Líder do governo na Aleam, Joana questiona críticas de Arthur

Em: 1 de junho de 2019
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É inegável que as mulheres nunca estiveram tão empoderadas na política amazonense. Na última eleição, foi eleita para a Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, a maior bancada feminina da história. São quatro deputadas que formam um verdadeiro time de guerreiras, que não “leva desaforo pra casa” e que são adeptas do slogan “ mexeu com uma, mexeu com todas”. Para se ter uma ideia dessa força, a deputada Alessandra Campelo do MDB, é a vice presidente da Casa e a deputada Dra. Mayara do PP é a segunda vice presidente. Além disso, Mayara é a deputada estadual mulher mais votada na história política do Amazonas. Esse time ainda conta com a Professora  Therezinha Ruiz e para completar a bancada, a mais nova líder do Governo, na Assembleia, deputada Joana Darc que assume o cargo,  depois de mais de dois meses, sem liderança na Casa Legislativa. É a primeira vez, também na história política do Estado que uma mulher assume o cargo de líder do Governo.

Sobre a nova líder sua assessoria escreveu que  Joana Darc tem 29 anos é advogada, servidora pública concursada, foi eleita vereadora de Manaus em 2016 para o pleito 2017/2020. Em 2018 disputou as eleições para o cargo de Deputada Estadual, e foi a parlamentar com maior número de votos na capital eleita com 26.816 votos.

Na Assembleia Legislativa Joana já protocolou cerca de 300 requerimentos e apresentou mais de 70 projetos de lei, sendo a deputada com maior produção legislativa. Atualmente está como presidente da Comissão de Meio Ambiente, Proteção aos Animais e Desenvolvimento Sustentável, além de estar a frente da Comissão Parlamentar de Inquérito(CPI) que investiga a oscilação nos preços de combustíveis e possível formação de cartel no Amazonas. Joana Darc é ativista da causa animal, protetora dos animais e voz de várias causas como a das mulheres, meio-ambiente e minorias. Logo após o anúncio, na quinta fiera, de que ela seria a nova líder, Joana Darc, concedeu uma entrevista coletiva. O JC também estava lá.

Jornal do Commercio – Deputada como foi que a senhora chegou a esse cargo?

Joana Darc –  Desde quando o governador anunciou o colegiado de lideranças, eu já estava como vice-líder e naturalmente, ele fez esse convite aos vices líderes quando ficou vago o cargo de liderança e ele já tinha feito esse convite a algum tempo pra mim. Só que eu falei pra ele que precisava amadurecer essa ideia, conversar, alinhar. É preciso pensar  que não é só uma liderança, é uma base que nós precisamos ter na casa, é o apoio dos colegas. Já tem um tempo que ele me fez esse convite. Pelo meu lado eu também já vinha amadurecendo a ideia, dialogando, construindo, colocando também o meu lado, o que eu penso e que isso pudesse ser  respeitado porque eu entendo que a visão que a gente tem hoje da política, que as pessoas esperam da gente, é que a gente não tenha apenas um líder para defender por defender, assim como a gente não precisa hoje ter uma oposição por oposição que faz a crítica pela crítica. Muito pelo contrário, a gente precisa entender que o papel do líder, é que a gente possa fazer interlocução dos problemas que chegam até a casa legislativa. Por exemplo,  quando a gente trata com servidores, que a gente possa fazer também a construção da base para que a gente tem algum apoio quando a gente precisar avançar em algumas pautas que são soluções, que são positivas e acima de tudo, que a gente tenha uma pessoa que faça essa interlocução entre o Poder Legislativo, entre os deputados e deputadas com o Governo. Afinal de contas, nós temos a prerrogativa de que nós fomos eleitos pelo Povo para que a gente atenda as pessoas, traga as demandas e leve elas ao Governo. Meu papel principal é fazer a “liga” dessa ligação entre o Poder Executivo e o Poder Legislativo,  para que a gente possa fazer uma entrega para o Estado.

JC – O que foi alinhado com o Executivo?

Joana – Primeiro, eu pedi um tempo, por que eu precisei organizar a minha vida, as minhas coisas.. Mas, foi justamente esse alinhamento de respeito ao Poder Legislativo, ao Poder Executivo, de atendimento de demandas dos colegas, de posicionamentos que a gente possa vir a ter, e principalmente, esse papel de líder. Nesse ponto, o governador foi uma pessoa que entendeu, durante esse momento de espera, o amadurecimento desse diálogo e dessa construção. O que nós conversamos bastante é que nós podemos ter os pleitos da população que são trazidos pelos deputados, atendidos no Governo e que as demandas, os projetos e que as pautas que precisam ser discutidas na Assembleia, que sejam discutidas com seriedade, com maturidade, com tranquilidade, sem fazer a defesa pela defesa, nem oposição por oposição.

JC – Qual foi a reação do seu partido?

Joana – A minha decisão foi individual, por que eu quero contribuir com os avanços, com o crescimento do meu Estado. Eu entendo que eu fui eleita e eu preciso dar resposta, apresentar solução. Eu não preciso estar apenas na Assembleia Legislativa , fazendo palanque político, ou fazendo pauta. Eu preciso resolver o que chegar até a mim. Com relação ao meu partido, tenho uma situação muito tranquila. Eu sou uma pessoa respeitada no meu partido, porque ganhei esse respeito. Sempre caminhei com as ideologias e com os direcionamentos partidários. Ninguém pode me acusar de não ser uma pessoa que não caminha com o partido, pelo contrário. Por conta disso, ganhei o respeito do partido, do Alfredo Nascimento que é o presidente e do deputado federal Marcelo Ramos que está em Brasília. Mesmo que eles não concordem, eles respeitam minha decisão. O Marcelo concorda que eu tenho que  passar por essa experiência. Quero deixar claro que essa não é uma decisão do partido, foi uma decisão minha com o Governo do Estado e com o Parlamento que eu vivo, diariamente.

