Pensei que não iria durar muito mas a mídia e o governo insistem em bater na mesma tecla de sucesso econômico no fato de ter havido crescimento do PIB em 1% depois de quedas seguidas. Parece um grito de libertação ou um esgar de dor reprimida este numero ínfimo de “crescimento” utilizado para tentar mostrar uma atmosfera de sucesso em uma sociedade e um sistema que acumula tudo o que se pode imaginar de ruim e negativo em termos econômicos, políticos e sociais.
Quem dera que simplesmente os números estatísticos explicassem por si só todo o funcionamento do sistema econômico! Esse sistema por vezes tão simples e simplório quando de sua própria definição, falando de necessidades e satisfações e a utilização de recursos dando ideia de uma simplicidade e facilidade que deixa muitos enganados. Na verdade a economia, a verdadeira ciência Econômica vai bem mais além, pois lida com um elemento chave da formação de qualquer sociedade, o Ser Humano. E nada na natureza é mais complexo e difícil de tratar e explicar que este elemento de necessidades ilimitadas, jamais satisfeito e sempre buscando formas de esgotar os recursos já escassos à sua disposição.
Enquanto os animais irracionais ao buscarem suas satisfações limitam-se às necessidades básicas, como a fome, segurança e procriação, este animal dito racional e inteligente vai muito além, criando necessidades que nem mesmo ele entende de onde vem. Além de satisfazer as suas necessidades básicas, o ser humano busca outras necessidades sociais como a felicidade e o consumo por si mesmo, além de outras como a busca pelo poder e a sede de subjugar outros animais iguais a ele utilizando todos os recursos disponíveis ou não. A política entra neste contexto como um recurso meio que social, meio que econômico para mostrar o que estou falando aqui.
No caso do Brasil tivemos uma verdadeira onda de confusão entre esta conceituação do que seria o econômico, o político e o social, quando na verdade estes conceitos além de estarem agregados são intrínsecos e altamente interligados. O país sofre pelo menos há duas décadas de uma busca por uma posição social através do que seria uma política econômica que além de equivocada em sua base, teve a infelicidade de se mostrar puramente através de índices estatísticos, como se economia fosse uma ciência exata e não a ciência humana que é.
Assim aconteceu quando um governo recente resolveu, para diminuir a pobreza, ao invés de estimular o emprego e a renda, simplesmente reformular o “teto da renda do pobre”. Sim, para as estatísticas, a pobreza começava do zero e ia até o valor do salário mínimo que chegava mais ou menos aos setecentos reais. Então para diminuir o número de pobres no país, bastaria diminuir esta faixa e estabelecer, como foi feito que a pobreza seria considerada quem ganhasse de zero a trezentos e vinte reais. A partir daí começava a faixa de classe média o que já mostra a quantidade de brasileiros que passaram a ser considerados de classe média para as aferições estatísticas.
A questão toda é que para a economia, a verdadeira economia, que em seus preceitos básicos de Política Macroeconômica exige a busca de emprego, distribuição justa da renda, aplicação de recursos entre outras coisas, mudar os índices não significa absolutamente NADA! A pergunta que a verdadeira economia busca por incrível que possa parecer para muitos é: a felicidade dos cidadãos está sendo atingida? Sim, a felicidade cidadã para a economia vem com o emprego, a renda e tudo o que acontece a partir daí.
Não quero questionar o “crescimento” do nosso PIB que as estatísticas tanto alardeiam, quero apenas perguntar aos responsáveis pelas políticas econômicas de nosso país, se é que existem, se podemos considerar um sucesso este crescimento, quando temos milhões de desempregados, dívida pública crescente, capacidade produtiva ociosa e degradada e o país recebendo o selo de MAU PAGADOR INTERNACIONAL. Então afinal estes índices alardeados podem ser considerados em uma economia com vergonha na cara, um SUCESSO OU RETROCESSO?







