tempo longe das mesas, diz Figueiredo. “Eu era menino e lembro que lá eram vendidos pequenos potes com patê, queijo em pasta, sopa Campbell’s em lata e os hambúrgueres, que vinham dentro de caixas de papelão. Eram produtos que não existiam antes em Manaus, e eram caros. Só ricos comiam hambúrguer e aqueles outros produtos”, riu.
Com o tempo, a popularização do hambúrguer e a necessidade de empreender, abriu um leque de opções.
“Quando voltei para Manaus, já em 1980, começaram a proliferar por toda a cidade os famosos Kikão, trailers onde se popularizaram o kikão (um hot dog com mais ingredientes) e outros sanduíches, como o X Salada (o X é de cheese, queijo), até hoje, penso, o mais consumido. Eles são os avós desses food trucks de agora”, completou.
A tendência são os veganos
O PedidosJá, maior plataforma de delivery da América Latina, aproveitou a data de 28 de maio, Dia Internacional do Hambúrguer, para avaliar junto a quatro mil brasileiros os principais costumes no momento de comer seu hambúrguer favorito. Mesmo com a crescente tendência de gourmetização, os hambúrgueres tradicionais, como X-Burger e X-Salada, ainda são os mais consumidos pelos respondentes, com 52% de preferência.
Bruna Rebello, gerente comercial da PedidosJá no Brasil, avaliou que a quantidade de foods trucks e hamburguerias gourmets abertas nos últimos anos acabou trazendo uma mudança cultural nos hábitos dos consumidores. “Hoje, o perfil de consumo está realmente muito equilibrado. Existem tanto aquelas pessoas que não abrem mão do velho e bom X-Burguer, quanto aqueles que só comem hambúrgueres artesanais, gourmets e até mesmo veganos, representado por 48% dos pesquisados”, explicou.
Outro dado levantado pela empresa revelou também que o hambúrguer ao ponto é solicitado pela maioria dos consumidores, com 73% de preferência. Já 17% costumam pedir a carne bem passada e 10% optam normalmente pela mal passada.
Em relação às solicitações efetuadas pelos usuários do PedidosJá em 2017, 13% delas no Brasil são oriundas de hamburguerias.
Entre as principais capitais do país, Porto Alegre possui o maior índice de compra de hambúrgueres, com 29% de participação nos pedidos totais da cidade, seguido por Belo Horizonte (16%), São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (todas com 11%). “Vale ressaltar que a tendência de consumo de maneira geral fica estável em todos os meses do ano. Também não existe um dia da semana com grande pico de vendas”, afirmou.
A pesquisa apontou ainda que, atualmente, 15% das hamburguerias brasileiras já possuem ao menos um lanche vegano ou vegetariano em seu cardápio. “A tendência é que essa opção se popularize cada vez mais”, concluiu.






