FRANCISCO MÁXIMO
Idade: 42 anos
Função: Secretário Executivo de Proteção e Defesa Civil do Estado do Amazonas
Qualificação: Tenente-Coronel QOBM; graduado em Segurança do Trabalho pela Universidade Nilton Lins/2012 e pós-graduado em Desastres pela Universidade do Sul de Santa Catarina/2012 – Unisul
Experiência: Comandante do Comando de Bombeiros do Interior – 2015 a 2017; Chefe da 1ª Seção do EMG; Diretor de Saúde do CBMAM
Área de atividade: Segurança Pública e Ação Social
Alguém já disse que viver na Amazônia é sempre um desafio. No Amazonas, durante todo o ano, um verdadeiro exército de servidores públicos que trabalha na Defesa Civil do Estado, sabe bem o que essa frase quer dizer. Afinal, eles estão, como manda o mandamento número um dos escoteiros, sempre alerta. Seja na cheia ou na seca o importante é garantir às populações ribeirinhas a continuidade da qualidade e muitas das vezes, da própria vida. Na cheia, as águas invadem cidades inteiras. Atualmente, Anamã e Careiro da Várzea, vivem essa dura realidade. Plantações são destruídas e os animais são levados para a terra firme ou ficam esperando nas marombas, durante bom tempo, as águas baixarem. Na seca o isolamento de determinadas comunidades e a mortandade de peixes, assim como a falta de água potável marcam esse período em diversas cidades desse Amazonas Continental que para muitos são os campos do senhor e para outros o inferno verde. Profundo conhecedor dessas realidades, o tenente coronel da Polícia Militar, Francisco Máximo comanda hoje a Defesa Civil do Estado na busca de soluções para problemas que afetam a vida de milhares de pessoas, todos os anos, sempre na mesma época. Um bom exemplo de acordo com ele é a estação móvel de tratamento de água. A estação que está em pleno funcionamento no municio de Anamã, garante água potável para a população e rende uma economia em torno de dois milhões de reais para os cofres públicos. Antes de seguir para mais uma missão, em Iranduba, Francisco Máximo conversou com o JC.
JC – Fale sobre esse sistema que torna a água potável.
Francisco Máximo – Um momento ímpar que o Estado está vivendo. Embora tenhamos água em abundância por conta das numerosas bacias hidrográficas, essas águas, em sua maioria, estão contaminadas ou impróprias para o consumo humano, trazendo inúmeros problemas, inclusive de saúde. O Governo do Estado, sensível a essa situação em que as populações ribeirinhas estão expostas, determinou que buscássemos alternativas para minimizar essa problemática. A solução veio por meio do Salta-Z. Ao invés de levarmos água industrializada, estamos levando purificadores de uso coletivo que permitirá o consumo permanente para essas comunidades de água potável. É a grande inovação deste ano e que foi possibilitada pela inclusão dos purificadores de água de consumo coletivo do projeto Salta-Z, que foram entregues aos 15 municípios contemplados na primeira fase da Operação Enchente. Na segunda fase, serão instalados aproximadamente 200 purificadores nas comunidades mais afetadas, contribuindo na melhoria da saúde e qualidade de vida dessas famílias.
JC- E como funciona?
Francisco Máximo – O sistema Salta-Z foi desenvolvido por servidores da Funasa e também segue o princípio de sustentabilidade, utilizando materiais ecologicamente corretos. Outra vantagem é que o equipamento custa cerca de 25% menos que os modelos tradicionais.
O sistema, que purifica água com tecnologia totalmente brasileira, é considerado uma solução inovadora pela capacidade testada, comprovada e certificada pela Funasa, em purificar água imprópria em água potável. Além de simples, o Salta-Z consegue atender a necessidade de consumo, para beber e cozinhar, de mil pessoas por dia.
O material utilizado para que a água se torne própria para consumo é o cloro na composição de compostos clorados (hipoclorito de cálcio e hipoclorito de sódio – líquidos, granulados ou pastilhas), podendo ter a opção do cloro orgânico.
