Em Manaus, o índice de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) recuou 1,6% entre janeiro e fevereiro, interrompendo quatro altas mensais consecutivas, e trilhando caminho oposto ao crescimento da média nacional (+1,2%). Diferente do Brasil, contudo, a capital amazonense ainda tem níveis positivos de satisfação do consumidor. Os dados são da pesquisa da CNC, disponibilizados nesta terça (18).
O ICF de Manaus atingiu 105,9 pontos – contra 107,6, no levantamento anterior –, mantendo-se na zona considerada de satisfação (igual ou acima de 100 pontos), onde está desde fevereiro de 2019 (102,9 pontos). Na média nacional, o indicador ficou em 99,3 pontos e avançou 0,8% no comparativo anual. Foi o maior nível brasileiro desde abril de 2015 e o melhor resultado para meses de fevereiro em cinco anos, mas seguiu no nível de insatisfação.
Apesar da queda, apenas três dos sete componentes do ICF retrocederam em Manaus: Renda Atual (-12,2%), Compra a Prazo/Acesso ao Crédito (-9,2%) e Emprego Atual (-6,9%). Em sentido inverso, Momento para Duráveis (+9,2%), Nível de Consumo Atual (+3,4%), Perspectiva Profissional (+2%) e Perspectivas de Consumo (+1,4%) foram positivos, embora com percentuais menores do que no mês anterior. No Brasil, apenas Momento para Duráveis (+5,4%) recuou na variação mensal.
A capital amazonense aparece levemente descolada da média da região Norte (-0,4% e 100,5 pontos). O maior grau do ICF aparece no Sul (105,9) – que subiu 0,5%. No segundo lugar, o Centro-Oeste (+0,7% e 100,7) foi a região que mais retrocedeu. O Sudeste avançou 2,3%, mas seguiu na insatisfação (99,5), enquanto o Nordeste apresentou a menor pontuação (94,9), embora tenha conseguido o segundo maior crescimento mensal (+0,8%).
Renda e emprego
Houve recuo nos indicadores de renda e emprego atual. No primeiro caso, a baixa foi puxada pelas famílias manauenses que ganham dez salários mínimos ou mais (-23,6%), situando o indicador em nível muito abaixo da satisfação (80,5 pontos). Em se tratando da satisfação com o emprego atual, a queda foi alimentada especialmente pelos consumidores com renda abaixo de dez mínimos (-7,5%). A mesma dinâmica se deu no nível nacional.
Entre os consumidores manauenses que ganham mais, houve queda para todos os subíndices e o menor encolhimento no nível de satisfação ficou na Perspectiva de Consumo (-0,6%). No grupo das famílias da capital amazonense ouvidas que dispõem de menor renda, o destaque é Momento para Duráveis (+13,6%).
Acima da média
Para o assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, as variações negativas mensais entre alguns subíndices do ICF, ou mesmo a diferença da dinâmica de emprego e renda entre os públicos que ganham mais ou menos, é irrelevante frente ao fato de que a capital amazonense dispõe de um nível de satisfação positivo e bem superior ao da média nacional.
“O consumidor de Manaus está extremamente confiante nas perspectivas da economia brasileira, conforme podemos comprovar nesta pesquisa, que é estritamente técnica. O destaque vem principalmente dos bens duráveis, já que a queda dos juros está facilitando o acesso e a aquisição de eletroeletrônicos, veículos e até imóveis. A relativa melhora no emprego na região também ajuda explicar a evolução do índice”, salientou.
“Recuperação gradativa”
Em texto distribuído à imprensa, a economista da CNC responsável pela pesquisa, Catarina Carneiro da Silva, destacou o número reforçado nas perspectivas de consumo (+3,1%) e lembrou que, pela primeira vez desde fevereiro de 2019, a maior parte das famílias acredita que vai comprar mais no futuro. “A percepção superou também, pela primeira vez desde março de 2019, o nível de 100 pontos, evidenciando satisfação com as expectativas de consumir”, afirmou.
No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o desempenho do indicador neste mês aponta uma recuperação gradativa do consumo, ancorada em fatores econômicos, como a redução do desemprego e o aumento das contratações líquidas, além da taxa inflacionária baixa. “Os brasileiros estão mais confiantes com a atividade econômica em 2020, aumentando assim sua intenção de consumir tanto no curto quanto no longo prazo”, concluiu.






