“Legião da Boa Vontade:
Sabeis Amigos o que é?
Ideal de Fraternidade
Dos que tem a grande fé.
Legião dos Evangelistas
Que lutam com destemor
E abraçam os materialistas
Distribuindo Pão e Amor […]”
Com este espírito de Regeneração expresso no Poema da Fraternidade Real, que o jornalista, radialista, escritor, poeta e ativista social Alziro Zarur (1914-1979), em pleno período pós 2 ª Guerra Mundial, fundava no Rio de Janeiro/RJ em 1 º de janeiro de 1950, a Legião da Boa Vontade (LBV).
Em suas primeiras reuniões no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), apresentando e discutindo os objetivos da LBV com representantes de várias crenças religiosas e campos do pensamento filosófico, foi de Pietro Ubaldi (1886-1972), filósofo italiano, a definição da grandeza dos propósitos de uma Organização não governamental que dava os primeiros passos no Brasil: “a LBV é um movimento novo que colocará o Brasil na vanguarda do mundo”. Profetizava Ubaldi, pois hoje, a LBV é benchmarking mundial nas áreas da Assistência Social e da Educação.
Ao completar seus 70 anos de trabalho, a LBV que é dirigida pelo jornalista, radialista, escritor e compositor José de Paiva Netto, vem desempenhando importante contribuição ao combate da pobreza, demonstrando que a verdadeira e completa Assistência Social faz da Educação do corpo e do espírito instrumento poderoso de transformação à erradicação das desigualdades e indiferenças numa “humanidade que tanto necessita de humanidade”, tese defendida por Paiva Netto.
Eu fui um Soldadinho de Deus da LBV. Carinhosamente, a Instituição assim cuida e chama as crianças atendidas em seus Centros Comunitários e Institutos de Educação, formados a partir da Pedagogia do Afeto e da Pedagogia do Cidadão Ecumênico, proposta inovadora criada pelo educador Paiva Netto, transcrita em seus princípios no livro de autoria dele É Urgente Reeducar! – Cuida do Espírito, reforma o Ser Humano. E tudo se transforma, publicado em 2010.
Aos professores, como eu, ou profissionais que trabalham com Educação, considero a leitura do livro indispensável. E os resultados da proposta pedagógica da LBV respondem por si só: não há evasão escolar nas suas instituições de ensino, indicador sensível à educação brasileira, provavelmente, fruto da estratégia grifada na entrada do Instituto de Educação José de Paiva Netto, localizado em São Paulo/SP: “Aqui se estuda. Formam-se Cérebro e Coração”; o mesmo Instituto que de acordo com o site melhorescola.com.br entrou em 1 º Lugar no ranking das melhores escolas particulares e filantrópicas da capital paulista.
Com 82 unidades nas cinco regiões brasileiras e presença em 14 localidades do exterior, por meio da LBV da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, da Bolívia, de Portugal e dos Estados Unidos da América, além de simpatizantes da causa pelo mundo afora, a LBV ou Legion of Good Will – LGW como é conhecida na Organização das Nações Unidas – ONU, tem exercido, pela abrangência de seu trabalho, um papel de protagonista nas Reuniões de Alto Nível do Conselho Econômico e Social (ECOSOC/ONU).
A LBV é uma organização da sociedade civil do Brasil com status consultivo geral dentro do ECOSOC desde 1999 e associada ao Departamento de Comunicação Global (DCG) desde 1994.
Relembro com carinho o convite recebido para representar o Amazonas em 2012 na Conferência das Nações Unidas pelo Meio Ambiente – Rio+20, em um seminário realizado no auditório do RIOCENTRO, organizado e coordenado pela LBV.
Estava à época, secretário de estado de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas e pude contribuir nas discussões sobre a gestão estratégica dos Recursos Hídricos no Planeta e suas relações com a erradicação da extrema pobreza.
Em um breve resumo, assim recomendei pontos que precisariam estar preservados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 06 – assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todas e todos: 1) respeitar e conhecer o conceito do Ciclo das Águas; 2) valorizar os planos diretores de gestão das águas, especialmente, os de Saneamento, como instrumento de promoção de Saúde Pública Urbana; 3) promover nas águas amazônicas, um plano industrial de produção de alimentos a partir das proteínas do nosso pescado; 4) o enfrentamento da 3 ª Guerra Mundial silenciosa, pois dados da Organização Mundial de Saúde – OMS em 2012, apontavam que 1,5 milhão de crianças morriam por ano por falta de acesso à água.
A matemática era e nos parece atual: no intervalo de 20 anos entre as conferências ocorridas no Rio de Janeiro (RIO 92 – 1992 e RIO+20 – 2012), havia morrido 30 milhões de crianças menores de 1 ano de vida, o mesmo número de vidas desaparecidas na 2 ª Guerra Mundial.
Minha gratidão eterna à LBV e meus agradecimentos aos colaboradores que ajudam com suas doações voluntárias. Com a ajuda do povo brasileiro, a Instituição alcançou números extraordinários em 2019: os donativos se transformaram em mais de 13,6 milhões de atendimentos e benefícios prestados durante 365 dias do ano nas cinco regiões brasileiras.
Parabéns à LBV pelos seus 70 anos de fundação! Parabéns aos legionários e aos voluntários da Boa Vontade espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Que venham mais décadas de trabalho por “um Brasil Melhor e uma Humanidade mais Feliz”, lema da LBV!
Nossa saudação legionária: “Deus está presente! Viva Jesus em nossos corações para sempre!”.
*Daniel Borges Nava é geólogo, analista ambiental e professor doutor em Ciências Ambientais e Sustentabilidade na Amazônia







