Taxa de desocupação têm melhora no segundo trimestre no Amazonas

Em: 16 de agosto de 2019
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A taxa de desocupação do Amazonas, Manaus e região metropolitana caiu, no segundo trimestre de 2019, em praticamente todas as comparações. A renda global do trabalho avançou em relação ao trimestre anterior, embora tenha ficado abaixo do valor contabilizado no mesmo período de 2018. A melhora no nível de ocupação, contudo, foi acompanhada pelo aumento da informalidade no trabalho. Os dados foram extraídos da PNAD Contínua Trimestral, pesquisa do IBGE divulgada nesta quinta (15).

O percentual de pessoas sem trabalho remunerado no Amazonas passou de 15,9% para 13,9% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2019. Manaus, que encabeçou o ranking no levantamento anterior, reduziu a taxa de 19,4% para 17,7%, mas se manteve a liderança. Já a Região Metropolitana de Manaus reduziu de 18,3% para 16,5%. Houve recuo em relação ao segundo trimestre de 2018 para o Estado (14,2%) e para a capital (16,7%), mas não para a RMM (17,6%). 

O Amazonas ocupou a nona posição em relação às outras unidades da federação. As maiores taxas foram registradas na Bahia (17,3%), Amapá (16,9%) e Pernambuco (16%). As menores ficaram em Santa Catarina (6%), Rondônia (6,7%) e Rio Grande do Sul (8,2%).

Entre as capitais, desta vez Manaus foi acompanhada na primeira posição por Salvador e Macapá – ambas também com 17,7%. As menores taxas de desocupação do Brasil ficaram em Florianópolis (7,5%), Goiânia (7,9%) e Campo Grande (8%).

Em relação às regiões metropolitanas, a taxa de desocupação registrada em Manaus foi a quinta maior. As maiores foram na Grande São Luís (19,5%), RM de Salvador (18,6%) e na RM de Macapá (18,2%). As menores taxas ficaram na RM de Florianópolis (7,9%), de Goiânia (8,6%) e de Curitiba (10%).

Empreendedorismo e informalidade 

O nível de ocupação é representado pelo percentual de pessoas ocupadas em relação àquelas em idade de trabalhar – 14 anos ou mais, conforme o IBGE. No Amazonas, 54,5% estavam ocupadas no segundo trimestre, percentual acompanhado de perto pela região metropolitana (55,2%) e capital (54,5%). Os resultados foram melhores que os do primeiro trimestre do ano – 51,6%, 51,2% e 50,06%, respectivamente.

O número de pessoas ocupadas no Amazonas foi de 1,62 milhão de pessoas, registrando aumento de 76 mil pessoas ocupadas em relação ao primeiro trimestre. A posição de ocupação classificada como “empregado” apresentou o maior número de pessoas ocupadas (869 mil). Mas, houve queda no número de empregados celetistas (354 mil) e aumento na quantidade de amazonenses sem carteira assinada (196 mil) – contra 367 mil e 147 mil, respectivamente.

No total, 551 mil amazonenses trabalhavam no setor privado, 246 mil no setor público e 73 mil atuavam como trabalhadores domésticos. No mesmo período, 557.000 pessoas trabalham por conta própria, sendo que 524 mil (94,10%) não possuíam CNPJ e estavam na informalidade. Já o número de “empregadores” alcançou 43 mil pessoas.

Os recuos se concentraram nas rubricas de empregado no setor privado com carteira assinada (de 367 mil para 354 mil), empregador com carteira assinada (de 28 mil para 23 mil) e trabalho por conta própria com CNPJ (de 38 mil para 33 mil).

Segmentos e renda

Administração pública e serviços sociais foi o grupo que apresentou o maior número de pessoas ocupadas no Amazonas (306 mil), 1,32% a mais do que no primeiro trimestre de 2018 (302 mil). A agropecuária (290 mil) veio em segundo, com alta sobre o trimestre anterior (266 mil). O comércio (289 mil pessoas) ficou na terceira posição e a indústria (179 mil) seguiu na quarta – com incremento sobre o primeiro trimestre (162 mil).

A massa de rendimento dos trabalhadores do Amazonas totalizou R$ 2,49 bilhões no segundo trimestre. Houve alta em relação ao registrado no trimestre anterior (R$ 2,43 bilhões), mas o montante ficou abaixo da marca apresentada no segundo trimestre de 2018 (R$ 2,51 bilhões).

Administração pública, educação, saúde humana e serviços sociais apresentaram o maior rendimento médio (R$ 2.830), seguido pelo grupo da informação, comunicação e atividades financeiras (R$ 2.216) e indústria geral (R$ 1.875). Agropecuária (R$ 498), serviços domésticos (R$ 727) e alimentação e alojamento (R$ 1.161) ficaram nas últimas posições.

Crescimento sem qualidade

Na análise do técnico de informações geográficas e estatísticas e supervisor substituto de disseminação de informações do IBGE-AM, Anderson Lima dos Santos, houve uma melhora global nos números de ocupação/desocupação no Brasil, mas Manaus não conseguiu melhorar no mesmo ritmo. E o peso da administração pública nos municípios do interior, em detrimento de outras atividades econômicas, foi decisivo para sua liderança no ranking.

“Houve crescimento na taxa de ocupação, mas o que se observa é que essa evolução não foi acompanhada pela qualidade das ocupações, seja pela falta de carteira assinada do trabalhador, seja pela ausência de CNPJ do empregador e autônomo, o que aponta para maior informalidade. Vamos ver se a tendência prossegue nos próximos meses”, encerrou.   

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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