A corrente de comércio exterior do Amazonas voltou a crescer em setembro e passou de US$ 916.64 milhões (2018) para 974.77 milhões (2019). A alta foi sustentada pelas importações, mas as exportações foram puxadas para baixo pela queda na demanda argentina e pela menor venda de motocicletas no estrangeiro. Os dados são do Mdic (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) e estão no portal Comex Stat.
As vendas externas do Estado caíram 25,41% no confronto de setembro com igual mês do ano anterior, após registrar quatro meses de expansão, totalizando US$ 54.29 milhões (2019) contra US$ 72.79 milhões (2018). O acumulado, que havia saído do vermelho em agosto, voltou a mergulhar, ao passar de US$ 506.64 milhões (2018) para US$ 495.51 milhões (2019), uma diferença de 2,20%.
Em contrapartida, o saldo das importações avançou em setembro, após o retrocesso experimentado em agosto (-7,70%). Com US$ 920.49 milhões (2019) contra US$ 843.85 milhões (2018), a alta foi de 9,08%. Em nove meses (US$ 7.85 bilhões), a diferença foi positiva em 1,42% em relação ao mesmo acumulado de 2018 (US$ 7.74 bilhões), sendo o terceiro resultado positivo de 2019 para o Estado neste tipo de comparação.
Destino tradicional dos produtos do Amazonas, a Argentina reduziu suas compras em 72,87% em setembro, de US$ 24.51 milhões (2018) para US$ 6.65 milhões (2019), puxando as exportações do Estado para baixo. O ranking foi encabeçado pela Venezuela (US$ 12.80 milhões), que aumentou em 7.399,57% suas aquisições no Estado em relação a setembro de 2018 (US$ 170.693). A Colômbia (US$ 7.58 milhões) compareceu na segunda posição, mas o número foi inferior ao de 12 meses atrás (US$ 11.32 milhões).
Entre os produtos mais exportados pelo Estado em setembro, o maior impacto negativo veio das exportações de motocicletas do PIM, que não passaram de US$ 7.21 milhões, 67,71% a menos do que em 2018 (US$ 22.33 milhões). Concentrados para refrigerantes (US$ 12.95 milhões) voltaram a liderar a pauta, sendo seguidos por motos e óleo de soja (US$ 3.95 milhões) – que não havia comparecido na lista no mesmo mês do ano passado.
PM e importações
Do lado das importações, o principal país fornecedor para o Amazonas em agosto seguiu sendo a China (US$ 355.07 milhões), sendo seguida por Estados Unidos (US$ 125.85 milhões), Vietnã (US$ 86.51 milhões) e Coreia do Sul (US$ 78.79 milhões). Com exceção deste último país, todos aumentaram suas vendas para o Amazonas na comparação com setembro de 2018.
Os produtos mais adquiridos pelo Estado no mercado estrangeiro foram insumos industriais para o PIM. Partes e peças para televisores e decodificadores (US$ 151.22 milhões), circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos (US$ 109.38 milhões) e celulares (US$ 73.92 milhões) foram as principais importações. Apenas o segundo item recuou em valores, no confronto com setembro de 2018 (US$ 137 milhões).
O gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima, considerou que os números de importação do Amazonas ficaram dentro do esperado, em virtude da aguardada expansão no nível de atividade da indústria, com o consequente incremento na compra de insumos – especialmente para o polo eletroeletrônico. A retomada das aquisições no estrangeiro faz mais sentido, conforme o dirigente, dada a retração no mês anterior e sinaliza necessidade de reposição de estoques.
Argentina e Venezuela
No caso das exportações, a avaliação é diferente. O gerente executivo do CIN diz que uma queda nas compras da Argentina era esperada, dada a crise econômica e instabilidade política do país andino, agravada pelas incertezas proporcionadas por um quadro eleitoral hostil aos interesses do mercado. Mas o nível da retração surpreendeu Lima.
“A maior surpresa veio mesmo da liderança da Venezuela na pauta de exportações do Amazonas. Principalmente porque 90% das compras foi de produtos alimentícios que não são produzidos aqui, como óleo de soja e açúcar. A exceção veio dos concentrados, mas foi muito pouco. Esses produtos estão faltando lá”, ressaltou.
De acordo com Marcelo Lima, há dois meses, dois representantes de redes de supermercados da Venezuela estiveram na sede da Fieam para uma reunião com atacadistas do Amazonas, mediada pelo CIN. Embora saliente que não acompanhou o encontro, o executivo avalia que um acordo pode ter surgido daí.
“Se não fosse por isso, a situação seria pior. Não sei explicar o que houve em setembro. As exportações costumam aumentar em agosto e permanecer assim até dezembro. O contencioso comercial entre China e Estados Unidos e seu efeito no câmbio pode ter influenciado. Se for assim, as perspectivas não são boas. Ainda mais que outro parceiro comercial importante para o Amazonas, o Peru, está passando por uma crise política com desdobramentos imprevisíveis”, concluiu.






