Inversão de valores

Em: 5 de julho de 2018
O único hospital psiquiátrico que temos em nossa capital, o Eduardo Ribeiro, teria se negado a dar o laudo para o jovem e internar o mesmo, alegando falta de recursos financeiros e de pessoal para tal função
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O único hospital psiquiátrico que temos em nossa capital, o Eduardo Ribeiro, teria se negado a dar o laudo para o jovem e internar o mesmo, alegando falta de recursos financeiros e de pessoal para tal função

Estamos vivendo em uma sociedade cada vez mais complexa em todos os sentidos onde as dificuldades se avolumam de maneira proporcional às vitórias no campo da tecnologia de todas as áreas. O maior dos problemas na minha visão se concentra no aspecto social da convivência humana que vai ficando cada dia mais difícil por mais paradoxal que pareça, além de atitudes inexplicáveis como a inversão de valores por parte das pessoas.

Ainda esta semana assisti abismado à reclamação de uma mãe que tem seu filho com um grave problema de esquizofrenia, quebrando tudo em casa, tentando inclusive matar pessoas e a mesma solicitou ao sistema de saúde a internação do filho sem sucesso. O único hospital psiquiátrico que temos em nossa capital, o Eduardo Ribeiro, teria se negado a dar o laudo para o jovem e internar o mesmo, alegando falta de recursos financeiros e de pessoal para tal função.

O mais TRISTE desta situação não é o fato em si pois muito mais triste e odioso é saber que fatos similares se multiplicam em nossa região e em todo o país a cada dia. A questão é que coincidentemente este fato ocorre ao mesmo tempo em que o governo gasta mais de cinquenta milhões de reais para ajudar na festa do Boi-Bumbá de Parintins. Logicamente os mais apaixonados pela festa podem querer justificar sobre a necessidade de manter o folclore e a cultura do nosso povo, que por sinal a velha ilha tupinambarana já conseguiu destruir. A pergunta que me faço é a de quantas internações poderiam ter sido realizadas com o valor utilizado para financiar esta festa? Será que não houve neste caso um desvio de prioridades em um momento em que qualquer governo deveria pensar nas reais necessidades da terra?

Não é à toa que nosso país é ridicularizado como o país do futebol e das mulheres, onde os cidadãos esquecem de suas responsabilidades e até mesmo de seus direitos e problemas, desde que um joguinho de futebol aconteça, desde que acompanhado de uma vitória da Seleção Brasileira ou até mesmo do Flamengo. Os valores mais uma vez se invertem pois a cidadania neste caso veste uma camisa com um número atrás e a loucura da torcida afoga todas as desgraças que por vezes deveriam levar todo o povo a lutar em conjunto pela solução.

Trabalho há mais de duas décadas com jovens universitários e acompanhei esta mudança infeliz de nossa sociedade, onde as supostas lutas por direitos adquiridos ou pela aquisição dos mesmos, deturpou a noção de cidadania e até mesmo de amor próprio e de reconhecimento do seu caminho. Imitar os estereótipos ficou mais fácil do que criar modelos próprios e para justificar a lerdeza de pensamento, a acusação das atitudes ditas “antiquadas” passaram a ser meras máscaras a esconder atitudes tomadas sem responsabilidade. Por um tempo esta postura foi enaltecida como até mesmo heroica pelos jovens de época, mas o tempo vai passando e estes alienados sociais passaram a ser os pais de família, os gestores de empresas e infelizmente os políticos que se propuseram a defender a sociedade.

O que esperar hoje de políticos que passaram a juventude toda pregando a quebra de padrões, a desobediência civil e a oposição a tudo e todos sem ter a menor idéia do porque estavam fazendo aquilo? Eu mesmo cheguei a ser professor de pelo menos um destes.

A nossa sociedade passa por um momento bastante complicado e a turbulência política e econômica só piora pela falta de preparo das pessoas que deveriam lutar pelas soluções. Falam a toda hora nas melhoras que estariam acontecendo porém o que se vê é o aumento no número de desempregados, na piora da inflação e do PIB e para piorar ainda mais a variação do dólar não tem sido nada favorável. No entanto os governos continuam bancando DESPESAS ENORMES com suas folhas de pagamento e suas despesas sem explicação, enquanto os hospitais continuam com cidadãos brasileiros morrendo nas filas. As escolas nem se fala, com qualidade PROPOSITALMENTE BAIXA, pois cidadão educado sabe votar e ladrão não quer povo educado, pois este ele não controla.

Só resta por enquanto assistir ao caos que se instalou e esperar uma mudança de atitude que possa vir como uma virada de um jogo de futebol, mesmo que nos últimos minutos da prorrogação, mas que possa se não acabar pelo menos minorar esta ridícula INVERSÃO DE VALORES que está matando nosso país.

Orígenes Martins

É professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio
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