JC – Isso implica em sair do partido?

Joana – Eu sou muito tranquila, sou querida pelos correligionários do partido. Tenho o apoio do nosso deputado federal. Eu sei que eu tenho apoio do Alfredo. Eu não quero sair do partido, até o presente momento. Se começar a existir algum embaraço, algum pedido, eu acho que é injusto. Até por que eu já vi coisas acontecendo dentro do partido que não houve esse posicionamento. Mesmo assim compreendo e tenho maior respeito pelo Alfredo que é um político experiente. Vou conversar com ele e acredito que com o tempo essa situação se resolva. Penso que o momento político, exige da gente responsabilidade e exige contribuições. Estou no Parlamento para contribuir, isso não quer dizer que eu tenha que brigar ou fazer confusão dentro do partido. Se ele ficou chateado, acredito que isso vá passar, após uma conversa e com diálogo.

JC – E os problemas do Governo, como defender?

Joana – Quem me conhece, sabe que eu gosto de trabalhar. Tenho sido, desde a Câmara, uma parlamentar muito atuante. Estou assumindo mais uma responsabilidade que quero carregar com toda seriedade. Sou presidente da Comissão de Meio Ambiente e da CPI dos Combustíveis. Minha liderança é para construir. Paralelo a isso, eu tenho meu mandato que tem uma vida própria, independente da liderança do Governo. Todas as minhas atividades vão continuar. Eu gosto de trabalhar. Sou uma mulher que tem competência, que tem responsabilidade. Estou muito feliz de ser a primeira mulher na história política do Amazonas a assumir o cargo de líder do Governo. Isso é uma vitória e significa que alguma coisa está mudando. É mais um desafio que vou encarar. Com relação ao Governo que vem enfrentando  problemas, eu vejo que é um governo que entrou agora e que rompeu com muitos lados políticos e que as críticas vão existir, com certeza. Estamos consciente de que algumas situações não foram bem conduzidas, mas que hoje tenta acertar. Além disso, quando o Governo escolhe uma líder, conversando com ela, entendendo o seu lado, esperando, sem ser aquelas articulações que se conversa com o partido, não se conversa com a pessoa que vai assumir aquele posto, significa também uma mudança de postura e que o Governo está tentando acertar. Nesse ponto eu vou levar com honestidade, com sinceridade de chegar com o governador e ter uma conversa, solicitando se for preciso uma revisão de alguma ação. Posso chegar ao governador e dizer que alguma coisa não está dando certo. Essa vai ser a minha principal função. Eu acredito que a gente tem problemas de décadas que precisa resolver e que comaçam a ser resolvidos. É óbvio que precisa de um tempo. Eu acredito que teremos soluções. Essa será minha contribuição.

JC – Como líder,  como a deputada encara as críticas do prefeito Arthur Neto ao sistema prisional?

Joana –  Hoje eu tenho uma relação muito cordial com o prefeito. Eu entendo que algumas declarações do prefeito não deveriam ser dadas. Até por que ele não pode criticar nenhum, pois ainda não consertou o sistema de transporte público. Eu lembro que na Câmara,  eu votei contra os empréstimos, pois entendia que apenas enriquecia os empresários. Eu não pretendo fazer, o que fizeram comigo. Eu era a principal voz de oposição e várias vezes fui perseguida. Eu vou respeitar os colegas e espero que o Governo e a Prefeitura de Manaus possam caminhar alinhados pelo bem do Estado do Amazonas. Espero que as próximas eleições não atrapalhem as nossas relações.

JC – E a relação com a oposição?

Joana – Eu volto a repetir. Eu vou respeitar os colegas. Eu nunca vi por exemplo, quando eu era vereadora, um secretário de saúde ir de 4 em 4 meses ou pelo menos toda vez que ele é chamado a dar explicações dentro da casa legislativa. O secretário Estadual de saúde têm feito isso, justamente para que a gente possa ter os esclarecimentos que a gente possa propor e que a gente possa tirar dúvidas. Eu acredito,  assim como sempre tem sido uma rotina aqui na Assembleia legislativa, que ele entregue as respostas, como já entregou nas audiências passadas. Inclusive, esses problemas, esse pedido de informação, esse diálogo é permanente. A gente não vai resolver o problema numa só audiência, . tem que ser de forma contínua.

JC –  E a Segurança Pública ? o ministro Moro criticou o Estado.

Joana – O ministro nos  ajudou no momento que nós mais precisamos. Sou muito grata por isso,  por essa ajuda imediata. Com relação à investigação da Polícia Federal,  paralela às investigações que estão acontecendo aqui, acho ótimo. |Por que  assim a gente esclarece, a gente sabe e tem pelo menos duas investigações e duas opiniões. Com  relação às nossas fronteiras, é um problema que não é só da fronteira, não é só da segurança pública é um problema que envolve a ausência de políticas públicas. É um problema que envolve a falta de políticas públicas,  os nossos jovens, que envolve tantas coisas que é preciso que todas as forças se unam.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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