Crescimento da demanda faz preços dispararem ainda mais na entressafra

Em: 30 de novembro de 2007
A valorização não estimulou os vendedores, que optaram por esperar por preços ainda melhores.
A valorização não estimulou os vendedores, que optaram por esperar por preços ainda melhores.

A entressafra de milho deste ano deve ser uma das mais apertadas da história do país. Apesar da colheita de 51,369 milhões de toneladas na safra passada, 2006/07, o crescimento da demanda por parte dos criadores de aves e suínos, resultado do aquecimento do mercado mundial de proteínas animais, e as exportações recordes de milho enxugaram a oferta disponível no mercado interno, o que elevou os preços do grão nas principais praças de comercialização.

No Paraná, principal Estado produtor do país, o preço indicativo para venda na semana passada chegou a R$ 30 por saca de 60 quilos, R$ 10 acima do praticado em novembro do ano passado. A valorização não estimulou os vendedores, que optaram por esperar por preços ainda melhores.

Para eles, os preços tendem a subir ainda mais devido ao atraso no plantio e na colheita das lavouras de verão da safra 2007/08. Historicamente, as lavouras da região Sul começam a ser colhidas em fevereiro, mas o clima não favoreceu o plantio na época correta e as lavouras serão colhidas mais tarde, o que acabará agravando o quadro de desabastecimento.

O presidente da Conab (Com­panhia Nacional de Abastecimento), Wagner Rossi, admitiu que houve um pequeno atraso no plantio da safra, mas disse que agora a estação das chuvas está mais regular. “Teremos uma grande safra de milho. Os números da Conab indicam isso”, afirmou.

A mais recente estimativa da Conab para a safra de grãos, divulgada em novembro, indicou colheita de 37,320 milhões de toneladas de milho de verão na safra 2007/08, crescimento de 2% em relação ao produzido no período anterior. Para Rossi, produtores e cooperativas que ainda têm “estoques especulativos” deveriam desová-los.

“O preço do milho está bom, é muitíssimo remuneratório e as pessoas precisam entender que logo entra a safra de verão, daqui a dois meses, e ai não adianta ter milho estocado não. Vai ser uma grande safra e nós não vamos ter problema nenhum”, afirmou.

Mas produtores e exportadores de carne suína, granjeiros e as indústrias de ração não pensam assim. Temendo a “escassez física” de milho até a colheita das lavouras, eles entraram com um pedido na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para importação de dois mi­lhões de toneladas de milho geneticamente modificado, grão que poderá ser comprado na Argentina ou nos EUA.

O presidente da ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos), Rubens Valentini, disse esperar uma resposta para o pedido ainda neste mês. A importação também depende de aval do CNBS (Conselho Nacional de Biossegurança), que reúne 11 ministros que assessoram o presidente da República nas questões de biotecnologia. Em 2005, a CTNBio e o CNBS autorizaram a importação de 400 mil toneladas de milho transgênico.

Vendas externas

O Brasil nunca exportou tanto milho quanto em 2007. Pa­ra o presidente da Conab, os embarques devem somar 10 milhões de toneladas, mas analistas de mercado apostam que as vendas externas podem chegar a 11 milhões de toneladas. Eles argumentam que há negócios fechados para entrega no início de 2008. Boa parte da procura vem da Europa, que tem interesse pelo milho brasileiro porque o grão não é geneticamente modificado.

No acumulado ano até outubro, os embarques somaram 8,744 milhões de toneladas, crescimento de 175% em relação ao volume de 3,172 milhões de toneladas nos dez primeiros meses de 2006, de acordo com levantamento do Ministério da Agricultura.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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