As ações da Bolsa brasileira encerraram o pregão com forte queda, com o recrudescimento das preocupações de investidores com a economia americana. O Ibovespa, principal indicador dos negócios, sofreu perdas de 3,37%, aos 52.846 pontos. O volume financeiro foi significativo, de R$ 4,08 bilhões, o que sinaliza o grau de pessismismo dos investidores.
Um somatório de más notícias precipitou a derrocada no dia. Pela manhã, o humor dos investidores já foi azedado pelo desempenho do mercado de trabalho americano: o Departamento de Trabalho dos EUA revelou uma taxa de desemprego acima do esperado (4,6% contra projeções de 4,5%), combinada com uma geração de postos de trabalho abaixo do previsto (92 mil novos empregos contra expectativas de 126 mil).
À tarde, um novo indicador surpreendeu negativamente os participantes do mercado: o ISM, uma entidade privada, revelou o que seu indicador do nível de atividade do setor de serviços foi pior do que o estimado por economistas de instituições financeiras (55,8 pontos contra 59).
“As pessoas viram que o contágio [dos prejuízos do mercado de hipotecas dos EUA] pode se espalhar inclusive para empresas de outros países e que o problema pode ser muito maior do que se pensava anteriormente”, afirma o analista da corretora Souza Barros, André Borghesan.
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,902 para venda, uma alta de 1,49%, nas últimas operações de sexta-feira. O Banco Central entrou no mercado próximo ao horário de encerramento dos negócios e adquiriu a divisa dos EUA a R$ 1,8950 (a taxa de corte).
O risco-país, medido pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcava 199 pontos no final da tarde, com acréscimo de 2,05% sobre a pontuação final do dia.
Para profissionais das mesas de câmbio, prevaleceu a preocupação com a economia americana. “Entre operadores das mesas (de câmbio), se comentou que alguns grandes bancos não quiseram passar o final de semana expostos e zeraram suas posições (compraram moeda), com medo de alguma surpresa desagradável com o setor imobiliário lá nos Estados Unidos”, afirma Luiz Carlos Balden, diretor da corretora Fourtrade.
“É claro que isso é extra-oficial, mas aparentemente algumas grandes instituições financeiras quiseram passar um final de semana mais tranquilo. As Bolsas também caíram bastante, e nesses dias o dólar sempre sobe”, acrescenta.
Investidores e economistas estão mais sensíveis às más notícias vindas da economia americana, em que bancos e grandes fundos sofrem com problemas vindos de empréstimos imobiliários de alto risco (“subprime”).
Participantes do mercado temem que mais empresas revelem problemas de caixa por terem recursos aplicados nesses créditos podres.
A consultoria Austin Rating avalia que a volatilidade deve permanecer nos próximos dias, mesmo que o mercado já tenha absorvido as notícias negativas sobre o setor de hipotecas dos EUA.
“Reiteramos nossa opinião que o problema com o mercado de hipotecas (subprime) nos EUA não deve se alastrar para a economia real”, avalia a consultoria.
O mercado futuro de juros acompanhou o forte repique do câmbio. O contrato para janeiro de 2008 projetou juro de 11,11%, contra 11,07% de quinta-feira.
No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada avançou de 10,98% para 11,12%. E no contrato de janeiro de 2010 a taxa negociada registrou uma elevação de 11,13% para 11,29%.
Cena externa derruba Bovespa
Em: 6 de agosto de 2007
199 pontos
A taxa de risco-país, medida pelo indicador Embi+ (JP Morgan), marcou 199 pontos no final da tarde de sexta-feira, com um acréscimo de 2,05% sobre a pontuação final ocorrida na última quinta-feira.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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