Por um mundo melhor

Em: 21 de junho de 2017
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O engenheiro civil paulista Antonio Bento Neto é, antes de tudo, um inventor capaz de transformar ideias em criações palpáveis. A mais recente delas é o Tape (do verbo tapar), um remendo asfáltico lançado há dois anos e que se fosse adotado pela prefeitura, em pouco tempo acabaria com os buracos das ruas de Manaus. É o que garante Antonio Bento.

“O que posso dizer é que ele custa 20% menos que o asfalto usado atualmente na cidade e dura ao menos dois anos. Esse é o tempo que está durando o remendo que fizemos na rua aqui da frente da empresa e até hoje continua do mesmo jeito, ou seja, ainda não sabemos o tempo exato que ele pode aguentar o vai e vem dos automóveis”, disse.

O processo para a tapagem do buraco de rua com o Tape é simples. “Colocamos uma base feita de cimento misturado com barro e água, depois essa base é prensada e, em seguida, é colocada a manta asfáltica, uma mistura de asfalto e outros produtos, que não posso revelar porque é segredo industrial”, falou.

As mantas têm o formato circular nos tamanhos de 50, 60 e 75 cm e retangular, no tamanho de 100 x 55cm. “Depois que as peças aderem à pista, não saem mais. Não precisam de equipamentos pesados para serem colocadas nas ruas. Qualquer pessoa, com um pouco de técnica, é capaz de manuseá-las. O serviço de colocá-las dura alguns minutos e nada de grandes usinas para fabricá-la. Nós mesmos as fabricamos”, acrescentou.

Até agora somente algumas prefeituras do interior adquiriram o Tape, mas uma empresa que queira, por vontade própria, tapar os buracos da rua onde está localizada, pode adquirir o produto, ou mesmo os moradores de um condomínio fechado ou os donos de uma grande indústria que possuam ruas esburacadas dentro de seu espaço.

Tecnologias de preservação ambiental
As criações de Antonio Bento vêm de longe. “Em São Paulo eu já trabalhava com projetos de biodigestores. Quando vim para Manaus, em 2000, comecei a pensar em desenvolver equipamentos que protegessem o meio ambiente, tipo estações de tratamento de dejetos porque percebi que a cidade praticamente não tinha rede de esgotos e tudo era jogado diretamente na rua”, lembrou.
Usando o conhecimento hidráulico da engenharia civil, em 2005, Antonio Bento começou a desenvolver projetos de estações de tratamento de dejetos. Aos poucos essas estações foram se tornando reais. “Na minha empresa, hoje Ecoete Preserve, passamos a fazer tudo: projetar, fabricar, montar e manter as estações”, esclareceu.

Segundo Bento, o futuro das grandes cidades é parar de usar fossas sanitárias, ou ainda, jogar seus resíduos diretamente nas ruas e igarapés, passando a utilizar as estações de tratamento, ainda que seja por força da lei. “Me aponte alguém que queira comprar uma estação de tratamento para colocar na sua residência. Hoje quem as têm, por causa da lei, são os condomínios e as indústrias (os maiores usuários)”, explicou.

O inventor propõe soluções pensando na realidade da região. “Pense numa invasão de terras, com centenas de milhares de moradores, ou nas milhares de embarcações que diariamente cruzam os rios da Amazônia transportando centenas de pessoas. Quando terão estações para tratarem seus dejetos?”, alertou. “A conscientização de que quem produz os dejetos, os tem que tratar ainda está longe de se tornar real para a grande maioria das pessoas. Enquanto isso vou seguindo o lema de minha empresa que é desenvolver tecnologias de preservação ambiental”, completou.

As estações projetadas por Antonio Bento são modulares, podendo se adequar a qualquer tipo de embarcação, de voadeiras, passando pelos barcos regionais a gigantescas plataformas de exploração de petróleo e navios. “Quem gosta de navegar pelos rios e admirar suas belezas, deve cuidar bem deles, por isso os proprietários das embarcações devem se preocupar com o destino dos dejetos dos seus banheiros e não simplesmente descartá-los nas águas. Projeto as estações para serem facilmente instaladas no porão da embarcação e ocuparem um espaço que não vá atrapalhar quem estiver trabalhando no local”, esclareceu.

Fim útil para as PETs
Seguindo os passos do pai, Guilherme Bento, filho mais novo de Antonio e responsável pelo marketing da empresa, começou a desenvolver uma campanha visando o lado social da Ecoete Preserve, que faz jus ao seu nome. “A campanha se chama ‘Valsa do Lixo’ e começou no dia 9 passado durante a Semana do Meio Ambiente. Consiste inicialmente na produção de pequenos vídeos mostrando os igarapés poluídos da cidade”, disse.

Os vídeos sempre terão o caráter de denúncia e visam a conscientização das pessoas sobre o ato de jogar lixo em qualquer lugar. “O primeiro vídeo foi feito no igarapé sob a ponte dos Bilhares e já teve mais de 40 mil visualizações. Dei esse nome porque coloquei uma valsa no final do vídeo, enquanto as águas decorrentes de uma chuva, levavam os mais variados tipos de lixo, a maioria PETs, os grandes poluidores da atualidade”, explicou Guilherme Bento.

Falando em PET, essas garrafas plásticas também são adquiridas pela Ecoete Preserve. “Uma máquina criada pelo meu pai transforma essas garrafas em fios, depois emaranhados e transformados em filtros utilizados nas estações de tratamento”, acrescentou. “Minha mãe, Celene Bento, que é professora, ensina a conscientização ambiental aos seus alunos como parte da campanha ‘Valsa do Lixo’. Estamos dando continuidade aos ideais de meu pai de termos um mundo melhor para viver”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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