Indústria do AM critica aumento de impostos

Em: 4 de janeiro de 2008
Os dirigentes locais explicaram que a mudança atingirá especialmente o setor financeiro, sendo a principal conseqüência o encarecimento do crédito
Os dirigentes locais explicaram que a mudança atingirá especialmente o setor financeiro, sendo a principal conseqüência o encarecimento do crédito

Os representantes da indústria do Amazonas criticaram o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e do CSSL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido). A medida do governo federal para compensar a extinção da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi avaliada como precipitada e dispensável devido ao superávit na arrecadação brasileira.

Os dirigentes locais explicaram que a mudança atingirá especialmente o setor financeiro, sendo a principal conseqüência o encarecimento do crédito.

De acordo com o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, o sistema bancário brasileiro e os tomadores de crédito serão os que mais vão sofrer as conseqüências do aumento desses tributos “No final, quem paga a conta é o povo. Logo, tais custos serão repassados de alguma forma para o consumidor final”, disse.

Loureiro disse que os consumidores que adquirirem veículos ou outros bens financiados serão prejudicados com o acréscimo das taxas.

O dirigente afirmou que o governo federal não terá prejuízo algum com o fim da CPMF, pois há uma previsão de arrecadação em impostos avaliada em torno de R$ 600 bilhões em 2008.

“Esse índice garante uma situação confortável, apesar da extinção do imposto do cheque. Portanto, houve precipitação em elevar as alíquotas do IOF e da CSSL no início deste ano”, assegurou o dirigente.

Loureiro avaliou que o PIM (Pólo Industrial de Manaus) não será diretamente influenciado com a mudança. Porém, admitiu que o aumento dos tributos retira da população parte do que poderia ser gasto em bens e serviços.

Aficam diz que governo deveria esperar para avaliar consequências

O presidente da Aficam (Associação das Empresas Industriais e de Serviços do Pólo Industrial do Estado do Amazonas), Antônio Car­los Lima, lamenta a elevação da carga tributária brasileira. “O governo não deveria ter feito nenhum ‘pacote’ antes do mês de fevereiro como havia prometido a oposição. O correto seria esperar e avaliar as conseqüências para tomar uma atitude coerente”, disse, ressaltando ter sido uma decisão precipitada.

Segundo o executivo, o governo tinha outras possibilidades para compensar a perda da CPMF. O representante da Aficam afirmou que era favorável a interrupção da cobrança do “imposto do cheque”, pois a contribuição já havia deixado de ser utilizada para o fim proposto em sua criação.

“O encargo com nome de ‘provisório’ já estava se tornando permanente. Além disso, os recursos arrecadados por meio dele não estavam sendo destinados somente à saúde”, explicou Lima.

Restabelecer perda

O presidente do Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, disse que já se esperava uma atitude do governo para restabelecer a perda da CPMF. Conforme o representante da entidade de classe, a alteração trará menores prejuízos ao contribuinte em comparação aos causados pelo “imposto do cheque”. “A contribuição abolida era extremamente gananciosa, pois influía sobre qualquer operação financeira”, explicou.

De acordo com o economista Martinho Azevedo, como a medida é direcionada para o setor financeiro, o impacto será mínimo para o consumidor. “Esse aumento vai incidir sobre o setor produtivo que busca financiamento para compor parte dos seus investimentos”, garantiu.

O especialista assinalou que o empresário não terá como transferir de imediato este custo para o produto final, pois, diferente como ocorria com a CPMF, o desconto é feito de maneira indireta.

No entanto, Martinho Azevedo afirmou que o repasse ao consumidor pode acontecer em longo prazo. Inicialmente, a população sentirá o impacto do aumento dos impostos caso realize financiamentos após essa mudança. “Como o IOF é cobrado no ato de repasse do empréstimo, os tomadores de crédito serão os principais prejudicados com a elevação da alíquota desse imposto”, afirmou o economista.

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Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.