Desde a década de 30 quando Getúlio Vargas resolveu criar a CLT e os mecanismos de defesa dos trabalhadores, que lhe renderam o título de “pai dos pobres”, vários foram os avanços que tivemos no que se refere aos itens de justiça social no Brasil. Infelizmente temos de reconhecer que estes mesmos fatores acabaram por levar a retrocessos, levados pela incapacidade brasileira de se adequar à evolução social que acontece cada vez mais rápida e intensamente.
Entre as várias inovações que à época chocaram os “barões da produção”, principalmente os produtores de café que dominavam a economia brasileira e tratavam os empregados como escravos, estava a definição do SALÁRIO MÍNIMO. Lá pelos idos da década de 30, o governo estipulava este salário pensando no que seria necessário para a sobrevivência digna do trabalhador, dividindo o mesmo por áreas considerando a diversidade de nosso país.
Quando aconteceu o desastre que foi a constituição de 88 onde os grupos radicais dominaram o pensamento da população mais pobre com ideologia supostamente socialista e inventando porcarias sociais que se mostraram até hoje inócuas e propícias ao roubo e à inoperância estatal, mudaram o conceito do salário mínimo, acreditando que iriam melhorar as coisas para os pobres. Vejam o absurdo a partir do conceito quando a constituição determina que o valor do salário deve ser suficiente para: “São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.
Assim como praticamente toda a constituição, é óbvio que menos de R$ 1.000,00 não é suficiente para manter UMA FAMÍLIA com estes OITO ITENS CONSTITUCIONAIS. Afinal, se está na constituição é um direito inalienável e deveria ser cumprido apesar de estarmos em um país que não da a menor importância para o que diz a sua constituição. Portanto, quando o governo federal anuncia um reajuste do salario mínimo que se apresenta como o menor dos últimos 24 anos, nem mesmo os pobres, a maioria da população e a maioria dos que serão afetados por este absurdo, sentem o peso.
O governo justifica o valor do reajuste com os cálculos técnicos e com a legalidade das fórmulas que foram acertadas com os órgãos estatísticos do Ministério da Economia. O povo rapidamente esquece que faz bem pouco tempo que o poder judiciário e o poder legislativo fizeram os dois, reajustes dos próprios salários, com percentuais bem mais robustos que este do esquelético salário dos desvalidos trabalhadores brasileiros. Neste momento, falando como economista, fico pensando no fosso cada vez maior que se desenha entre pobres e ricos em nosso país, onde se fala tanto em justiça social e aumenta tanto a injustiça.
Na hora de tratar dos trabalhadores, não podemos misturar economia com ideologia pois o sistema econômico brasileiro continua refém de um sistema que emperra as empresas que querem produzir, gerar renda e empregos com uma rede burocrática sem igual e com uma carga tributária que nenhum país se orgulharia. E o pior é que todo este imposto deixa de voltar para a população com os investimentos que deveriam ser obrigação do estado, sendo embolsada nos escândalos que diariamente tiram do povo a própria vontade de buscar uma saída honrosa.
Não aceito o conceito de salário mínimo que foi escrito na Constituição de 88 pois assim como o todo dela, foi o maior engodo que empurraram goela abaixo de nosso povo, mas vejo com tristeza o descaso com que o governo trata o assunto, como se o povo mais pobre não fosse tão digno de atenção como os parlamentares que embolsam mais de R$ 120.000,00 por mês, ou os magistrados que pagam mais de R$ 20.000,00 para motoristas. Olhando por este prisma, os ideais de Getúlio Vargas e daqueles que realmente defenderam a população mais pobre, sem demagogias e radicalismos, devem estar se remoendo em seus túmulos reclamando e dizendo: “este é UM MÍNIMO SALÁRIO!”






