Em vida, o jornalista e empresário Guilherme Aluízio de Oliveira Silva, 82, proprietário do Jornal do Commercio e da Rádio Baré, e presidente do Sindicato das Empresas Jornalísticas no Estado do Amazonas marcou sua trajetória com diplomacia, assertividade, ética e o talento invulgar no trato com os outros.
O deputado estadual Serafim Corrêa lembra o senhor Guilherme como uma pessoa de bom trato, sempre respeitoso e ponderado. O político diz que os dois eram amigos há 50 anos e que, ao longo da vida, sempre teve no jornalista e empresário um bom conselheiro.
“Homens como ele fazem falta em um momento de radicalismos em todos os setores. Perdemos todos nós com sua partida. Meus sentimentos e da minha família à sua esposa Selma e ao filho Sócrates Neto. Que Deus o receba com muita luz em seu reino”, afiançou.

Ao lembrar sua trajetória como jornalista, período em que trabalhou no Jornal do Commercio durante quase dois anos, o senador e vice-presidente da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) da casa legislativa, Plínio Valério (PSDB-AM), destaca que Guilherme Aluízio foi um grande amigo com quem manteve um diálogo próximo.
“Era uma das poucas pessoas com quem eu conversava muito. É realmente uma grande perda. Fui umas duas vezes no programa do Osvaldo e senti a ausência do Guilherme. Não sabia que ele estava doente. Ele era um grande empreendedor e jornalista, com uma visão lá na frente. E vai fazer falta”, lamentou.
Deputado federal, membro titular da CCJ (Comissão e Constituição e Justiça) da Câmara Federal, e presidente da Comissão Especial da Reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PR-AM) diz que o senhor Guilherme sempre dedicou muito carinho e atenção a ele.
“Ele foi importante para o início da minha vida pública, sempre me prestigiando. Foi um jornalista e empresário que teve a vida marcada pelo compromisso com os setores produtivos do Amazonas. Hoje, o Amazonas perdeu um dos seus grandes filhos”, asseverou.

“Figura marcante”
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) conta que o jornalista e empresário foi uma figura marcante para o cenário político do Amazonas, ao transformar o Jornal do Commercio, um periódico que “não tinha classificados”, no segundo veículo impresso em circulação de Manaus, “bem coladinho no primeiro”, em meados dos anos 1980.
“Foi quando nós denunciamos o chamado golpe do ‘colarinho verde’, que resultou na queda do superintendente da Suframa. A campanha foi basicamente de editoriais e artigos que eu fazia diariamente, com repercussão na Radio Baré. Até o ponto em que ficou intolerável para o governo federal manter aquela situação. Quero registrar minha admiração, saudade e pesar ao jornalista Guilherme Aluízio”, explanou.
Procurado pelo Jornal do Commercio, o governador do Amazonas, Wilson Lima, disse, por intermédio da Secretaria de Comunicação Social do Estado, que recebeu com pesar a notícia do falecimento de Guilherme Aluízio. Principalmente pelo legado que o jornalista deixa para o jornalismo amazonense.
“À frente do Jornal do Commercio, um dos mais tradicionais do Amazonas, ele contribuiu muito para a trajetória do jornalismo no Estado, na formação prática de profissionais de comunicação e com toda a inovação que introduziu em seu jornal. Além de grande profissional, também foi um ser humano incrível. Deixo aqui meu abraço aos familiares e amigos neste momento de dor”, destacou.

Qualidade e profissionalismo reconhecidos nacionalmente
Diretor Executivo da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Ricardo Pedreira diz que a entidade recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Guilherme Aluizio. O dirigente acrescenta que esteve recentemente em Manaus, junto com o presidente da ANJ, Marcelo Rech, e pode constatar o imenso respeito que o mercado de comunicação local tinha pelo falecido.
“Ele e o Jornal do Commercio são um exemplo para a indústria jornalística brasileira, que passa por tantas transformações e enfrenta enormes desafios. Em nome da diretoria da ANJ e dos nossos 100 associados, transmito a condolência à família e aos companheiros de trabalho, que certamente continuarão a missão de informar com qualidade e profissionalismo, que marcou a trajetória de Guilherme Aluízio”, frisou.
A importância da atuação do jornalista também não passou batida por seus colegas, empresários de comunicação afiliados ao Sindicato das Empresas Jornalísticas no Estado do Amazonas, a exemplo do vice-presidente do GDC (Grupo Diário de Comunicação), Cyro Batará Anunciação.
“Doutor Guilherme tem uma trajetória de grande importância para a imprensa do Amazonas. Representou brilhantemente os ideais e o interesse do setor por uma imprensa forte livre”, frisou.
Respeito dos trabalhadores jornalistas
A presidente do SJPAM (Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas), Dora Tupinamba, conta que trabalhou por quatro ou cinco anos no Jornal do Commercio, ainda no início da carreira, sob o comando do “doutor Guilherme”, como ele era conhecido entre os colaboradores do periódico. Foi um aprendizado profissional que lhe deu oportunidade de ser a primeira mulher no cargo de editora geral de um grande jornal, ainda que interinamente.
“Pude conhecer e entender a importância do jornalismo econômico, uma editoria muito pouco explorada àquela época. Começamos a desvendar o PIM, tudo motivado por ele e pelas pautas que ele próprio elaborava. Paralelamente à relação funcional, criamos uma amizade que durou. Ele sempre me dispensou um tratamento carinhoso e respeitoso. Quando assumi a presidência do Sindicato, ele se manteve igualmente respeitoso e predisposto à negociação”, reforçou.
Em nota, o SJPAM lamentou o falecimento do senhor Guilherme, que era sindicalizado na entidade sob o número de matrícula 48. O Sindicato reconheceu a importância e o valor histórico de seu legado para o exercício do jornalismo no Amazonas, notadamente no final da década de 1980, quando estabeleceu a Rádio Baré e o Jornal do Commércio como referências nas áreas de economia, política e entretenimento, atingindo grandes índices de audiência.
“Como dirigente do sindicato patronal, Guilherme Aluízio sempre agiu com diplomacia e respeito nas negociações com o sindicato dos trabalhadores, buscando equilíbrio nas deliberações. O SJPAM solidariza-se com a dor de familiares e amigos neste momento de despedida”, concluiu a nota.







