A graça do Regimento de Policiamento Montado

Em: 24 de setembro de 2019
Há 31 anos a Cavalaria da Polícia Militar presta relevantes serviços à sociedade amazonense
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Há 31 anos a Cavalaria da Polícia Militar presta relevantes serviços à sociedade amazonense

A cavalaria existe desde a Antiguidade, usada como poderosa arma de guerra. Na Idade Média foi utilizada para proteger os nobres, e só os estes podiam ser cavaleiros, função para a qual se dedicavam por toda a vida. Até a Primeira Guerra Mundial, a cavalaria ainda era uma poderosa força dos exércitos, substituída a partir de então pelos blindados, porém, nunca perdeu sua graça, beleza e força.

Em Manaus, a Cavalaria da Polícia Militar existe há 31 anos, recriada em 24 de março de 1988.

“Na realidade, a cavalaria existe em Manaus desde 1838, como Esquadrão de Cavalaria Provincial, enquanto éramos Comarca do Alto Amazonas. Na província surge como Policiamento Ostensivo a Cavalo, em 1876, e Seção de Cavalaria, em 1884. Em 1941 a cavalaria foi extinta”, detalhou o major Muniz, comandante do atual Regimento de Policiamento Montado desde o ano passado.

“Todos os policiais que servem aqui no comando precisam ter algum curso de policiamento montado, principalmente o básico, no qual aprendem a lidar no policiamento de segurança”, falou o comandante.

“Atualmente temos em nosso haras, 24 cavalos, sendo que 18 estão na ativa, nas ruas de Manaus, e seis realizando trabalhos internos, como a equoterapia. Ao menos um já está se aposentando e já não faz mais trabalho algum”, contou.

Um cavalo vive de 25 a 30 anos, “mas trabalhando eles aguentam até os 17 ou 19 anos, porém, depende do animal. Alguns param aos 16, outros seguem até os 23 anos”, disse.

À espera de 40 novos animais

“Quando o cavalo já está se aposentando, é realizado todo um processo para que ele possa ser adotado. Existem vários critérios para tal, como: o adotante deve ter um bom local para o animal viver, bem como alimentá-lo e cuidar bem dele e jamais colocá-lo para trabalhar. Durante dois anos a Polícia Militar faz um acompanhamento do animal para saber se o adotante está seguindo as regras da adoção”, explicou.

“Aqui no haras eles cruzam, nascem, vivem e morrem, inclusive temos um cemitério onde eles são enterrados. Todo ano nascem cavalos e morrem cavalos no haras, mesmo assim, fizemos a solicitação de 40 novos animais para renovar a cavalaria. Estamos aguardando a tramitação da documentação e quando eles chegarem, faremos uma grande festa, pois virão todos de uma só vez, direto de São Paulo”, revelou.

“Posso garantir que em todo o Norte não existe um haras melhor que o da Polícia Militar do Amazonas. Nossos animais comem quatro vezes por dia, às 6h, 10h, 14h e 18h, e comida balanceada: feno, ração, aveia laminada e depois feno novamente. Cada cavalo come, em média, 4 kg por refeição, ou 16 kg no total, num único dia”, listou.

“Temos dois veterinários para cuidar deles e uma equipe que permanece atenta 24 h a qualquer problema que possa acontecer com algum animal. Na área veterinária eles são vacinados, castrados, têm as crias e, quando necessário, lhes são feitas cirurgias”, informou.

A raça da maioria dos cavalos do Regimento é o BH (Brasileiro de Hipismo), formada no Brasil a partir do cruzamento de algumas raças européias como o Hanoveriano, o Holsteiner, o Oldenburger, o Trakehner, o Westfalen e o Sela Francês. Trata-se de um cavalo leve, ágil e de grande porte, com altura superior a 1,65m. Possui excelente mecânica de salto, coragem, inteligência e elegância nos movimentos. É esperto, muito dócil e fácil de lidar.

A relevância da equinoterapia

Quando chega a hora de trabalhar os animais estão sempre prontos para prevenir ações delituosas, ou de choque, como reintegração de posse, obstrução de via, grandes eventos, e até escolta de torcidas. Vão sempre em número de doze.

“A partir dos 3,5 anos eles passam a ser treinados diariamente para não ter medo de fogo, água, foguetes, tiros, multidões, sons altos. Trabalham dois dias e folgam dois. Cada cavalo tem seu montador específico, que cuida dele como quem cuida de um ser muito querido”, afirmou.

“À noite os cavalos fazem parte da Escolinha Tiradentes, de equitação, para jovens de 8 a 18 anos. Muitos dos nossos alunos competem em eventos de equitação”, revelou.

“Agora eu penso que o trabalho mais relevante realizado pelos cavalos para a sociedade amazonense é a equinoterapia. De forma gratuita, hoje, atendemos a 55 pacientes com autismo, Síndrome de Down, AVC, debilidade motora. Mais de 400 pessoas estão na fila, aguardando vaga”, informou.

“Cada paciente pratica a equinoterapia uma vez por semana, durante 30 minutos, acompanhado por psicólogo especialista em equitação, fisioterapeuta, fonoaudiólogo e PM equitador. Crianças autistas que não falam com ninguém, saem daqui sorrindo e conversando. Um rapaz, que havia sofrido um acidente de carro, chegou aqui na cadeira de rodas e saiu andando. Histórias como essas são várias, e mostram o porquê da importância do nosso Regimento de Policiamento Montado”, finalizou.        

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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