Nascer

Em: 8 de agosto de 2017

O Brasil nunca mais será o Pais do futuro, posto que nunca aprendera com seu passado. Enquanto em Londres e outras capitais o prefeito vai trabalhar de metrô ou com seu veículo, aqui um simples vereador recebe carro blindado e gasolina. Vivenciar o atual cenário de caos, onde frequentemente a moral é relegada, mesmo por aqueles que a pregam da boca para fora, é sentir-se sobrevivente dentro de um quadro degradante e repleto de personagens repugnantes, que nutrem em seus âmagos a ganância pelo Poder e pelo dinheiro. O balcão de negócios que antecedera o julgamento de Temer demonstra tal fato abominável. Pouco nos interessa saber se é melhor a sua continuidade ou se será julgado após cumprir seu mandato; justificativas que não se sobrepõem à moral, nem ao direito; estando a ética deprimida. Também não se analise o atual cenário imaginando que os lulistas irão esperar Temer derreter, gerando mais munições para as eleições de 2018. Se diariamente as notícias trazem desassossego, fruto de políticos desqualificados, a verdade é que sobreleva o fim do mundo moral dentre eles, provocando uma triste realidade: tudo ainda pode piorar. Fernando Pessoa dissera: “As guerras e as revoluções causavam não horror, mas tédio”. Não vivemos uma revolução, mas cremos que o cenário político é de indignação cívica e nojo, aspectos deploráveis.

Pode-se afirmar que o julgamento do Temer fora uma grande palhaçada, onde várias cenas beiraram a mediocridade, oriundas de atos protagonizados por políticos obscuros, inexpressivos e que desconhecem suas funções, ônus e responsabilidades. Por isto, estamos todos entediados a espera de que ainda este ano haja algo que melhore a segurança do povo, (afastando-se a violência urbana), o atendimento nos hospitais e acima de tudo não se espere pela falência do ensino, notadamente o público.

Por outro lado, há os que entendem ter sido o resultado uma “vitória da responsabilidade, tendo servido para impedir que uma denúncia inepta agravasse a crise”, in editorial do Estado. NÓS não conseguimos enxergar ter sido o episódio ridículo um ato de fortalecimento, até porque qualquer capacidade de articulação deve ser fulcrada em argumentos sólidos e não em troca de favores, muito menos em liberação de emendas. Há assim, cristalino divórcio entre NÓS e o Planalto decorrente do balcão de negócios, conchavos com deputados etc.

Também não nos interessa adentrarmos no litígio pessoal existente entre Temer e Janot o qual terminará em setembro. Por outro lado, não vimos nenhuma preocupação com a busca da superação da crises econômica e moral, cujos reflexos atingem nossas vidas a ponto de abater nosso ânimo. O que se conhece é a possível proposta de criação de um Fundo Eleitoral Nacional, para financiar partidos acusados de corrupção, o que se nos afigura vergonhoso. Rema o Congresso surdo aos pleitos do povo brasileiro, a quem só se lembra em ano de eleição, devendo doravante olharmos para a frente visando a mudança de todos os deputados federais e Senadores.

Por fim, há sim clima e condições para a efetivação das reformas necessárias à pretensa retirada do País desse caos que o PT colocara a Nação, a classe empresarial e os trabalhadores ao perverter as relações públicas com seus aliados particulares, quase todos já presos e condenados. O exercício da vida pública impõe a decência, o caráter, a reputação ilibada e não o uso de dinheiro público, ou seja, do contribuinte, para enriquecimento ilícito, o que é uma tremenda indecência.

LULA fora o campeão. Desde o mensalão agira como se nada soubesse. Entregara sua consciência às maiores construtoras, ignorara seu eleitor e menosprezara os sonhos do povo brasileiro. Enveredou-se pela corrupção e passara a mentir, sendo hoje alvo de chacotas e deboches; respondendo por vários processos e já condenado em um. O romano Ovídio já afirmava: “A consciência tranquila ri-se das mentiras da fama”. LULA jamais transformará sua malandragem, sua inveja e sua vaidade em dedicação, eis que seu cinismo enraizado na sua consciência é moléstia irrecuperável. As eleições de 2018 estão se aproximando, cabendo-nos preparar o futuro, pensar no progresso com pessoas competentes e de qualidade moral, afastando o desânimo e fazendo nascer a vitória dos justos e não dos bandidos e oportunistas de sempre.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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