Acordo com metalúrgicos é fechado pelas indústrias do PIM

Em: 2 de setembro de 2019
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As negociações entre patrões e empregados nos segmentos metalúrgico, eletroeletrônico e naval do PIM (Polo Industrial de Manaus de Manaus) chegaram ao fim. Após um impasse que durou três meses, sindicatos representantes dos dois lados da mesa bateram o martelo nesta sexta (30), definindo a sorte de 87 mil trabalhadores.

Pelo que ficou acertado entre as partes, as fábricas do polo eletroeletrônico com mais de 1.500 funcionários concederão reajuste de 5% a seu pessoal e plantas industriais com contingente menor terão aumento de 4,7%. Os valores incluem a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (+3,16% no acumulado dos 12 meses encerrados em julho), mais 1,84% e 1,54% de ganho real, respectivamente. 

No caso dos metalúrgicos e do polo naval, as correções foram de 3,16% a 4,64%, dependendo do porte e atividade da empresa – montadoras de motocicletas estão no topo da lista. O percentual que corresponde à correção pelo INPC, acrescida de ganho real não superior a 1,46%, na melhor das hipóteses. A data base das categorias é em 1º de agosto.

“Levamos em conta a inflação do próximo mês para fechar o acordo. O aumento vai gerar mais R$ 250 milhões na folha do Distrito Industrial, um dinheiro que fica no Amazonas, ajudando a rodar a economia”, comemorou o presidente do Sindmetal-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas), Waldemir Santana.

As negociações incluíram também o PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que totalizará R$ 192 milhões, pagos por 196 fábricas do Polo Industrial de Manaus. De acordo com Santana, dependendo da empresa, o benefício corresponde à faixa de 1,5 a três salários mínimos a mais para o trabalhador a cada ano, sendo que algumas fabricantes do polo eletroeletrônico já anteciparam 60% desse valor. 

Crescimento ou recuperação

Antes do acordo, os trabalhadores queriam índice de reajuste de 7,16%, o que incluiria reposição pelo acumulado do INPC no acumulado, além dos acréscimos de 3% de ganho real e de 1% de produtividade. As empresas, por outro lado, acenavam com a reposição da inflação pelo índice do IBGE.

O Sindmetal-AM justificava sua proposta argumentando que, apesar das idas e vindas nos indicadores do setor, projeções de entidades como a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) e a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) sustentavam alta de dois dígitos para 2019. 

Já os sindicatos patronais respondiam que o momento não é de crescimento, mas de recuperação da crise dos últimos quatro anos, não sendo possível dar ganhos reais, já que as empresas ainda tentam engatar uma retomada que não chega para a indústria. 

Os números do IBGE dão um panorama do setor. A produção industrial subiu 1,8% em junho sobre o mês anterior, após a recuperação de maio. Na comparação com junho de 2018, a expansão foi de 5,4%, mas os acumulados do semestre (-0,7%) e de 12 meses (-2,5%) seguem no vermelho.

De janeiro a junho, apenas cinco segmentos fecharam com alta. Entre as linhas de produção das categorias em negociação, apenas a de outros equipamentos de transporte (o polo de duas rodas) seguiu esse caminho e cresceu 8,9% sobre o mesmo período do ano anterior. Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, assim como máquinas, aparelhos e materiais elétricos, amargaram recuos acentuados.

“Acordo possível”

Vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo argumentava que, para atender essa reivindicação, as empresas teriam de cortar ainda mais nas margens de lucro e/ou perder competitividade e mercado, com reflexos na produção e nos empregos. 

O dirigente foi um dos representantes patronais à frente da mesa de negociações. Junto a ele estava o presidente do Cieam e do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco. Conforme Azevedo, não foi possível para as indústrias ir além para atender reivindicações especificas da categoria, a exemplo de creche, auxílio funeral e taxa de lazer, entre outros benefícios trabalhistas.  

“Não foi o melhor acordo para as empresas, mas foi razoável. Felizmente não tivemos greves, apesar dos protestos e paralisações temporárias. Vamos esperar agora que as coisas se encaminhem da melhor forma possível para encerrarmos um ano melhor em 2019”, finalizou Nelson Azevedo, da Fieam. 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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