Brechós ganham espaço em Manaus

Em: 13 de novembro de 2017
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A prática de vender produtos que não são mais utilizados, bastante comum nas países da Europa, nos últimos anos vem ganhando espaço e vitrines no Brasil. Impulsionado pela crise econômica e desemprego, muitas lojas especializadas em produtos de segunda mão e vintage abriram as portas por aqui. Em Manaus, a administradora Mônica Rios criou a página @closetdesapego para transformar em renda objetos de decoração, acessórios, maquiagem, roupas e calçados que estavam sobrando no armário.

“A ideia começou como um hobby entre amigas que depois foi implementado para uma pequena empresa. Começamos a ter a visão de mercado em crise e vimos que as pessoas estão preferindo comprar peças de qualidade”, explica. Em cinco ano, a página tem mais de 14 mil seguidores que buscam algo para comprar. Segundo Mônica, entre as vantagens em ter uma loja online estão a flexibilidade no atendimento e o alto custo em manter uma empresa física.

“Nesse modelo eu determino o horário para atender o cliente e não tenho obrigação de renovar a coleção e nem vender tudo. Além disso, não pago funcionários e nem despesas como aluguel, luz e água”, conta a empresária. Atualmente, a loja movimenta em média, R$ 9 mil por mês em valor bruto e conta com um seleto grupo de 32 associadas.

“É um mercado que cresceu bastante e me surpreendeu. Tenho associados em outros Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e até nos Estados Unidos que enviam peças de qualidade, tornando nosso trabalho diferenciado”, celebra. A fim de organizar o negócio, ela criou um sistema simples a partir de planilhas com intuito de catalogar as peças e tem suporte para triagem. Todos os produtos seminovos e novos selecionados passam por um processo de higienização.

Atendimento personalizado
A empresa possui um acervo com mais de 2 mil peças distribuídas nos valores a partir de R$ 10 até R$ 3 mil. São diversas marcas, que variam de departamentos a grifes como Chanel e Calvin Klein até Express. Atualmente a loja virtual possui cerca de 500 clientes fixos.

“Na venda online é possível oferecer o serviço personalizado com atendimento agendado e peças de interesse do cliente, ou seja, é o mesmo conceito europeu, onde tem catálogo virtual e ele só vem para experimentar. Em alguns casos, faço chá da tarde e tudo isso ajuda a fidelizar a clientela”, conta a empresária.

Outro diferencial da empresa é o serviço delivery. Nele, o cliente também escolhe as peças no perfil da loja e a empresária leva até o local sem custo. “Muitas clientes não tem tempo de ir ao shopping para escolher algo quando tem um evento para ir, por exemplo. Esse atendimento facilita essa escolha e também nos aproxima”, argumenta.

A empresária ainda aposta na entrega dos produtos em todo o país e até fora. “Já enviei para Canadá, Estados Unidos e China. O instagram é universal e como falo inglês fica mais fácil a comunicação. Hoje, esse tipo de serviço representa 20% das vendas”, comemora Mônica destacando que acompanha todo o processo de postagem e entrega final.

Lojas físicas
Por outro lado, bem antes, algumas pessoas já tinham apostado no segmento como uma boa alternativa para quem quer renovar o guarda-roupas e até objetos de casa sem gastar muito dinheiro. Uma delas, foi a empresária Andréa Gouvea, que das viagens ao Canadá trouxe na bagagem além de boas lembranças, muitas peças de inverno.

“Por conta disso, tinha um armário de inverno e um armário de verão. Foi quando tive a ideia de abrir um pequeno bazar dentro da Panificadora Cíntia, na qual sou sócia-proprietária para vender minhas peças. O bazar cresceu e ficou fixo no local abrindo a cada seis meses. Isso já tem dez anos”, conta a empresária. Com o sucesso do novo negócio, Andréa abriu ao lado da sócia Darla Sampaio, o Brechó da Cíntia (@brechodacintia) para vender de tudo: roupas, sapatos, livros, objetos de decoração e vintage. Segundo a empresária, que tem experiência no mundo fashion, a loja tem hoje um acervo de 50 mil peças e recebe cerca de 50 novos itens por dia. Com fornecedores específicos, ela explica que todos os produtos passam por um processo de higienização antes de invadirem as vitrines. “Temos cinco colaboradores para atendimento e só recebo peças consignadas de 300 fornecedores. Pegamos os itens, fazemos a triagem para irem a venda. Nossas peças são de boa qualidade, muitas de marcas e exclusivas”, disse.

Na loja é possível encontrar peças desde marcas mais populares até de grife. O preço médio entre as mais conhecidas como Maria Filó e Fórum é de R$ 45. Entre as mais pontuais estão Prada, Calvin Klein, Chanel, Alexandre Herchcovich até Zara e Arezzo. “Para essas grifes estamos com um espaço especial no Vieiralves, com cerca de mil peças que variam de R$ 50 a R$ 4 mil. Esse projeto começou no mês passado e segue só até dezembro”, pontua a empresária.

Com mais de 26 mil seguidores nas redes sociais, ela comenta que o espaço online é direcionado apenas para divulgação da loja física. Andréa destaca ainda que o público alvo da marca é o local para manter o atendimento direto com o cliente.

Tendência
Apesar da tendência do modelo de negócio, a proprietária diz que o país ainda não possui esse tipo de comércio enraizado. Segundo ela, existe preconceito de não gostar de comprar por se tratar de itens usados. “Lá fora é diferente, as pessoas acham descolado até pela pegada sustentável e postam nas redes sociais que compraram algo em um brechó. Mas claro que deu uma melhorada e muita gente já acha o máximo garimpar”, ressalta Andréa. Na sua avaliação, a mesma crise que permitiu empreender também prejudica. Como prova ela conta que, neste ano as vendas da loja caíram de 100 peças por mês para 30, mais da metade. “Não perdemos o cliente, mas ele acabou diminuindo a quantidade de peças compradas. Se antes levava 10 itens, agora só leva cinco. Mas ainda acredito que seja um negócio promissor porque o cliente de brechó não têm perfil e está sempre em busca de compras mais baratas e por peças que ninguém tenha”, finaliza. Com muito estilo, o Brechó da Cíntia fica localizado na rua Borba, 322, bairro Cachoeirinha, zona Sul, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. No sábado a loja funciona até às 13h.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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