Dos 61 municípios amazonenses, 40 têm problemas na provisão de água potável, que vão da precariedade do controle operacional e manutenção até a falta de controle de qualidade na distribuição da água para as comunidades mais isoladas.
JC – Qual o balanço da atuação da Defesa Civil nessa enchente?
Francisco Máximo – Para esse atendimento, nomeamos a “Operação Enchente” primeira fase e “Operação Enchente”, segunda fase. Na primeira fase a Defesa Civil do Amazonas, atendeu um total de 15 municípios das calhas do Juruá, Purus e Madeira. Ao todo, 13.436 famílias foram atendidas com ajuda humanitária, que contempla: cestas básicas, kits higiene, kits com redes, lençóis e mosqueteiros, kits de limpeza, colchões, jogos de cama, travesseiros e 92 purificadores de água do projeto Salta-Z. Mais de 8 milhões foram investidos em insumos só nesta 1ª fase.
Os municípios em situação de emergência atendidos na primeira fase da operação Enchente, por suas respectivas calhas, foram: Calha do Juruá – Eirunepé, Guajará, Ipixuna, Carauari, Juruá e Itamarati; Calha do Purus – Boca do Acre, Lábrea, Canutama, Tapauá; e Calha do Madeira – Humaitá, Novo Aripuanã, Manicoré, Borba e Nova Olinda do Norte. Na Calha do Madeira, o total de pessoas afetadas pelas enchentes foi de 51.717. Na Calha do Purus foi de 16.118 e na do Jurá foi 51.407.
JC – E a segunda Fase?
Francisco Máximo – A segunda fase da Operação Enchente está em processo de preparação e resposta e levará em breve a ajuda humanitária as famílias afetadas pela cheia.
Esses são os municípios que estão em situação de emergência ou em fase de decretação, por calha de rio: Calha do Alto Solimões: Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte. Calha do Médio Solimões: Tefé, Jutaí, Uarini, Fonte Boa, Coari e Maraã. Calha do Baixo Solimões: Anori, Anamã, Iranduba, Caapiranga, Manaquiri, Careiro da Várzea Careio Castanho e Manacapuru. Calha do Baixo Amazonas: Parintins, Nhamundá, Barreirinha e Boa Vista do Ramos. Calha do Purus : Beruri.
JC – Os problemas de sua pasta ocorrem todos os anos.Planejamento é fundamental?
Francisco Máximo – Com certeza. Como não existe descontinuidade do trabalho, nós efetivamos o planejado. O que muda são as condicionantes que cada gestor vai colocando, vai implementando para tornar sua gestão mais eficaz. A parte preventiva já vinha sendo trabalhada na gestão passada e continua na nossa gestão. Estamos trabalhando também em outras áreas extremamente importante para darmos proteção aos nossos irmãos amazonenses que vivem essas dificuldades.
JC – E as parcerias com outros órgãos e com as Forças Armadas? Ajudam no trabalho da Defesa Civil?
Francisco Máximo – Por orientação do próprio governador, Wilson Lima, de buscar a transversalidade entre as secretarias que nos permite uma economicidade de recursos. As ações quando são integradas resultam em otimização de recursos humanos e financeiros. Por isso, temos parceria direta com todas a secretarias do Estado, em particular, Casa Militar , Sejusc, Seas, Fundo de Promoção Social, Afeam, Susam e a própria secretaria de Segurança. Essa integração nos permite que quando surge as demandas municipais ou qualquer forma de desastre, nós procuramos, inicialmente, buscar dentro do aparato existente no Estado,os recursos que estão disponíveis para podermos ajudar, com ações complementares, os municípios que porventura apresentem essa demandas provenientes de desastres. No caso das Formas Armadas elas sempre nos apoiaram. Atualmente, por enquanto estamos usando o nosso aparato externo. Sabemos que ao longo esses anos a Defesa Civil sempre operou com as Forças Armadas






