Setor de serviços no Amazonas tem queda em novembro, aponta IBGE

Em: 17 de janeiro de 2019
O setor de serviços do Amazonas perdeu força e amargou números negativos em novembro. As vendas encolheram na comparação com o mês anterior (-3,6%), com novembro de 2017 (-6,4%), e no acumulado do ano (-0,7%). Em 12 meses, a atividade ficou estagnada.
https://www.jcam.com.br/Upload/images/Noticias/2019/salao-de-beleza.jpg
O setor de serviços do Amazonas perdeu força e amargou números negativos em novembro. As vendas encolheram na comparação com o mês anterior (-3,6%), com novembro de 2017 (-6,4%), e no acumulado do ano (-0,7%). Em 12 meses, a atividade ficou estagnada.

O setor de serviços do Amazonas perdeu força e amargou números negativos em novembro. As vendas encolheram na comparação com o mês anterior (-3,6%), com novembro de 2017 (-6,4%), e no acumulado do ano (-0,7%). Em relação aos últimos 12 meses, a atividade ficou estagnada. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quarta (16).

Na receita nominal, os resultados foram ainda piores. Em relação ao mês anterior o faturamento bruto das empresas retraiu 8,5%. Já na comparação com igual mês do ano anterior, a queda foi de 5,5%. A queda não foi suficiente, contudo, para tirar os números dos acumulados do ano (+1,8%) e dos últimos 12 meses do terreno positivo (+2,9%).

Na avaliação do presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, o desempenho pífio dos serviços do Amazonas nos últimos meses se deve principalmente a fatores que inibem a demanda potencial das empresas, como a alta do desemprego e da informalidade de um lado, e a elevada inadimplência de outro.  

De acordo com o dirigente, a construção civil está puxando os números do setor de serviços para baixo. “É o subsetor mais ativo e o maior contratante de mão de obra não qualificada. Infelizmente, a atividade encontra-se desmantelada, com empresas extremamente estocadas e questionamentos na Justiça, em virtude da escalada da inadimplência”, lamentou.  

O presidente do Sifretam (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento de Manaus), Aldo Oliveira, atribui os números negativos à fraca recuperação do PIM (Polo Industrial de Manaus). O Distrito Industrial é o cliente preferencial do segmento representado pela entidade, responsável por 90% do fluxo de negócios das fretadoras.

“Era algo até aguardado, pois o mercado não respondeu. O que vemos hoje é uma ‘troca de mão’, com muitas fábricas usando a capacidade ociosa para terceirizar atividades. E isso não gera contratações, nem demanda para nosso setor de fretamento de transporte de pessoal”, desabafou.

O dirigente destaca que, em virtude do enfraquecimento dos negócios, desde 2014, o subsetor de fretamento não investe na renovação dos 2.300 veículos que atendem Manaus. E pelo menos dez empresas fecharam as portas no ano passado.

O presidente do Sindetur (Sindicato das Empresas de Turismo no Estado do Amazonas), Mário Tadros, também disse que os números não surpreenderam. “Nossa atividade já havia caindo algum tempo. Tivemos até alguma recuperação, mas não em nível suficiente. E o setor de hotelaria sofre problema de excesso de oferta”, ponderou.

Fora do vermelho

Aderson Frota aguarda números melhores e diz que a atividade registrou aquecimento nos últimos dois meses. Mas, ressalta que o setor só vai sair do vermelho quando forem lançadas novas licitações para obras de infraestrutura e as construtoras conseguirem vender a maior parte do estoque acumulado desde 2014.

“Já tivemos lançamentos de imóveis nesse período, com bons reflexos para o varejo local. Esperamos que o novo governo federal melhore o nível de confiança no país e movimente a economia, com aumento de emprego e vendas no varejo”, afiançou o presidente da Fecomercio-AM.

Em tom mais cauteloso, Aldo Oliveira também diz que espera alguma melhora para o setor em 2019. “Esperamos uma reação do mercado neste ano, ainda que em nível percentual pequeno. Porque, se as coisas permanecerem como estão agora, mais empresas de fretamento vão encerrar atividades nesse período”, alertou.

“Deve haver algum crescimento principalmente na área de alimentação. A tendência é de recuperação, até pela melhora no ambiente de negócios do país. O nosso segmento atende mais o cliente do ramo empresarial do que o turista convencional”, emendou Mário Tadros.

No curto prazo, entretanto, as perspectiva não parecem boas para o setor, segundo assinala o supervisor de Disseminação de Informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, no texto da pesquisa divulgada à imprensa do Amazonas, nesta quarta-feira (16).

“A média móvel trimestral (setembro/outubro/novembro) no volume de serviços de -1,4%; não anima um cenário positivo para o fechamento do ano na próxima divulgação (dezembro), o que pode colocar a atividade como aquela que não mostrou crescimento em 2018, no Amazonas”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar