O maior de todos os preconceitos – parte 2

Em: 21 de dezembro de 2017
Falta humildade para reconhecer o óbvio: ou temos direitos e obrigações iguais ou que vença o mais forte, qualquer que seja o viés de sua fortaleza.
https://www.jcam.com.br/Suzano.jpg
Falta humildade para reconhecer o óbvio: ou temos direitos e obrigações iguais ou que vença o mais forte, qualquer que seja o viés de sua fortaleza.

Quando nasci, minha mãe biológica não produziu leite materno suficiente para amamentar a mim e ao meu irmão, nascido onze meses e dez dias depois que vim ao mundo. À época, era comum procurar, nessas situações, dentre as amigas mais próximas, alguém que estivesse amamentando com larga sobra de leite.

Pois bem: a minha mãe de leite é uma negra, falecida antes de eu completar a maioridade, a quem eu gostaria de ter conhecido, abraçado e não tive a oportunidade de fazê-lo, quanto adulto. O meu cunhado, marido de minha irmã, falecido há dois ou três anos, era negro. Ainda jovens, éramos amigos de bate-papo, futebol e cerveja. A boa prosa e as brincadeiras rolavam soltas quando nos encontrávamos. Em muitas coisas éramos afins, com nossas virtudes e defeitos.

Sou caso raro na sociedade? Com todas as minhas certezas assim não entendo. O Brasil é, reconhecidamente por todos, uma nação de descendência NEGRA por excelência, onde nem mesmo alguns negros dos mais negros podem afiançar não possuírem no sangue um pouco do branco ou do índio. Tudo mais é hipocrisia preconceituosa de quem se iguala àqueles a quem aponta o dedo. É hora de trucidar o “branco que um dia nos oprimiu”? Isso não é preconceito? O troco agressivo não resultará em mais violência?

Naveguemos em nosso barco ao encontro das chamadas “minorias”. Em tese, o assunto não se faz muito diferente do anterior. Diferencia por algumas particularidades decorrentes do famigerado preconceito humano. ninguém tem o direito de avocar para si a prerrogativa da verdade. Nada somos. Nada temos de nosso. Tudo alcançaremos no respeito mútuo.

Neste exato momento, estou me expondo, sem o necessitar. Não sou político; não preciso de votos para me eleger; estou aposentado e tenho condições de, moderadamente, aproveitar a vida. Porque me expor? Acredito no diálogo, no bom senso e na capacidade do ser humano para produzir o bem. Se assim não fosse, que valia teria o viver?

Tendo como premissa essas “verdades”, que num repente podem ser somente minhas, vejo ruir todos os argumentos que justifiquem quaisquer tipos de manifestações tendenciosas e eivadas de preconceitos, que nos direcionam ao confronto contra quem não abraça as nossas convicções. Necessitamos entender, de uma vez por todas, que os nossos direitos terminam no exato momento em que iniciam os dos outros. Sou bonzinho e educado? Nem sempre. Procuro tão somente, no contexto das minhas incoerências, respeitar a todos e ser respeitado. “simples assim”, diria meu irmão caçula.

Combater preconceito com preconceito ainda maior é atitude das mais equivocadas. O equilíbrio é fácil de ser encontrado? Lógico que não. Ele é lento, progressivo e exclusivamente depende de nossas atitudes, da mesma forma que resultará de nossas ações as mudanças para a situação caótica que hoje vivemos, em decorrência dos desmandos dos detentores do poder, que zombeteiramente riem de todos nós.
O entardecer das andanças do meu pensamento traz à superfície do caudaloso leito do rio a tão decantada atitude machista do homem em relação à mulher. A priori, execro esse termo depreciativo, pejorativo e preconceituoso, por ser rótulo indesejado e equivocado. Então, para mim, não existe o homem grosseiro? Claro que existe. E mulheres grosseiras? Não as temos? Mas a quantidade de homens grosseiros é bem maior. Correto.

Perguntemos, então, ao Criador dessa parafernália chamada vida por que nos criou: os homens, fisicamente mais fortes, decididos; e as mulheres, fisicamente mais frágeis, mas, em contrapartida, mais resistentes, ladinas e instintivas. Respondo: Para que se completem, no respeito mútuo. Fácil, não? Claro que não. Esqueceram da nossa empáfia?

Quantos homens batem em mulheres? Quantas mulheres literalmente infernizam a vida dos homens? Não o sabemos, até mesmo porque os registros policiais somente existem pelas queixas de agressão física à mulher. Se o homem registrar na polícia agressões morais e, pior ainda, físicas, sofridas por ele de uma mulher, será naturalmente chamado por elas de “Frouxo”.

Retorno à mesma tecla: falta respeito mútuo. Aquele ditado de que: “Por trás de um grande homem haverá, necessariamente, uma grande mulher” é extremamente falso, preconceituoso e veementemente aplaudido pelas mulheres, todas as vezes em que é citado. A minha forma correta seria: “lado a lado caminham um grande homem e uma grande mulher, que se completam no respeito mútuo”.

Falta humildade para reconhecer o óbvio: ou temos direitos e obrigações iguais ou que vença o mais forte, qualquer que seja o viés de sua fortaleza. Que se pare de dividir e carimbar preconceituosamente homens e mulheres, raças e escolhas personalíssimas, criminalizando particularmente o que assim não deve ser criminalizado. Falo de adultos. Criança é outra história completamente diferente, sobre o que poderemos falar em outra oportunidade.

A legislação deve ser eclética, pela qual todos tenhamos direitos e deveres, na construção de uma sociedade humana e justa. Chega de Lei Maria da Penha, de Parada gay, de legislação para o Menor e para o Idoso. Chega de empáfia e de hipocrisia. Que vença o amor verdadeiro e não o sentimento personalíssimo de nossas obtusas individualidades. Receita de bolo? Absolutamente não. Conquista diária de nosso desenvolvimento espiritual. Que vingue na lida o bom senso e a retidão de propósitos. Que o respeito mútuo seja o alicerce para a verdadeira fraternidade. Somente assim teremos um mundo melhor.Netum esti nihil inverfe reptaqui ut eicatium repe

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar