Interior do Amazonas sofre queda na criação de empregos

Em: 29 de janeiro de 2020
Além de Manaus, 16 das 21 cidades do Amazonas tiveram saldo negativo em dezembro
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Além de Manaus, 16 das 21 cidades do Amazonas tiveram saldo negativo em dezembro

A criação de empregos formais no interior do Estado sofreu revés na reta final do ano. Além de Manaus, 16 das 21 cidades do Amazonas listadas pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e reduziram o saldo de empregos com carteira assinada entre novembro e dezembro, ao extinguir 234 vagas. No mês anterior, o número de localidades com demonstrativo mensal negativo de ocupações formais não passou de sete.

A lista inclui Autazes, Benjamin Constant, Borba, Careiro, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Maués, Parintins, Tabatinga e Tefé, além da capital. O pior saldo do interior entre novembro e dezembro ficou em Itacoatiara (-57 ocupações) e a maior variação negativa em Benjamin Constant (-6,47%). Os únicos municípios que fecharam no azul em dezembro – e também no acumulado – foram Boca do Acre, Nova Olinda do Norte, São Paulo de Olivença, Coari – que teve o maior saldo (+8 vagas) e São Gabriel da Cachoeira – que apresentou o maior índice (+1,89%).

No acumulado dos 12 meses do ano, apenas Benjamin Constant (-3,80% e -9 postos de trabalho) e Eirunepé (-3,96% e -9) eliminaram empregos. Entre os resultados positivos, o melhor desempenho em número de vagas celetistas criadas foi registrado em Manacapuru (+184), seguido por Iranduba (+132), Tefé (+111) e Tabatinga (+104). As maiores variações foram detectadas em Autazes (+11,48%), Manicoré (+10,26%) e Nova Olinda do Norte (+9,15%).

No corte municipal, o Caged aponta que o Amazonas perdeu 3.376 empregos com carteira assinada na passagem de novembro para dezembro, registrando retração de 0,75% em comparação com o estoque anterior, após seguir dez meses de alta. Manaus (-3.142) respondeu por praticamente todos os cortes, com recuo de 0,74%, na mesma comparação. No acumulado, foram criados 11.481 postos de trabalho celetistas, gerando crescimento de 2,62%.

Contas públicas

Dos três setores econômicos dominantes no interior, indústria extrativa mineral (-1,36% e -23 vagas) e agropecuária (-12,55% e -552) amargaram queda na comparação mensal e um pontuou estabilidade – administração pública, com um empate de seis desligamentos e seis admissões. No acumulado, a atividade extrativa mineral cresceu (+11,83% e +177), enquanto os setores rural e público amargaram recuos respectivos de 8,88% (-384 empregos) e 0,18% (-21).  

Se o clima de muitas chuvas e cheia rigorosa não ajudou na agropecuária, a administração pública não escapou de sofrer o impacto das contas públicas: 34 municípios aparecem em situação crítica, 21 em estado de dificuldade e só quatro com o balanço no azul, conforme o mais recente IFGF (Índice Firjan de Gestão Fiscal) 2019, compilado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

Vocações fortalecidas

Em conversa com o Jornal do Commercio, o prefeito de Itacoatiara, Antonio de Oliveira Peixoto, atribui os números positivos de postos de trabalho no acumulado do ano ao dinamismo dos polos graneleiro, madeireiro e portuário, mas defende que o poder público não pode conter o desemprego com a folha de pagamento da prefeitura. O político diz que o setor primário também está tendo resultados positivos, com a pecuária de corte e a produção de abacaxis. 

O prefeito de Iranduba, Francisco Gomes, considera que a melhora dos empregos no município se deu pela retomada do polo oleiro. O segmento vinha sofrendo desmonte e chegou a perder 30% de suas empresas, em função de problemas ambientais no processo produtivo e da alta dos custos. A chegada do verão, segundo ´ Chico Doido´, ajudou o setor, embora o segmento hortifrutigranjeiro – outro destaque de Iranduba – tenha demorado mais para se recuperar e ainda perca espaço para o avanço da venda de loteamentos. 

Crise e realidades

A Prefeitura de Eirunepé ressaltou, por meio de nota de sua assessoria de imprensa, que a recessão afetou todos os municípios brasileiros, ainda mais os do Amazonas, “que enfrentam dificuldades econômicas, logísticas e financeiras”. Acrescentou ainda que a gestão municipal vem empregando pessoas em diversas frentes de obras, além de fomentar o setor primário, principal atividade econômica de Eirunepé, com destaque para cana de açúcar, farinha e pescado.

O presidente da AAM (Associação Amazonense de Municípios), Júnior Leite, reforçou ao Jornal do Commercio, em mais de uma oportunidade, que a entidade atua em conjunto com as prefeituras para conter o gargalo da geração de empregos no interior. “Cabe à AAM propor novas vias, mas cada gestor deve desenvolver e adotar os modelos e práticas que julgar mais corretos para a realidade de sua localidade”, concluiu.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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