O artesão indígena da etnia kuripaco, José Garcia Pinto, 38, conta que chegou a vender suas peças por R$ 2, para sobreviver, mas hoje a realidade é outra e consegue comercializar seus produtos por até R$ 250. Os bons resultados não param por aí. Ele foi destaque na edição 375 revista de circulação nacional Casa Vogue, como autor de peças decorativas e cestarias com alto valor agregado por conta do design artesanal que une a sofisticação ao imaginário das belezas amazônicas.
“Tinha vezes que as vendas do mês não chegavam nem perto dos R$ 200 e eu era obrigado a trocar meus produtos por comida. Era muito sofrido. Pensei em desistir várias vezes”, relata. Atualmente, o artesão tem um faturamento de aproximadamente R$ 1,9 mil por mês.
Foi através do Programa Brasil Original Amazonas que José retomou a confiança na sua atividade artesanal. Por meio do Projeto, ele recebeu o apoio técnico que o ajudou a melhorar o design e o acabamento das peças e foi introduzido a técnicas de inovação. Dessa forma, José começou a compreender as tendências de mercado e a partir da sua participação em feiras e eventos Brasil afora, aprendeu a gerir sua atividade como um negócio sustentável e lucrativo.
“Eu aprendi que não dava pra trabalhar de qualquer jeito. Eu tinha talento, mas não tinha o conhecimento para fazer melhor e gerir meu trabalho”, relata o empreendedor que agora é dono da marca Arumã, um ateliê e loja localizada em São Gabriel da Cachoeira (cerca de 860 quilômetros de Manaus), município da região do Alto Rio Negro.
O projeto também preparou José para um processo produtivo contínuo, onde ele pudesse atender a demanda do mercado e ensinar a sua metodologia de produção para os moradores da Comunidade do Areal, no município de São Gabriel da Cachoeira (a cerca de 850 quilômetros de Manaus) onde vive até hoje.
O Programa Brasil Original Amazonas é uma iniciativa criada pelo Sebrae para apoiar e valorizar os artesãos indígenas e ribeirinhos de todo o Brasil, capacitando-os nos diversos aspectos da atividade, desde melhorias nos produtos e novos métodos de fabricação até a gestão de negócios e ações de mercado.
No Brasil, o programa beneficia centenas de artesãos de todas as regiões.
Com o projeto Brasil Original Amazonas, José Garcia teve a oportunidade de participar de Feiras em diferentes Estados, como Tocantins e São Paulo, expondo seus produtos a potenciais investidores. Além disso, foi um dos ganhadores do projeto TOP 100, do Sebrae Nacional, que certifica as 100 melhores unidades produtivas de artesanato do Brasil. No total, o Brasil Original Amazonas apoia 97 artesãos das regiões do Alto Rio Negro, Alto Solimões, Baixo Amazonas, Manaus e entorno.
Para a gestora do programa e analista técnica no Sebrae do Amazonas, Lílian Simões, as ações desenvolvidas procuram mostrar aos participantes que o artesanato do Amazonas tem grande apelo nacional e internacional, mas que precisa corresponder às demandas de mercado, que exigem artigos de excelente qualidade, acabamento e sofisticação.
“Nós procuramos mostrar aos artesãos como eles devem se preparar, ensinando e associando o moderno ao tradicional. O resultado são peças que despertam interesse de quem aprecia a arte amazônica. José Garcia é somente um dos exemplos de sucesso que o Sebrae ajudou a acontecer por meio do Brasil Original Amazonas”, ressalta Lílian.
Inovação no artesanato
A luminária Kuripaco é considerada o artigo “carro-chefe” de José Garcia. Quando o Brasil Original Amazonas finalmente se tornou parte da sua realidade e o artesão teve a oportunidade de entrar em contato com um dos designers mais renomados do país, Sérgio Matos, várias portas se abriram para a venda e a criação de produtos inovadores.
A luminária Kuripaco foi uma dessas inovações. A partir da criação desse novo produto, José teve a oportunidade de comercializar o seu trabalho por preços que estivessem mais de acordo com o mercado e que lhe proporcionassem uma renda fixa.
De acordo com o artesão, a importância desse projeto se tornou imensurável quando ele se viu vendendo seus produtos para grandes lojas de Manaus. “Hoje eu tenho contato com lojistas que antes não tinha e agora também vendo para clientes fixos por encomenda. Nunca pensei que um dia chegaria aqui. É muito bom ser reconhecido pelo meu trabalho”, relata.







