Desemprego de longo prazo cresce no Amazonas, aponta IBGE

Em: 19 de junho de 2019
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A proporção de amazonenses desempregados que procuram trabalho há dois anos ou mais avançou 53,97% na comparação do primeiro trimestre de 2019 com igual período de 2015 – ano inicial da crise brasileira. A fatia de trabalhadores nessa situação avançou de 25,2% para 38,8%.

Há exatos dois anos – desde o primeiro trimestre de 2017 (35,2%) – o percentual de desempregados de longo prazo no Amazonas gira em torno da faixa dos 35% a 39% e responde pela maioria dos trabalhadores desocupados na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.

Os números do Amazonas estão acima da média nacional, como permite concluir a divulgação do estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), a partir da mesma base de dados. Houve um aumento de 42,4% em relação ao primeiro trimestre de 2015 e o desemprego de longo prazo aflige 3,3 milhões de brasileiros.

Os trabalhadores do Norte e do Nordeste sofrem mais com o desemprego de longo prazo do que os do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e os moradores de regiões metropolitanas estão mais expostos a isso do que os das áreas não metropolitanas.

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, chama a atenção para o fato de que o agravamento da taxa de desocupação no Amazonas já vem ocorrendo há vários trimestres e salienta que esse fator contribui para que os trabalhadores amazonenses fiquem mais tempo desempregados.

“Há diversas razões para isso. A primeira e mais grave é a falta de postos de trabalho. Em seguida, vem a ausência de qualificação das pessoas desocupadas para ocupar novas funções diferentes de sua ocupação original. A última diz respeito à formação escolar. Acho que precisa melhorar a pontuação um pouquinho”, lamentou.

Mulheres e jovens

Em nível nacional, as mulheres (28,8%) são mais afetadas do que os homens (20,3%) pelo desemprego de longo prazo. Independentemente de gênero, o problema é mais grave e crescente entre os jovens. O que não impede que 27,3% dos desempregados na faixa etária de 40 anos ou mais esteja nessa situação.

Os contratos de trabalho intermitente (temporário e esporádico) e de jornada parcial (até 30 horas semanais) totalizam 15,5% do total de empregos com carteira assinada gerados a partir da entrada em vigor da Reforma Trabalhista. Das 507.140 novas vagas de trabalho abertas de novembro de 2017 a abril de 2019, 58.630 foram para trabalho intermitente e 19.765 para parcial, em comércio e serviços.

Enquanto a maioria das vagas intermitentes foi destinada aos homens (63,6%), as mulheres formam a maior parcela das ocupações parciais (60,7%). A maioria dessas vagas está concentrada nas empresas de pequeno porte, com até 19 funcionários.

“O empresário não quer contratar mulher porque tem medo que ela engravide e pare de trabalhar. E qual é a unidade de ensino que atualmente qualifica o jovem para o mercado? O último governo abandonou as escolas técnicas. Diferente do que o governo prometeu, a Reforma Trabalhista aumentou o desemprego, ao liberar o trabalho intermitente e precarizar vagas. Está difícil de encontrar algum trabalhador com mais de 40 anos na indústria”, desabafou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana.

Desigualdade e paralisia

A deterioração da economia em geral e dos empregos em particular elevou a quantidade de domicílios sem nenhuma renda proveniente do trabalho. Em torno de 22,7% das famílias brasileiras estão nessa situação, pressionando a taxa de desemprego, já que que outros membros passam a buscar emprego para reforçar a renda familiar. A análise do Ipea mostra, ainda, que a renda dos domicílios mais ricos é 30 vezes maior que a dos domicílios mais pobres.

“Esses números refletem as diferenças brutais na pirâmide socioeconômica brasileira, já que o país ainda padece em termos de distribuição de renda. No nosso caso, há o agravante de que nosso modelo econômico, baseado na Zona Franca e no PIM, ser muito sensível à queda da demanda interna”, ressaltou o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas, Francisco Mourão Júnior.

O presidente do Corecon-AM reforça, contudo, que sem a Reforma Trabalhista, o mercado de trabalho estaria em situação pior, dada a paralisia econômica nacional. “Foi uma mudança que trouxe modernidade, ao reduzir o custo de gerar postos de trabalho. O problema não é a Reforma, mas o fato de que a economia não reagiu de lá para cá”, ponderou.

No texto de divulgação do estudo, o Ipea avaliou que a recuperação do mercado de trabalho vem ocorrendo de forma gradual e só poderá atingir patamares mais expressivos a partir de 2020, dependendo da velocidade de tramitação e da aprovação da Reforma da Previdência no Congresso.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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