Uma família vivendo sobre duas rodas

Em: 30 de setembro de 2019
Paixão pela motocicleta sempre esteve no “DNA” de família, e vem passando de geração pra geração
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Paixão pela motocicleta sempre esteve no "DNA" de família, e vem passando de geração pra geração

“Uma vez conhecida a liberdade de voar nunca esquecemos. Não importa a idade”. A frase expressa de forma categórica a relação da gaúcha Rosângela Gregoletto com a motocicleta. Apaixonada pela emoção e adrenalina de pilotar o veículo, a empresária de 62 anos é exemplo de que uma vida equilibrada sobre duas rodas pode levar uma pessoa com sonhos a lugares muito longe. A motociclista faz parte das 204 mil pessoas habilitadas no estado do Amazonas.

“Andar de moto é esquecer dos problemas. É ser você mesma. Dar asas à imaginação. Esquecer das dores. Esquecer do mundo. Fazendo tudo com muita responsabilidade. É paixão! É amor! Só quem tem uma moto entende o que estou falando”, disse.

Já dizia a cartilha que o sonho de todo jovem é ganhar um carro ao completar 18 anos, correto? Errado. Em 1975, na pequena cidade de Caxias do Sul, Rosângela fez parte de uma geração que lutava para quebrar o tabu de que moto era um transporte que apenas o público masculino poderia usufruir. O espírito ousado e aventureiro, a levou pedir de seu pai como presente de aniversário, a sua primeira motocicleta.

“A paixão por moto é antiga. Eu tinha 18 anos quando ia ganhar um carro mas preferi uma moto. Naquele tempo uma mulher andar de moto no Rio Grande do Sul não era visto com bons olhos. Mas esta foi a única opção. Era única mulher a pilotar moto grande na minha cidade Caxias do Sul”, lembra. 

Entre tantas aventuras e experiências inusitadas sobre duas rodas, Rosângela lembra com entusiasmos os momentos mais marcantes de sua vida. Uma delas foi quando conheceu o amor de sua vida. Se em muitos filmes Hollywoodianos o casal apaixonado se comunica através de cartas, na vida da gaúcha, o processo foi um pouco mais inovador. A motocicleta foi o verdadeiro elo entre ela e sua eterna paixão pelo seu falecido esposo José Carlos Cembrani.

“Nós nos conhecemos quando eu tinha 9 anos no colégio e só nos reencontramos muito tempo depois. E foi por causa da moto que ele tinha. Eu ainda não tinha a minha, mas eu era apaixonada por moto. Aí juntou o útil ao agradável e começamos a namorar. Fui o primeiro amor da vida dele e estudamos na mesma universidade, juntos. A partir daí foi construída uma linda história”, disse.

“Quando chegamos à Manaus nosso transporte era uma XL250. Uma Cross sem partida elétrica, quem conhece moto sabe o que acontece se o pedal retrocede. Isso aconteceu muitas vezes. A dor é muito grande. Durante toda a minha gravidez pilotei esta moto. Inclusive fomos a maternidade de moto o bairro Campos Elíseos na Zona Centro-Oeste da cidade ao Hospital Adventista, no Distrito Industrial. E assim nasceu a Carol quase em cima de uma moto. Não poderia ser diferente amante de moto também. Com o tempo adquirimos motos mais possantes para fazermos viagens. E o José Carlos… um verdadeiro apaixonado por moto custom. Conhecemos muitos lugares e cidades do interior”, lembra. 

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DNA da família

A história não acaba por aí, a paixão pela motocicleta sempre esteve no “DNA” da família, e vem passando de geração pra geração. Do fruto do amor de Rosângela e José nasceram os filhos Caroline e Rodrigo Gregoletto, duas almas totalmente devotas ao veículo de duas rodas. Para Caroline, a motocicleta é um estado de espírito tanto para o lazer quanto para a adrenalina tanto. Uma verdadeira terapia para esquecer os problemas e relaxar.

“Praticamente nasci em cima de uma moto, e não poderia ser diferente. Sou apaixonada assim como meus pais. Quando estou em cima de uma motocicleta, principalmente em uma estrada, eu consigo refletir sobre minha vida, sobre os meus desejos, minhas atividades e sobre como posso fazer para ser uma pessoa melhor e corrigir meus erros. Eu consigo fazer uma autoanálise de tudo”, conta.

Aos 29 anos, Caroline conseguiu realizar seu grande sonho: o de pilotar uma moto com vestido de noiva. Se nos contos de fadas as princesas chegam ao casamento dentro de uma linda carruagem puxada pelo mais belo cavalo, na vida da manauara, a história foi bem diferente. O ronco do motor entoou no salão de festas do seu casamento, quando ela chegou à recepção pilotando uma bela motocicleta. 

“Foi emocionante ver todos os motociclistas presentes e emocionados com a minha chegada. Consegui ver a felicidade no semblante de todos os apaixonados por duas rodas. Na verdade, eu estava muito insegura em ir até à festa do casamento de moto. Porém, consegui fazer com que meu noivo tornar-se um apaixonado por duas rodas a pouco tempo. Então para me prestigiar, ele pediu para chegarmos de moto no evento. Não tive como negar esse pedido tão lindo”, disse.
 

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Saudades

As pessoas usam o melhor que tem para lembrar de situações marcantes em suas vidas. Uns usam a fotografia e eternizam em uma imagem o momento inesquecível ao lado de uma pessoa amada. Outros, eternizam o momento por meio de palavras escritas em um livro. Para Carolina, a motocicleta nada mais é do que a forma que a deixa mais próxima de seu falecido pai.

“Eu consigo lembrar de quando eu passeava com meu pai quando ele era vivo. Eu consigo lembrar de como eram nossas viagens e consigo sentir um pouco dele, o que para mim, é muito importante. Com a minha família isso fica muito mais evidente e fica muito mais forte. A motocicleta faz parte de mim e daquilo que sou. Quando estou triste ou quando estou feliz ela sempre está ali para me ajudar de alguma forma, quando estou triste eu piloto e minha mente se distrai, quando estou feliz piloto e extravaso minha alegria”, conta.

Setor duas rodas

Segundo dados de agosto da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), as vendas de motocicletas no atacado – das fabricantes para as concessionárias – somaram 104.649 unidades em agosto, representando um aumento de 10,2% ante as 95.004 unidades vendidas no mesmo mês de 2018. Na comparação com julho, o avanço foi de 20% (87.240 unidades).

De acordo com levantamento do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) analisado pela Abraciclo, em agosto foram licenciadas 88.625 motocicletas. Os dados do Renavam mostram que, de janeiro a agosto, foram emplacadas 708.707 unidades, correspondendo a um crescimento de 14% ante as 621.861 motocicletas licenciadas no mesmo período de 2018.  A média diária de vendas em agosto, que teve 22 dias úteis, foi de 4.028 unidades. Esse foi o melhor desempenho para o mês desde 2015 (4.676 unidades/dia).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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