Bolsonaro e a Petrobras Parte 3

Em: 30 de janeiro de 2020
O petróleo superleve, comum no Oriente Médio, é mais competitivo à indústria petroquímica mundial
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O petróleo superleve, comum no Oriente Médio, é mais competitivo à indústria petroquímica mundial

“O grande crime da Economia humana é que ela esqueceu do Espírito de Solidariedade”. Paiva Netto

Estas palavras do jornalista e diretor-presidente da Legião da Boa Vontade – LBV, em 25 de janeiro de 1986, me intuiu a refletir ao longo do percurso deste artigo sobre a importância da construção de uma Economia baseada na paz, solidariedade e respeito entre as Nações.

Com a pergunta de partida “a quem interessava um presente conflito armado no Irã? ”, passamos a compreender que os propósitos bélicos presenciados no início de 2020, estão diretamente relacionados ao impacto do anúncio da descoberta, em novembro de 2019, de um novo campo de petróleo no Sul daquele país persa.

O óleo de qualidade superleve, presente na região do Oriente Médio, é muito valorizado no mercado mundial, pois dele, para fazer gasolina, precisamos apenas de um simples processo de refino. Processado, o combustível já está em condições de ser transportado ao posto de abastecimento.

O petróleo mais pesado exige na refinaria, por sua natureza, um primeiro processo industrial de quebra da cadeia de hidrocarbonetos. Só depois, em pedaços menores, é possível a produção de gasolina.

Em resumo, o petróleo superleve, comum no Oriente Médio, possui uma cadeia de hidrocarbonetos pequena, que, portanto, o torna, enquanto insumo, mais competitivo à indústria petroquímica mundial.

Nos estranha muito o alerta dado pelo presidente Bolsonaro, provavelmente provocado por informações da atual Diretoria da PETROBRAS, de que, com o conflito no Irã, o preço da gasolina nas bombas poderia aumentar contagiado pela “oscilação bélica” de aumento do preço do barril de petróleo praticado pela Organização de Países Exportadores de Petróleo – OPEP.

Embora não seja um especialista no Setor de Óleo e Gás, há pessoas na Petróleo Brasileiro S.A. muito mais competentes, inclusive sugiro a leitura dos artigos e excelentes discussões da Associação dos Engenheiros da Petrobras – AEPET (www.aepet.org.br), posso entender as pressões que o Governo Trump vem recebendo desde novembro de 2019, do setor petrolífero ianque, especialmente, daquelas industrias que produzem óleo através de uma rocha que chamamos xisto (shale oil). Este segmento da economia norte-americana não se viabiliza comercialmente, enquanto os preços do barril praticados pela OPEP estão baixos. Assim, na lógica capitalista selvagem, conflitos armados sustentam preços altos.

Quem quiser ler mais os preços do shale oil nos Estados Unidos sugiro a leitura do artigo “Game Changer: US Shale Now Second Cheapest Source of New Oil Supply” de Erin Mundahl, publicado em 14 de maio de 2019, no site ENERGYINDEPTH (www.energyindepth.org).

A descoberta de novas reservas de petróleo pelo Irã trazia uma promessa de paz àquela região, pois na lógica do Capitalismo e do Livre Comércio, mais produto ofertado, menor preço do barril praticado. Em nossa Sociedade mundial dependente dos combustíveis fósseis em suas diversas atividades, temos, portanto, melhores oportunidades de desenvolvimento econômico com harmonia em períodos de preços baixos do barril de petróleo.

É até vergonhoso, senão míope, a atual Direção da PETROBRAS não ver e oferecer uma alternativa simples ao presidente Bolsonaro, bem menos dependente dos preços comercializados pela OPEP.

Por que não inserir nas bombas de gasolina um percentual maior de biocombustível na mistura, um adicional de 5% de álcool, por exemplo, insumo que produzimos no Brasil, inclusive, somos autossuficientes e exportadores?

Nossa população já sente o peso do preço da gasolina na vida diária. Converse com nossos trabalhadores de transporte por aplicativo. Estamos pagando no Amazonas, em alguns municípios isolados, quase R$ 6,00, o litro da gasolina; em Cruzeiro do Sul (Acre), R$ 5,40. Esta nossa realidade insustentável demonstra uma visão financista da atual Diretoria da PETROBRAS, desrespeitosa com a população brasileira.

Além de desconhecer os avanços e o protagonismo brasileiro no Programa Nacional do Álcool – o Proálcool, desde o Governo Geisel (1975), a PETROBRAS parece também não estar acompanhando sequer as recentes movimentações de investimentos na Amazônia, de projetos como as Plantas Industriais de Biocombustível do Grupo Millenium Energia, que transformarão por ano, quando em operação, toneladas de milho em milhões de litros de álcool brasileiro, nosso combustível renovável, de baixa emissão de carbono e, acima de tudo, pacífico.

O projeto da Millenium foi uma das ações anunciadas pelas redes sociais na prestação de contas da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA, Ministério da Economia, em 2019. (Continua)

Aos que quiserem ler os artigos já publicados, pode acessá-los através de:leia aqui

*Daniel Borges Nava é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia

Daniel Nava

Pesquisador Doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade da Amazônia do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia da UEA, Analista Ambiental e Gerente de Recursos Hídricos do IPAAM
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