Aconteceu durante o dia de ontem, no Parque do Mindu, a segunda etapa da 1ª Rodada de Negócios de Artesanato e Turismo para os indígenas do Amazonas, com a participação de dez grandes lojistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió e Belém, que compraram para revender em suas lojas, uma grande quantidade de artesanatos de indígenas dos povos do alto rio Negro: dessana, baré, tukano, baniwa, tariana, kuripaco, yanomami, e pira-tapuia, além de artesãos urbanos.
Nos dias 28 e 29 o grupo de empresários esteve em Benjamin Constant onde adquiriu artesanatos das etnias marubo, matis, maioruna, korubo, kanamari, kulina, katukina, tikuna e kokama, povos do Vale do Javari e alto Solimões.
A rodada de negócios foi organizada pelo Sebrae, com o programa Brasil Original, em parceria com a FEI (Fundação Estadual do Índio), Funai, prefeitura de Manaus (através da Semtepi e Setrab), e prefeitura de Benjamin Constant.
“É uma rodada específica para o artesanato, voltada 100% para o artesanato indígena, inclusive com etnias que nunca tiveram uma oportunidade parecida”, falou Lilian Silvia Simões, coordenadora do programa Brasil Original.
O projeto Brasil Original é desenvolvido pelo Sebrae e tem o objetivo de reposicionar o artesanato perante o mercado. Durante o projeto são feitas diversas capacitações com artesãos para que seus produtos sejam mais valorizados, além de ações para promoção comercial do artesanato.
Em fevereiro, a equipe técnica do Sebrae e do programa Brasil Original realizou oficina técnica com artesãos indígenas de Benjamin Constant, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Atalaia do Norte
Os lojistas foram convidados a vir até Manaus e daqui até Benjamin Constant eles viajaram por conta da FEI. “Essa é apenas mais uma das formas de atuação da Fundação no apoio aos povos indígenas do Amazonas”, falou Edivaldo Munduruku, presidente da FEI.

e pira-tapuia
Mais de R$ 200 mil em vendas
O lojista Ochin Leon Mosditchian, de São Paulo, dono da Galeria Ponto das Artes, estava maravilhado com o que vira. “Não conhecia nada sobre Manaus e o Amazonas e achei fantástico o artesanato produzido aqui. Amei a comida e o povo dessa região”, falou.
“Meu pai imigrou para o Brasil e abriu uma loja de antiguidades, em São Paulo, depois também começou a vender tapetes persas. Quando assumi a loja passei a vender quadros e artesanatos. Hoje em dia os artesanatos para decoração estão em alta. Estou comprando tudo por amostragem. Na minha loja vou ver o que terá mais saída e voltar a comprar aqui do Amazonas”, contou.
Em Benjamin Constant, mais de 120 artesãos participaram do evento, a maioria tikuna e, de acordo com Lilian, foram fechados negócios na ordem de mais de R$ 200 mil. Entre as peças, cestaria, máscaras, lanças, vasos de cerâmica, jóias, redes, dentre outros.
“Antes do meio-dia eu já tinha vendido quase todas as minhas peças”, comemorou a ticuna Rosa Chota D’Ávila, da comunidade indígena Bom Caminho, em Benjamin Constant, que produz cestos e luminárias a partir de fibras de palmeiras da floresta. “Vendi mais de R$ 10 mil em poucas horas”, completou.
“Está sendo uma experiência única para todos nós conhecer, de perto, a arte e a cultura dos povos indígenas. Muitas vezes vendemos as peças, mas não temos noção da rica cultura por trás de cada uma delas. Como comerciante está sendo um excelente negócio; como brasileira, um grande aprendizado”, falou Maria do Carmo Soares, proprietária da loja Encanto do Tear, em Maceió.
Em Manaus, a Rodada de Negócios aconteceu no Parque do Mindu e reuniu indígenas do entorno de Manaus, de Novo Airão, do Rio Preto da Eva, além dos artesãos urbanos não indígenas.
Muito alegre com as vendas

Maria de Jesus é da etnia baniwa. Mora na aldeia Beija Flor, em Rio Preto da Eva, que reúne indígenas tukano, arara e dessana. Seus artesanatos são cestarias feitas com fibra de arumã, além de peças menores feitas com fibras de tucum, além de outras, como bancos, produzidas a partir da madeira leve molongó. No Mindu, pela primeira vez Maria participava de uma feira e já havia vendido ao menos metade de seus cestos.
“Até então só vendia lá mesmo, na aldeia, umas duas, três peças, quando algum turista aparece. Aqui, só agora pela manhã, já vendi essa quantidade toda de cestos. Estou muito alegre”, comemorou.
Já os artesãos urbanos apresentavam ecojóias feitas com sementes, bijuterias confeccionadas com couro, marchetaria, bonecos no formato de animais amazônicos e bonecas indígenas.
“Como se viu, os resultados foram além das nossas expectativas. E estamos falando de negócios imediatos, pagos em cash. A Rodada de Negócios tem o objetivo não só de promover vendas na hora, mas fazer com que os indígenas façam contatos comerciais e se tornem fornecedores permanentes de empresas no resto do Brasil”, concluiu Lilian.







