Segue até domingo, 29, a 13ª edição da Primavera dos Museus (no caso a primavera, iniciada no dia 23 passado, só tem a ver com o Sul do país), promovida pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) com o tema ‘Museus por dentro, por dentro dos museus’ cujo principal objetivo é envolver públicos e aproximá-los do cotidiano museológico. Em Manaus, com verão a pleno vapor, vale a pena conhecer os nossos museus com opções para todos os gostos.
“Muitas pessoas acham que um museu é um local onde só existem coisas velhas. Isso é falácia. Nos dias de hoje a função principal de espaços museológicos é ter fóruns de debates e conhecimentos sobre uma sociedade. É onde as pessoas se enxergam”, falou Turenko Beça, diretor do Departamento de Museus da SEC (Secretaria de Estado de Cultura).
Somente em Manaus, Turenko dirige dez museus, cinco deles localizados no interior do Palacete Provincial, cada um com sua história, documentos, peças e mobiliário, personagens.
“Apesar de cada um deles ter uma história distinta, todas estão interligadas porque um museu precisa ter política educativa, ser um centro de pesquisas e cursos, promover exposições e eventos. Um museu não pode ser uma instituição estática. As pessoas precisam sentir esse pertencimento com o museu”, ensinou.
Um museu na floresta
Uma simples visita a um museu pode encher de conhecimento uma pessoa, como por exemplo o Museu do Seringal criado a partir do cenário do filme ‘A Selva’, de 2002. Está localizado na Vila Paraíso, no igarapé São João, afluente do Tarumã. Só o acesso até o museu, de barco, a partir da Marina do Davi, já é um belo passeio. O museu retrata exatamente como viviam seringueiros e seringalistas na época áurea do comércio da borracha. É um museu ecológico. Paga-se uma taxa pela travessia no barco.
O Museu Casa de Eduardo Ribeiro mostra bem em que ambiente viveu um dos personagens políticos mais importantes do Amazonas. Apesar de móveis e utensílios não terem pertencido ao governador, que teve seus pertences arrestados, ou ‘arrastados’, por seus inimigos políticos, após sua morte, todos foram confeccionados seguindo rigorosamente o design dos móveis e utensílios daquela época, final do século 19.
Uma ida ao Palacete Provincial vale por seis, e vale mesmo pois, em seu interior estão outros cinco museus (Museu de Numismática Bernardo Ramos, Pinacoteca do Amazonas, Museu Tiradentes da Polícia Militar, Museu de Arqueologia, e Museu da Imagem e do Som). A coleção de numismática, quando ainda sob os cuidados de Bernardo Ramos, chegou a ser uma das maiores do mundo. No acervo encontram-se moedas de todo o planeta, inclusive da época de Cristo. Já o Museu Tiradentes é enriquecido com várias fotos de ações da Polícia Militar em várias épocas. Vai que você encontra a foto de um parente seu exposta numa das paredes.
O Museu do Índio é particular e um dos mais graciosos da cidade, criado pelas irmãs salesianas, ainda na década de 1950. Quando o príncipe Charles esteve em Manaus, pela primeira vez, em 1978, visitou o Museu do Índio. Lá está exposto farto material dos povos do alto Rio Negro onde a ordem salesiana atua até hoje: fotos, peças de artesanato, animais empalhados, máscaras rituais, instrumentos.
O nome Museu da Cidade, no Paço da Liberdade, já diz tudo. É para quem deseja conhecer um pouco mais sobre a história de nossa cidade, o passado inserido num ambiente futurista, computadorizado, interativo, tecnológico. Completa um ano no próximo dia 24 de outubro, aniversário de Manaus.
Acervo do JC desde 1904
No Museu Amazônico, pertencente à Ufam, a riqueza arqueológica de nossa região é mostrada através de belas urnas funerárias e outros artefatos indígenas. A biblioteca do museu possui um dos mais ricos acervos de livros amazônicos do Estado, além da biblioteca de Thiago de Mello.
“Um museu é importante porque nele é guardada a memória da cidade, de um estado, de uma região, de quem viveu ali. É um referencial para que se estude e se conheça melhor a vida das populações”, explicou Dysson Teles, diretor do Museu Amazônico.
“Entre nossos eventos, destaco o Cineclube Museu Amazônico, onde os visitantes não só assistem a bons filmes, mas podem discutir com críticos e diretores de cinema. Em outubro, teremos o mês todo dedicado às crianças, visando formar futuros amantes dos museus”, adiantou.
No Igha (Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas) está guardado o acervo do Jornal do Commercio, desde o número 1, de 1904, além de outros jornais de Manaus sem falar que o museu da instituição está repleto de peças indígenas, fotografias, milhares de livros e revistas sobre a Amazônia, e mobiliário secular, inclusive com as cadeiras originais do Teatro Amazonas.
“Um museu preserva a memória de uma cidade, de seus moradores. O Igha e seu museu são referências até para pesquisadores internacionais que desejam saber um pouco mais sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia”, concluiu Geraldo dos Anjos, membro, ex-secretário geral e ex-presidente do Igha.
Agende suas visitas
Museu do Teatro Amazonas, Musa (Museu da Amazônia), Palácio da Justiça, Centro Cultural Povos da Amazônia (Museu do Homem do Norte), Museu da Catedral.







