A farinha e farelo de peixe estão mais presentes no comércio local e representam alta em vendas de 30% no comparativo com o ano passado. De acordo com dados da Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural), o produto tornou-se mais abundante a partir de iniciativas que incentivam a compra e produção do alimento.
Conforme explicou gerente de desenvolvimento de pesca da Sepa (Secretaria Especial de Pesca e Aqüicultura), André Lima Gandra, pode-se definir farinha de pescado como um produto sólido, seco, obtido através do cozimento, prensagem, secagem e pulverização de peixes inteiros e/ou resíduos da indústria pesqueira, amplamente utilizada para o enriquecimento e balanceamento de ração para nutrição animal e consumo humano a produção de farinha de peixe é destinada a dois fins distintos: consumo humano e animal. A fabricação da piracuí, farinha de peixe comestível, ainda é realizada de maneira artesanal em todo o Estado e mesmo não existindo uma estrutura para produção e comercialização regularmente, o produto já aponta indícios de grande aceitação local. Porém, o farelo, ração animal, acrescido de outros ingredientes nutricionais, desponta como produto que vem engrandecer a cadeia produtiva da piscicultura local.
De acordo com o gerente, a produção de farelo de pescado no Amazonas é feita principalmente com o resíduos do animal, como vísceras, peles, escamas, espinhas e sangue, basicamente. Ele contou que no Município de Itacoatiara há uma fábrica de farinha de peixe em plena atividade, capaz de processar cerca de duas toneladas de pescado por dia, o que gera algo em torno de 260 quilos de piracuí e farelo.
A Sepa aponta que como o desembarque da produção pesqueira em Manaus por variação de época, a produção do farelo de peixe é mais favorecida no período da safra, época em que a média de armazenagem e oferta do pescado varia ente 180 e 200 toneladas por dia. Já na época do defeso, a média cai para 19 toneladas diárias, e na entressafra, 25 a 35 toneladas, rompendo significativamente o ciclo produtivo ascendente.
Farinha de pescado
A partir de cada tonelada de peixe cru produz-se cerca de 180 quilogramas de farinha de pescado e 12 litros de óleo.
Estes produtos são comercializados no mercado local a preços entre R$ 2 e R$ 4 o quilo e atualmente não são encontrados apenas no mercado Adolpho Lisboa (mesmo porque está em obras de restauração), e sim, na maioria dos estabelecimentos da cidade. Algo praticamente impossível há 5cinco anos.
Entre os componentes da farinha de pescado, destaca-se, pela sua importância, o material protéico presente em porcentagens que variam de 55% a 70%. “Além das proteínas, devemos salientar também, a presença de matéria graxa (entre 4,8% e 8,0%), de sais minerais (entre 12,0% e 33,0%) e de umidade (de 6,0% e 10,0%)”, explicou Gandra.
O peixe é um dos recursos naturais mais abundantes e utilizados na região amazônica. A sua maior importância está relacionada, sem dúvida, à alimentação humana, participando aproximadamente com 70% da proteína animal consumida pela população de Manaus, e seu consumo médio per capita está em torno de 150 gramas por dia, sendo um dos maiores do país, superando o índice de cidades como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.






